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SETÚBAL – Dragagens do Sado preocupam ambientalistas

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O projecto de melhoria das acessibilidades marítimas do Porto de Setúbal foi ontem assinado no ministério do Mar, mas as suas consequências ao nível do ambiente estão a preocupar a Quercus.

O contrato de 24,5 milhões de euros prevê a dragagem do Rio Sado para permitir a entrada de navios de grande porte e os trabalhos devem arrancar este mês e estar concluídos em Maio de 2019.

No entanto, apesar da Declaração de Impacto Ambiental (DAI) garantir que «não são afetadas áreas sensíveis (a dragagem será realizada nas freguesias de São Sebastião e União das Freguesias de Setúbal), o estudo admite que «as obras de dragagens em canais de navegação conduzem a alterações no equilíbrio dinâmico local, afectando os sistemas adjacentes».

A obra será realizada no canal da Barra, Canal Norte e zona de transição entre estes dois canais, onde a DAI considera «não existirem zonas de elevada sensibilidade ambiental», embora admitindo que «a população de roazes corvineiros residente no Estuário do Sado usa o canal da Barra com muita frequência nas suas deslocações».

A DAI alertou para a «forte perturbação na dinâmica social e comportamento na população de golfinhos roazes, tendo em conta que estes usam emissões acústicas para comunicar, nomeadamente durante a atividade de alimentação, pelo que, o mascaramento dos sinais de comunicação pelo ruído de fundo produzido irá introduzir forte perturbação na dinâmica social e comportamental da população de golfinhos roazes», devido à intervenção intensiva de várias dragas a laborar durante seis meses, que irá «ter um impacte ambiental significativo associado ao ruído subaquático gerado pelas dragas, pelos seus motores de sucção e pela deposição de sedimentos.»

Outro dos impactos negativos apontados pelo DAI é a «suspensão de partículas e turvação da coluna de água consequentes das ações de dragagem e deposição de sedimentos», uma situação que apontam pode vir a conduzir «a alterações em comunidades bióticas fundamentais (com impactes do ponto de vista ecológico e económico) que habitam o Estuário do Sado e o Parque Marinho Luiz Saldanha», no caso dos bivalves.

A DAI recomenda a monitorização «por forma a assegurar que é: mantida a qualidade das águas balneares adjacentes à intervenção; evitada a dispersão de contaminantes/poluentes presentes, ainda que de forma vestigial, nos sedimentos dragados e/ou depositados; minimizado o risco de depósito/aterramento e asfixia das 4 principais áreas de pradarias marinhas presentes nas áreas adjacentes à intervenção.»

Estes são os impactos ambientais que preocupam a associação ambientalista Quercus, a que se acrescenta o facto de a DAI «reconhecer que o projeto pode criar uma dinâmica costeira complicada em praias como o Portinho da Arrábida e Galápos, já muito afetadas com a diminuição de areia”, disse ao Correio da Manhã Nuno Sequeira, elemento da organização ambientalista.

Para o presidente da Quercus, João Branco, «o aumento do movimento de navios pode fazer com que os golfinhos se vão embora, e a dragagem vai também deixar os fundos e as pradarias marinhas completamente devastadas» e estranha que a discussão pública do projeto, que ocorreu o ano passado, tenha passado ao lado dos setubalenses.

Ao mesmo OCS, Lídia Sequeira, presidente do conselho de administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, garantiu que «o impacto será mínimo» nos roazes.


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