BARREIRO – Manifestação exigiu justiça e internamento do ‘monstro do Barreiro’

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‘Queremos Justiça!’, ‘Temos o direito à segurança’, e ‘É preciso morrer?’ foram algumas das mensagens exibidas e gritadas esta manhã frente ao Tribunal do Barreiro, e a poucos metros da morada do agressor.

Foi desta forma que mais de meia centena de pessoas exigiram que as autoridades tomem medidas relativamente aos ataques perpetrados por Bruno Miguel Costa, conhecido como o ‘monstro do Barreiro’.

Ao Diário do Distrito, Catarina Correia, a jovem que organizou o protesto, explicou que “pretendemos que ele seja preso ou internado, seja tratado por especialistas porque já foi diagnosticado como tendo esquizofrenia. E o que ele tem vindo a fazer é um crime público.

Não sou uma das vítimas de agressões, mas ele já me assediou na internet. E hoje estou aqui pelas raparigas que foram agredidas e pelas futuras possíveis vítimas.

Neste momento não me sinto segura, sou mulher e um potencial alvo. Ele chamou-nos cobras e ratazanas para uma reportagem na televisão, mas nós somos mulheres e temos direito à segurança e ele nem a Justiça têm direito de nos tirar isso.”

Segundo Catarina Correia, a situação arrasta-se há 15 anos, e os sucessivos casos que vão chegando aos tribunais são arquivados “e dizem-nos que não é um crime público e que só podem fazer alguma coisa se ele for apanhado em flagrante”.

As perseguições e agressões ocorreram na via pública no Barreiro e em Lisboa, sendo que Bruno Miguel Costa parece escolher as suas vítimas, persegui-las para conhecer os seus hábitos e depois então atacar.

A convicção é que “Bruno Miguel estuda as potenciais vítimas. Ele começa pro contactar pelo Facebook a dizer ‘dá-me o teu número’, ‘quero conhecer-te’, ‘gosto de ti’ como me mandou a mim, mas eu nem lhe dei resposta. E depois ele começa com as ameaças de carácter sexual e com uma linguagem muito porca, sobretudo se as raparigas lhe respondem a dizer que não querem falar com ele, para as deixar em paz.

No caso da minha colega que foi agredida na sexta-feira, ela nunca tinha recebido nenhuma mensagem dele, nem conhecia fotos.”

 

Casos em tribunal

 

O último ataque ocorreu na passada sexta-feira, 28 de Setembro, em Lisboa, segundo Catarina Correia, o homem perseguiu a vítima desde o Barreiro até ao Chiado, “e atacou-a dentro do prédio onde ela entrou. Ela fez queixa e pediu protecção à PSP mas responderam-lhe que não lha podiam dar. E ele ainda lhe mandou ameaças a dizer que podia ser pior”, contou Catarina Correia.

A 16 de Setembro de 2017, cerca das 20h00, a filha de Ana Cristina Simões foi agredida quando seguia sozinha para ir ter com alguns amigos a caminho das Festas da Moita, conforme explica.

“Foi apanhada de surpresa, ele nunca tinha falado com ela, e deu-lhe uma carga de porrada. Mas ela conseguiu virar-se a ele, e essa é uma das raivas que ele tem. Apesar de ter ficado com o rosto todo negro e a cana do nariz partida, ela também lhe bateu, gritou e apareceram pessoas que a ajudaram e que a levaram ao hospital. Os amigos da minha filha ainda andaram pela zona a ver se o encontravam, mas ele fugiu.”

Mas os problemas não acabaram com a agressão. “Ainda hoje ele vai a Alhos Vedros, passa pela minha filha e diz que as coisas não vão ficar assim, que o que lhe fez é pouco e que ainda lhe vai fazer pior. Antes de ontem, a minha filha estava a trabalhar de noite e ele levou horas a mandar-lhe mensagens e a telefonar-lhe, e ela a desligar. Ameaça-a que vai esperar que ela saia do trabalho, que ela vai ser só dele, que se engravidar será por ele. E além das mensagens absurdas e porcas que manda, até para mim.”

O caso de Sara chegou também a tribunal, mas foi arquivado. “A minha filha estava a estudar em Lisboa, em 2013, perto do El Corte Inglês”, relatou Adília Machado.

“Um dia foi para Lisboa de barco, e começou a desconfiar de um homem que parecia segui-la já no metro. Quando saíram, ele pôs-se ao telefone a dizer que estava perdido e que já ia chegar ao local, e ela ficou mais descansada. Mas mesmo assim ainda entrou num café para ver se ele a seguia ou não. Quando saiu, foi para o prédio da escola, e quando entrou no elevador ele entrou logo atrás e bloqueou-o.”

É com a voz embargada que esta mãe conta o que se passou a seguir. “Despiu-se e masturbou-se para cima da minha filha, que ficou em absoluto pânico e sem se conseguir mexer. Quando acabou, fugiu do elevador. Ela pediu ajuda aos professores e quando veio para o Barreiro pediu ao pai para ir ter com ela e fazerem queixa na esquadra, onde deixaram as roupas sujas do esperma. E ali disseram-lhe que já havia outras queixas semelhantes e por agressões contra a dita pessoa.”

A queixa avançou para tribunal em Lisboa, com o julgamento a decorrer em 2016, “no qual ele foi acompanhado pelo Dr. João, da psiquiatria do Hospital do Barreiro, que foi dizer que ele estava medicado, mas que os factos contra a minha filha ocorreram quando ele tinha parado a medicação. Perguntámos porque é que ele não está internado, ao que responde que «não era tão fácil assim». E simplesmente foi considerado como impune, a juíza achou que ele não tinha cometido crimes tão graves quanto isso para o meter numa cela junto com criminosos. E foi solto. Se tivessem feito alguma coisa nessa altura, não teriam acontecido as outras agressões.”

 

Revolta e impunidade

 

O sentimento de impunidade do agressor revolta as vítimas e progenitores. “Como mãe sinto-me revoltada, se eu pudesse… Isto é horrível. A minha filha ficou com o rosto todo negro, com a cana do nariz partido, e até agora nada foi feito. Fizemos a queixa, está a decorrer o processo em Tribunal e ele continua a agredir raparigas. E sobre o processo, vamos recebendo cartas, mas ainda não nos chamaram a prestar declarações, estamos à espera” lamenta Ana Cristina Simões.

Para Adília Machado “se em 2016, quando ele foi a tribunal pelo caso da minha filha, a juíza tivesse tido outra postura, se calhar não tinham existido mais agressões. Mas também gostava de saber onde está agora o Dr. João, da Psiquiatria do Hospital do Barreiro, para vir dar aqui a cara como deu em tribunal pelo seu doente.”

Com a manifestação e a petição, o que se pretende é que Bruno Miguel Costa seja internado e tratado “para não fazer mais mal a ninguém, porque queremos andar na rua descansadas”.

 

Contactos com as vítimas

 

A pergunta impõem-se: como é que Bruno Miguel Costa tem acesso aos contactos. “Não sabemos. Há quem diga que ele tem um amigo que consegue esses contactos”, disse uma das manifestantes ao Diário do Distrito. “Disse-me coisas horrorosas e até conseguiu o número da minha mãe. E a minha mãe desafiou-o para se encontrar com ela cara a cara, e foi ai que ele se calou, porque é um cobarde, só ataca raparigas.”

O agressor já foi algumas vezes confrontado com outros homens “mas ele à frente deles desata a chorar e a dizer que é doente, ou foge”.

Pelas histórias que se foram ouvindo, tudo indica que Bruno Miguel, que exerceu a profissão de segurança, ronda as zonas do terminal fluvial do Barreiro, onde chegou a prestar serviço como segurança, e depois segue as raparigas até Lisboa ou no percurso que fazem no Barreiro.

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