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Rússia proíbe palavras relacionadas com a Ucrânia e redes sociais nos livros escolares

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A 24 de fevereiro, Vladimir Putin iniciou uma «operação especial» na Ucrânia, que foi invadida pelas tropas russas.

Logo após o início da invasão, as empresas editoras de livros escolares receberam ordens para remover todas as referências consideradas «incorrectas» à Ucrânia e à sua capital, Kyiv, dos livros didáticos que estão a ser preparados para o próximo ano lectivo.

O jornal Mediazona conversou com três editores da ‘Iluminismo Publishing House’ sobre essa ordem, que pediram anonimato por medo às represálias.

Mas este ‘apagar’ de um país que fez parte da história da Rússia começou em 2014, no entanto, segundo os editores, vários autores de livros didáticos tentaram manter as referências à Ucrânia, embora com todas as cautelas.

«Mas após 24 de fevereiro, tivemos de reescrever cerca de 15% dos textos» referiram os editores, e apontam como exemplo «os parágrafos em que são dados exemplos de heráldica de diferentes estados, há alguns anos foi fortemente recomendado remover a bandeira da Ucrânia e substituí-la pela bandeira de qualquer outro país.

Se no capítulo for necessário dar um exemplo da capital, Kyiv foi substituída por outra capital.»

E também a bandeira dos EUA teve de ser retirada de alguns textos, mas segundo os entrevistados «isso não coloca um grande problema, porque na Rússia o programa escolar dá pouca importância à História Mundial».

A partir de 24 de Fevereiro, as editoras têm de remover as menções à Ucrânia sempre que possível. «Ou seja, temos uma tarefa: fazer como se a Ucrânia simplesmente não existisse», dizem.

«É muito pior quando o livro simplesmente não menciona um país. Uma pessoa cresce sem uma base de conhecimento sobre um país, e então é muito mais fácil acreditar em tudo o que lhe é transmitido pela televisão.»

Para os editores que trabalham em livros de História a dificuldade é maior. «Por vezes é impossível remover as referências à Ucrânia e Kiev, locais onde o antigo Estado russo foi formado».

Perante essas dificuldades, os editores são instados a mudar os termos para «palavras mais seguras», e podem «mencionar como salvámos Kiev, mas não podemos falar sobre a independência da Ucrânia como país», refere o editor da ‘Iluminismo’, dando como exemplo: «é necessário substituir a linha que refere «Vladimir batizou Kiev» pela frase «Vladimir baptizou a capital».

Se evitarmos nomes ucranianos, conseguimos preservar uma série de tópicos importantes nos livros de História, como a origem e o assentamento dos eslavos orientais, o surgimento do estado eslavo oriental, a adopção do cristianismo na Rússia, as causas e o significado da fragmentação feudal na Rússia, a cultura da Rússia pré-mongol.»

Mas também os nomes próprios ucranianos são alvo da censura. «Um dos livros didáticos será publicado pela editora sem o nome do autor na capa, porque se trata de um cidadão da Ucrânia, e o seu nome sinaliza isso. No interior do livro é feita a referência ao nome do autor, escrito em letras pequenas, mas teve de ser removido da capa por precaução» explica um funcionário da editora.

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Já no início de Abril, os editores da ‘Iluminismo’ receberam instruções dos seus superiores para removerem links para páginas do Facebook e Instagram integradas nas suas contas de email profissionais, bem como para remover referências às redes sociais dos livros com os quais trabalham.

Por exemplo, é proibido mencionar o proprietário do Facebook – a empresa Meta, reconhecida como uma organização extremista, depois da mesma ter bloqueado o acesso da Federação Russa, a par com o Instagram.

As editoras utilizam um programa automatizado para pré-pesquisar palavras, mas cujo radicalismo leva a que ao pesquisar a palavra ‘sabotador’, ter encontrado uma referência à proibida empresa Meta na palavra ‘metabolismo’.

E na frase ‘Catedral de Santo Isaac’, localizada em São Petersburgo, o programa encontrou uma combinação suspeita de letras ‘Kyiv’.

Por ordem do Governo russo, os livros didácticos são verificados a cada cinco anos, mas os editores admitem que «desde 2014 as inspeções tornaram-se muito mais frequentes».


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