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Venda da Quinta do Braamcamp é «um erro político»

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A afirmação é de um dos dois representantes do grupo de cidadãos «A Quinta do Braamcamp é de todos!» que se opõe à venda deste espaço por parte da Câmara Municipal do Barreiro.

Na Assembleia Municipal extraordinária que decorreu esta noite na Biblioteca Municipal, durante o período Aberto à População intervieram dois membros do movimento, Nelson Citima e Ricardo Machado, um dos primeiros subscritores da petição que apela ‘Não à venda da Quinta do Braamcamp’, e que conta com 1.215 assinaturas.

Na sua intervenção Nelson Citima referiu que “este grupo tenta sensibilizar o executivo camarário e os munícipes para o que consideramos ser um erro político, ou seja a venda total da Quinta Braamcamp”.

O munícipe referiu que já colocou várias questões e obteve respostas, “mas nenhuma delas serenou a discórdia que tenho com esta decisão do executivo. E quanto mais ouço, menos gosto. E é importante que se reflicta sobre o que vai acontecer e o que se vai perder do nosso território, uma jóia na região metropolitana de Lisboa com 21 hectares, que vai ser entregue por tuta e meia. Daqui a dez anos, todos nos iremos estar a lamentar porque a nossa cidade perdeu uma oportunidade histórica.

Este será talvez o último terreno agrícola e senhorial nesta margem do Tejo, inserido dentro de uma cidade, o que devia ser tido em conta, e deveria ficar no nosso controlo para que fosse feito algo que pudesse orgulhar esta cidade.”

O munícipe referiu depois o número de prédios que serão ali construídos em urbanização, “que poderão ir até aos 23 prédios, com estacionamentos, e outras infraestruturas.”

Ricardo Machado explicou a génese do movimento de cidadãos, “que surgiu imediatamente a seguir à sessão de esclarecimento promovida pela autarquia e que tem uma linha comum com outros movimentos: não concordamos com a alienação daquele território por inteiro”, e lamentou ainda que essa reunião não tenha sido divulgada ou transmitido em directo”.

Questionou depois os empreendimentos previstos “porque falaram em prédios, numa eventual unidade hoteleira, num campo de futebol sem dizerem se será privado ou para ser explorado por um clube, não percebemos exactamente qual o destino a ser dado à caldeira, porque o verador Rui Braga na altura o que disse é que será decisão do investidor.”

Outra questão do munícipe teve a ver com os resultados de estudos de arquitectura e um projecto para a recuperação do Moinho Grande “dos quais não foi dado qualquer conhecimento sobre isso ao público”.

O regulamento da Assembleia Municipal remete as respostas do executivo aos munícipes na forma escrita, pelo que não houve contraditório ou explicações por parte do executivo.

Em Julho de 2017 a Assembleia Municipal do Barreiro aprovou um empréstimo de médio e longo prazo para aquisição da Quinta do Braamcamp até ao montante de € 2.900.000, e em Dezembro de 2017, os terrenos da Quinta do Braamcamp passaram a ser Património Municipal. No entanto em Fevereiro de 2019, o actual executivo da Câmara Municipal (PS) anunciou o plano de venda total do território.

No passado dia 28 de Fevereiro os subscritores da petição reuniram no Barreiro para debater com outros cidadãos a sua preocupação relativa à venda da propriedade e no domingo, 31 de Março, vão organizar uma «Reunião Cidadã na Quinta do Braamcamp», para constituir a Plataforma contra a Venda da Quinta, «que unirá os diversos movimentos que se formaram e todos os barreirenses interessados, mas vamos também conhecer melhor o local e reflectir em conjunto sobre possíveis futuros para este espaço nobre da cidade», refere uma nota subscrita por Movimento Cidadão ‘A Quinta do Braamcamp é de Todos!’, a Associação Barreiro Património Memória e Futuro e Cooperativa Mula.

A reunião terá início às 07h00 com uma actividade de Birdwatching na Quinta; às 10h00, actividades com crianças e às 12h00 uma visita guiada à Quinta, seguida de almoço/piquenique, seguindo-se o debate cerca das 16h00.

 

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