Setúbal

Quinta da Amizade sem habitação social. CDU diz “ouvimos os moradores, chama-se democracia”, mas PS absteve-se

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O executivo da Câmara Municipal de Setúbal reuniu ontem numa reunião pública que trouxe a aprovação da atualização da Estratégia Local de Habitação para o Concelho de Setúbal, com os votos a favor da CDU e do PSD, e a abstenção do PS.

Carlos Rabaçal, vereador do Departamento de Obras Municipais (DOM), tinha marcado presença numa reunião a 28 de julho, com mais de uma centena de moradores da Quinta da Amizade, que estavam contra a construção de um empreendimento habitacional para habitação social com 67 habitações na Quinta da Amizade A e outros 201 para alojamentos na Quinta da Amizade B.

A população estava revoltada por “não ter sido informada e auscultada na decisão que previa a construção destas urbanizações numa zona sem infra-estruturas básicas como o acesso a cuidados de saúde primários, à educação, a transportes públicos, a par de outras deficiências como a falta de estacionamento”, afirmou com clamor um morador na altura.

O vereador ouviu a população e cumpriu a vontade da maioria, expressa não só no “Auditório do Bocage”, devido às suas limitações físicas de acomodação de mais pessoas, mas também quem se fez ouvir nos diferentes canais do município, admitindo que” tudo não passou de “um erro” e, por isso, a “urbanização” “não [iria] acontecer”. Informou também que ia “levar a proposta à próxima sessão de câmara, a 11 de agosto” onde iria  “reverter a situação”. Garantindo que “dava a sua palavra de honra que não ia acontecer”.

Carlos Rabaçal e o executivo da CDU cumpriram “a palavra de honra” e trouxeram a votação uma nova atualização que apenas levou a uma “alteração do local e não no número de fogos”, uma vez que a Quinta da Amizade não dispõe de “equipamentos necessários” para albergar a quantidade de fogos propostos.

A atualização foi aprovada com os votos a favor da CDU e do PSD, mas o PS, apesar de ter votado a favor da Estratégia Local de Habitação do Concelho de Setúbal sem “grandes detalhes” numa reunião anterior que apenas apresentava, tal como a nova proposta, o número e os locais dos fogos, mudou a intenção de voto e absteve-se pelo mesmo motivo que na anterior reunião aprovou.

A CDU criticou, nomeadamente Carlos Rabaçal, acusando Joel Marques e o PS de “estar zangado com a democracia a funcionar”, uma vez que o executivo “não tem dificuldade em conversar com as pessoas e dizer que nos enganámos e vamos corrigir”, rematou.

O PSD confirmou também que todos aprovaram a anterior Estratégia Local de Habitação do Concelho de Setúbal, admitindo a sua responsabilidade: “aqui todos temos a culpa de votar na diagonal”, afirmou Nuno Carvalho, apelando que a Quinta da Amizade fosse “valorizada com o parque verde, com o centro de saúde e escola básica”. Nesse sentido, a CDU confirmou ainda que junto “com a associação de moradores e um grupo de moradores formado” estão a trabalhar para “dotar” a zona de “equipamentos que não tem”, deu conta Carlos Rabaçal.

Muita embora o PS tenha optado por se abster, contrariamente ao que fez no passado, “vários dirigentes do PS e do PSD fizeram fogo de artifício com os moradores”, mostrando-se contra, “embora tenham votado a favor na reunião”, informou Carlos Rabaçal.

Maria das Dores Meira apontou críticas a esta postura: “o período eleitoral causa repugnância, como é possível? E com o agravamento das Redes Sociais do querer sangue, uma espécie de abutres”, admitindo, enquanto olhava para os residentes presentes, que “se estivesse na vossa pele fazia exactamente o que fizeram de protestar”, naquilo que é um ato democrático, rematando que “só temos de pedir desculpa e rectificar aquilo que não fizemos bem”.

Pedro Pina, vereador da CDU, acusou o PS: “Não vi o senhor apresentar uma única proposta. A ausência de estratégia tem o PS, a ausência de palavra tem o PS. Diga-nos onde construir, sr. vereador Joel Marques?”. Carlos Rabaçal confirmou ainda que “não há terrenos”disponíveis  pela “gestão do PS”.

O novo plano da Estratégia Local de Habitação para o Concelho de Setúbal já seguiu para o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e prevê um “protocolo de 23 milhões de euros para reabilitar bairros e construir novos fogos”, completou a CDU.

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