Vitória de Setúbal não «aceita decisão (da Liga) de forma nenhuma»

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O presidente do Vitória Futebol Clube, Paulo Gomes, emitiu esta noite um comunicado, tal como ontem o Clube havia garantido, no qual reitera que irá recorre da decisão da Liga para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, «estando a trabalhar no limite, e a recorrer a todas as possibilidades legais, para a nossa defesa».

No comunicado, Paulo Gomes afirma ainda que «não aceitamos esta decisão de forma alguma. O Vitória FC tem fundamento para os três critérios apresentados como insuficientes.

O Vitória FC sempre cumpriu e liquidará todas as dívidas que sejam certas, líquidas e exequíveis, não deixando de refutar e contestar aquelas que carecem de sustentação legal ou contratual ou se revelem abusivas numa tentativa de enriquecimento sem causa, sustentada na “pressão” de um processo de licenciamento.

Sabemos também que existem dívidas entre clubes, assumidas em conferências de imprensa, acrescentando-se a isso dívidas também para com o próprio Vitória FC por parte de outras sociedades desportivas.

Nenhuma dessas tem, contudo, o tratamento e as consequências idênticas, deixando no ar um clima de impunidade, e, novamente, um tratamento diferenciado.»

Relativamente aos motivos que levaram a esta decisão, Paulo Gomes garante que «o Vitória FC, numa conjuntura difícil e excecional, apresentou à Autoridade Tributária uma proposta de regularização da sua situação tributária, que, como consta da própria certidão, foi aceite com reserva que não existiria noutra zona do país.

Esta pandemia, momento único da nossa história, provocou inéditos finais abruptos de competições. De forma excecional, foram tomadas decisões polémicas de homologação de resultados, acarretando promoções e despromoções que fazem correr muita tinta, com processos judiciais que até agora ameaçavam a impugnação dessas provas. A mão de ferro com o Vitória FC acaba também por ter o condão de resolver esses imbróglios. Não permitiremos que o nosso clube, uma instituição centenária, seja veículo de uma solução conveniente.»

E o presidente do Clube sadino não  deixa de apontar o dedo porque «enquanto outros organismos, países e ligas europeias optaram, numa situação que é excecional, pela redução ou eliminação das exigências dos pressupostos, a nossa Liga adia, mantendo as condições, por 30 dias, quando o campeonato se prolongou por dois meses e meio, sobrepondo o final da época desportiva à entrega dos pressupostos financeiros.

Assim, retirou da equação os encaixes financeiros gerados pela venda de jogadores e pelas parcelas das receitas televisivas, que estão previstas para o equilíbrio orçamental da temporada. Afinal, a Covid-19 na Liga “não é para curar, é para matar”.»

Por fim, Paulo Gomes deixa um recado «ganhámos no campo, foi dentro das quatro linhas que o nosso Vitória FC obteve a manutenção, não foi na pressão que prevalece à volta do futebol português. Mais que um negócio, o Vitória FC é um clube com história. Representamos Setúbal e toda uma região, com adeptos que têm orgulho de dizer: “Sou do Vitória”.

Nasci aqui, é aqui que quero morrer e usarei todas as forças disponíveis para defender o Clube que nos honra. E é aqui que apelo à união de todos os Vitorianos e Setubalenses, numa luta dura, contra interesses que não fazem parte do nosso ADN.»

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