Tratemos de dignificar a Mulher e a Criança, ambas vítimas

Artigo de opinião de Rita Cássia, antropóloga e arte-educadora, que aborda o tema das vítimas de um sistema que retira os filhos a vítimas de violência doméstica, para assinalar o Dia Internacional da Mulher.

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Esta semana, um artigo de opinião por Rita Cássia, antropóloga e arte-educadora, que aborda o tema de um sistema que retira os filhos às vítimas de violência doméstica, para assinalar o Dia Internacional da Mulher.

 

Diante de todos os dias durante o ano em que mulheres derramam lágrimas porque lhes retiraram os filhos para entregar a agressores, às famílias dos agressores, às suas próprias famílias quando são elas as agressoras, ou às instituições do Estado.

Quando mulheres após terem sido agredidas têm de fugir dos seus próprios lares, enquanto os agressores permanecem incólumes. Diante de todos os dias durante o ano em que mulheres são coagidas a fazerem mediações familiares com seus agressores para que não lhes retirem os filhos.

Quando mulheres têm de pagar multas pelo facto dos filhos se negarem a cumprir os regimes de visitas com os seus algozes.

Quando mulheres têm de pagar custas pelos impulsos de se terem defendido dos agressores.

Quando mulheres perdem seus empregos precários porque se tornam inaptas ao trabalho, devido às torturas pelas quais passam.

Quando mulheres se suicidam, porque já não sabem a quem recorrer. Quando mulheres são atingidas também pelas forças policiais, que lhes deveriam proteger.

Quando mulheres não são socorridas porque são negras, pobres, ciganas, ou migrantes. Quando mulheres que são mães, lutam três, quatro, cinco, seis anos, e além, para recuperarem seus filhos retirados indevidamente de seus convívios, por terem tido a coragem de terem denunciado as violências domésticas, e/ou institucionais pelas quais passaram. Quando mulheres migrantes não podem sair do país com seus filhos, para visitar suas famílias nos países de origem, porque seus algozes, assim o querem.

Quando mulheres são coagidas a aceitarem guardas partilhadas provisórias ou definitivas de seus filhos, com agressores. Quando mulheres são humilhadas, caluniadas, acusadas como sendo alienadoras parentais, perseguidas por advogados das partes contrárias, perseguidas por assistentes sociais, psicólogas, perseguidas por magistrados ou magistradas.

Quando mulheres são trancadas dentro de seus lares para não saírem a rua. Quando crianças a amamentar são separadas das suas mães, vítimas de violência doméstica, com mandatos de busca e apreensão. Quando crianças são abusadas sexualmente e separadas das suas mães, vítimas de violência doméstica, principais referências afectivas das crianças.

Basta!

Todas nós, mulheres, necessitamos é que a Justiça funcione neste país.

Que magistrados e magistradas que tenham a ideologia do Sr. Neto de Moura não possam exercer jamais.

Nem no âmbito da Violência Doméstica e, muito menos no da Família e Menores.

Mulheres, crianças, todos e, todas, temos de ter o direito de exercermos as nossas cidadanias plenamente, onde as nossas vozes não sejam silenciadas pela Justiça. Tratemos pois, de dignificar a Mulher e a Criança, através de políticas públicas eficazes, de medidas legislativas, potencializadoras de mudanças efectivas, positivas nas vidas das vítimas.

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