Turismo Sim! Mas não a todo o custo.

Tiago Machado é um dos novos cronistas do Diário do Distrito onde semanalmente irá deixar aqui um artigo de opinião para o interesse dos nossos leitores

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Não defendo que qualquer negócio é um bom negócio e que criar empregos é sempre melhor que não os criar, e não concordo por uma razão muito simples: tudo o que se faz deve ter uma estratégia por detrás, com a eficiência e a mais-valia como expoente máximos, “criar” empregos para “escravizar” pessoas e encher as carteiras de meia dúzia, não é a melhor politica. Não tenho dúvidas que o Turismo tem sido a alavanca da economia portuguesa nos últimos 5 anos, sendo o sector onde a criação de emprego tem o maior crescimento.

Por exemplo o sector do “Alojamento, restauração e similares” foi efetivamente o que mais cresceu no número de pessoas empregues, 64.500 para 323.200 . Mas por outro lado é também o sector com mais trabalhadores por conta de outrem a ganhar o Salário Mínimo Nacional, cerca de 35,9%. A estratégia de ter o maior número de turistas sem qualquer preocupação com a capacidade económica dos mesmos, e a consequente maior rentabilização do negócio do turismo deve ser analisada e ponderada senão podemos correr o risco de sermos o bidé da Europa, por termos um paraíso para os turistas e um pesadelo para os trabalhadores.

Com uma taxa de ocupação média de 52% no total dos Alojamentos Turísticos (nacional) e com picos de 95% no Algarve e em Lisboa no mês de Agosto, dificilmente se justificaria deixar o mercado do Alojamento Local (AL) sem qualquer estratégia. Em 2018, a Suíça, com metade das dormidas e metade dos trabalhadores, conseguiu um contributo directo para o PIB ligeiramente superior aos 14 mil milhões de euros atingidos por Portugal, ou seja, mais receitas, menos custos, menos trabalhadores, resulta em mais lucros para as empresas e muito melhores ordenados para os trabalhadores.

Temos de ter uma visão de estratégica na criação de uma economia com maior valor acrescentado . Analisando os casos dos países com melhor qualidade de vida, salários elevados e bons sistemas sociais, como o dos países nórdicos que têm menos receitas de turismo que nós e um PIB superior, encontramos uma solução: aposta na Investigação. O importante não é fazer volume, mas ter mais lucro bruto no negócio para se poder pagar melhor aos trabalhadores. Essa maior margem atinge-se com a aposta na inovação, em indústrias de maior valor acrescentado, e não a fomentar trabalho que paga o SMN.

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