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Fernando Pinto: “Nunca assumirei uma posição sobre o aeroporto sem consultar a população”

Segunda parte da entrevista de balanço do mandato com Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal de Alcochete.

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Segunda parte da entrevista de balanço do mandato com Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal de Alcochete. Leia aqui a primeira parte.

Qual é a posição do executivo perante a possibilidade de um aeroporto?

Nós tivemos a mesma postura desde o início e nunca nos questionaram se porventura queríamos o aeroporto implementado na solução Montijo. Numa conversa com António Costa, quando todos os presidentes de Câmara foram chamados ao Palácio de Belém, a primeira coisa que ele me disse foi: “Fique tranquilo que ninguém lhe vai perguntar se quer ou não quer o aeroporto”.

Se me questionarem sobre isso, o que direi é que nunca tomaria uma posição e nunca assumirei uma posição sobre a localização do aeroporto sem consultar a minha população. Defendo que um tema dessa natureza deve ter a participação pública dos nossos munícipes, e em função daquilo que é o entendimento deles, nós assim tomaríamos a decisão.

“Se o aeroporto é na base aérea, no Campo de Tiro ou em Rio Frio, não nos vamos pronunciar”

Se porventura a solução fosse na base aérea, tudo bem, desde que na nossa opinião estivessem cumpridos dois pressupostos intocáveis: O primeiro era a segurança de pessoas e bens, e o segundo era as questões ambientais. Se um destes dois pressupostos fosse minimamente beliscado, não concordaria com o aeroporto.

Se esse investimento for feito nas imediações do concelho de Alcochete, ótimo, porque poderemos ter benefícios com esse crescimento. Também terá malefícios, mas é minha competência mitigar os aspetos negativos que um investimento desta natureza possa trazer. Se é na base aérea, no Campo de Tiro ou em Rio Frio, não nos vamos pronunciar sobre esta matéria. Compete-nos zelar pela segurança da nossa população e defender os interesses do concelho.

Considera que esta questão do aeroporto é uma guerra política entre a CDU e o Governo?

Não tenho dúvidas de que é uma guerra política, mas estou muito mais empenhado a preocupar-me com a minha gente e a minha terra, do que estar a entrar nestes “rodriguinhos” de guerra artesanal. Não perco tempo com isso. Quando for chamado a ter uma posição, vão saber.

Mas um novo aeroporto não seria importante para reduzir a taxa de desemprego na península de Setúbal?

Sim, não tenhamos dúvidas disso. Agora, não queremos criar emprego a todo e qualquer custo. Acho que é importante uma avaliação ambiental estratégica e fazer estudos. Havia quem dissesse que o estudo de impacto ambiental do campo de tiro já está feito. Sim, foi feito em 2007. Daí para cá, a circulação de aves, a vegetação e os condicionalismos foram alterados. Utilizar um estudo que já terminou a validade não me parecia importante.

“Não queremos criar emprego a todo e qualquer custo”

Isto acontece muito no nosso país. Levamos demasiado tempo a pensar nas coisas, a refletir, e quando estamos preparados para avançar, há sempre qualquer que volta a atrasar. Mas há um facto: seja a construção de uma cidade aeroportuária ou de uma solução complementar, é um investimento importantíssimo para o país e para a região.

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Como estão as relações com a oposição?

A nossa oposição vai fazendo o seu papel. A política é uma ciência com protagonistas, que são os políticos. Todos deviam trabalhar sob o lema que diz o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres: “em primeiro lugar estão as pessoas”.

Há questões que não lembram ao diabo e estou a recordar-me que nós lançámos recentemente uma campanha de apoio aos idosos com carências devidamente demonstradas para a aquisição de medicação. Esse procedimento já está em curso, mas a nossa oposição, nomeadamente a CDU, votou contra. É uma coisa que não me passava pela cabeça e tinham o argumento de que isso é competência do Governo. Faz-me confusão.

“Há questões que não lembram ao diabo na oposição. Ainda está muito ligada às ideologias centrais do partido”

Por exemplo, eu quando estou a trabalhar para as pessoas, não estou a questioná-las sobre a as suas ideologias políticas, clube de futebol ou religião, e isso não acontece com a nossa oposição, que ainda está muito intrinsecamente ligada áquilo que são as ideologias centrais dos partidos políticos.

Felizmente o Partido Socialista deu-me a possibilidade de ser quem sempre fui. Agradeço muito porque o PS beneficia com a minha maneira de ser e as pessoas também.

Vai recandidatar-se?

Neste momento a minha cabeça está envolvida em projetos que temos em curso e que estão à beira de ser finalizados e ocupo muito do meu tempo mental a desenvolver todos os esforços para que isso seja uma realidade. Outra realidade que me absorve muito tem a ver com um investimento para ampliação e requalificação da Escola Básica do Samouco, que ascende a mais de 1 milhão de euros.

Queremos dotar este estabelecimento de melhores condições para os profissionais e estudantes. Como já disse, o meu compromisso eleitoral não se esgota em quatro anos e essa é uma possibilidade que pode vir a acontecer, mas a seu tempo darei a nota oficial.

Que mensagem quer deixar para os munícipes?

O nosso trabalho incide sobre as pessoas. Falo das famílias e dos agentes económicos, que no fundo são a alavanca fundamental para podermos em conjunto reerguer a economia no concelho de Alcochete. Começámos por correr um risco grande, que era ter investimento e reduzir a dívida.

“Os nossos munícipes e os trabalhadores têm consciência plena do esforço que fizemos ao longo do nosso percurso”

Depois reduzimos o IMI para beneficiar as famílias, porque estava na taxa máxima, em 0,45%. Neste momento a taxa que está em vigor é de 0,38% e começámos a aplicar logo desde o início o IMI familiar. Permite que o agregado familiar que tenha um filho possa ter uma dedução fixa de 20 euros. Para quem tem dois filhos deduz 40 euros e para quem tenha 3 ou mais filhos existe uma dedução fixa de 70 euros.

Ao longo de todo este tempo Alcochete não esteve parada. Trabalhámos do ponto de vista do turismo, da cultura. As estátuas foram requalificadas, os parques infantis, o espaço público, o cemitério, o centro de recolha de animais. Estou convicto que, quer os nossos munícipes, quer os trabalhadores, têm consciência plena do esforço que fizemos ao longo do nosso percurso, considerando que estamos a atravessar esta pandemia. Continuámos a trabalhar para o bem comum em condições invulgares e difíceis, mas o resultado está à vista de todos.

“Não temos problema em admitir que algumas obras que fizemos foram deixadas de herança por outro executivo”

Este é um concelho que está ferido, mas simultaneamente está motivado a ultrapassar tudo isto. Não temos problema em admitir que algumas obras que fizemos foram deixadas de herança por outro executivo. Problema teríamos se, ao contrário de outros, tivéssemos agarrado nesses projetos e deitado para o lixo, ou colocado dentro de uma gaveta.

Vamos dar a conhecer em breve aquilo que são os nossos próximos projetos para o concelho, porque a vida não para e não estamos paralisados no tempo. Deixo uma palavra de apreço e gratidão para todos aqueles que dentro e fora da Câmara Municipal contribuíram de forma decisiva para hoje dizer que temos um concelho melhor. Muitos desses foram os nossos trabalhadores, que são os nossos recursos humanos. Estamos seguramente a melhorar Alcochete.


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