Racismo – a nova arma na política

Esta semana um artigo de opinião de Samuel Marques.

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Tempo de Leitura: 5 minutos

Bom dia caríssimos(as) leitores(as) ora cá estou eu de volta com mais uma crónica. Estive para escrever há quase um mês. Quase um mês de espera da minha parte por um lado estive impaciente por escrever em cima dos acontecimentos, mas por outro lado a prudência e o facto de não estar a escrever um simples post de Facebook onde de forma simplista cada um diz o que lhe vai na alma, ditou desta forma o atraso desta crónica.

Nem sempre devemos escrever em cima dos acontecimentos pois as novidades podem contrariar completamente aquilo que escrevemos. Quando iniciei a escrever para este jornal tive que passar a ter em conta que a credibilidade do DIÁRIO DO DISTRITO, e a obrigação de informar os leitores sobrepõe-se às minhas opiniões pessoais, muito embora isto seja um mero artigo de opinião que é unicamente da minha responsabilidade.

Posta esta introdução vamos ao artigo em sim mesmo.

O RACISMO!!! O racismo é um assunto que na sociedade portuguesa é muito pouco falado. E quando muito é tratado com pinças ou luvas de pelica, tendo em conta que antes de tudo mais estamos a lidar com os direitos das pessoas e dos seus sentimentos.

Quer de um lado quer de outro. Todos nós crescemos num país multicultural e sobre isto não há nem pode haver qualquer dúvida. Portugal é uma pátria que física; histórica e emocionalmente multicultural e multiterritorial.

Até à Constituição de 1976 vigoraram na Constituição de 1933 os artigos 1º ; 2º ; 3 º e 4º do Titulo 1º na Primeira parte, algo que já era referido na Constituição da República Portuguesa de 1911 e no acto colonial já vigente durante a monarquia constitucional.

Portugal não é um país racista nem tem uma sociedade racista. Isto não quer dizer que não haja pessoas racistas em Portugal. E acreditem ou não, estes têm todas as cores de pele e origens: são africanos de origem dos PALOPS e de outros países; são africanos nascidos em Portugal; são brancos nascidos em Portugal e nas ex-colónias; são de etnia cigana; são paquistaneses e indianos.

Não há uma etnia que possa dizer que é isenta de elementos racistas. Todas os têm. Portanto, energúmenos em todos os locais. Assim como há casos de gente fora-da-lei, homofóbica e ETC.

As sociedades todas passam por problemas destes. Mas o problema é quem usa estes casos para se auto-promover. E também isto em todas as etnias e nacionalidades. Mas uma coisa são os casos de racismo e outra coisa são os casos de violação clara da lei e o uso depois da desculpa do racismo.

SIM HÁ CRIMINOSOS A FAZEREM-SE DE VíTIMAS DE RACISMO E INDIVIDUOS A USAR ISSO PARA SEU PROVEITO.

Mas vamos lá chamar os protagonistas desta polémica pelos nomes:

MAMADU BÁ – Nascido no Senegal em 1975. Licenciado em língua e cultura portuguesa pela universidade Cheikh Anta Diop de Dakar; titular do curso de tradutor pela Universidade de Lisboa e membro da Associação Luso-Senegalesa; da rede anti-racista de Portugal, membro da Diáspora Afrique, das pessoas africanas e de ascendência africana na Europa. Foi membro efetivo em representação de Portugal do concelho de administração da European Network Againts Racism entre 1999 e 2010. É dirigente do S.O.S racismo e coordenador da plataforma de afro-descendentes de Portugal e tem diversas publicações sobre as temáticas de diversidade; racismo e migrações. E esteve como assessor do BE (Bloco de Esquerda).

Ora alguém com este curriculum vitae não faz afirmações como: “BOSTA DA BÓFIA” de graça. Não!!!

Este senhor tem uma agenda de agitação social. Este senhor faz palanque de ataques cerrados à PSP, supostamente defendendo jovens na Amadora de bairros difíceis. Envolveu-se no caso do bairro Jamaica indiretamente através do BE. E agora aparece a defender uma senhora que pretendia que a filha viajasse sem o título de transporte na empresa de transportes públicos VIMECA.

Tentou mesmo através da rede social TWITER que os vídeos que incriminavam a senhora não fossem divulgados em redes sociais, entando desta forma obstruir o curso da justiça e manipular a opinião pública. E ainda chamando “criminoso” ao agente da PSP. Isto é tentar aldrabar a justiça com o fim de não só atacar o estado de direito como as próprias autoridades policiais. Para levar à completa anarquia.

JOACINE KATAR MOREIRA – Nascida na Guiné-Bissau em 1982 e residente em Portugal desde 1990. Licenciada em História Moderna e Contemporânea na vertente de gestão de bens culturais; com o grau de mestrado em estudos do desenvolvimento e doutorada em estudos sociais pelo ISCTE-IUL. Era até à presente data deputada pelo partido LIVRE na Assembleia da República Portuguesa tendo sido eleita para o mandato nas eleições legislativas de 2019.

Ora esta senhora deputada começou com o trabalho de campanha política junto dos bairros degradados e junto das mulheres africanas. Algo que à partida parecia promissor. Alguém que iria trazer para a cena política as dificuldades de quem vive com empregos precários que se levanta às 5 da manhã para limpar as casas; centros comerciais e escritórios que muitos de nós frequentamos.

Quantos de nós já nos lembramos de agradecer a essas mulheres pelo facto de limparem a mesa do shopping-center onde vamos comer o nosso big-mac??? Pois muito poucos…

A verdade é que até eu tinha algumas esperanças, mas rapidamente as perdi. A tomada de posse ficou logo marcada pela saia azul e das meias verdes do assessor. Uma perfeita palhaçada escusada. Depois veio a polémica com a bandeira nacional que considerou racista. Como se isso fosse possível.

Depois seguiu-se o caso da guerra aberta entre Joacine Katar e o LIVRE, onde se fartou de afirmar que foi eleita só pelo seu trabalho e que não obedecia ao partido.

De seguida o caso dos corredores da AR onde, por não querer responder a perguntas dos jornalistas, fez acionar a segurança, obstaculizando desta forma o trabalho dos jornalistas. Indo desta forma contra a Constituição da República Portuguesa que consagra o direito a informar e à informação bem como o direito de escrutino de titulares de cargos públicos.

Não contente com isto ainda por cima absteve-se de votar favoravelmente uma moção do CDS que condenava a violência racial e atentado à segurança pública que ocorreu com a morte de dois jovens universitários em Lisboa e em Braga. Dois jovens de nacionalidades e raças diferentes, ambos com um futuro promissor à sua frente. Dois seres humanos que tinham sonhos e vontades por realizar mas que foram barbaramente interrompidos por criminosos.

Joacine Katar Moreira traiu o voto dos que votaram nela. Ela não quis ser eleita para melhorar a sociedade portuguesa. Não quis ser eleita para trabalhar pela integração daqueles que vivem nos bairros sem lei.

A última pedrada no charco foi vir falar da “descolonização” dos nossos museus, algo que valeu o repto do deputado do CHEGA André Ventura que falaremos mais à frente.

Nunca aceitou a critica relativa à abstenção relativamente à condenação da violência racial. Ora isto só poderia terminar com a expulsão do partido. E com a consequente perda de direitos de intervenção em plenário como deputada.

ANDRÉ VENTURA – É deputado do CHEGA; comentador da CM TV e doutorado em direito público. Tem assumido a defesa das forças de segurança. E ficou conhecido pela polémica do caso dos ciganos em Loures.

Acabou por se envolver na polémica com Joacine Katar por dizer que já que de deveria devolver o património às ex-colónias se deveria começar por Joacine.

Apesar de muitos de nós podermos dizer isto à boca pequena ou na mesa de um café, tal acabou por ser politicamente um tiro no pé. Mesmo com a imunidade parlamentar um deputado não deve “escorregar na bola” desta forma. Poderemos atribuir talvez a uma certa imaturidade política. Algo que não se explica muito bem é aparecer alguém que numa acção do partido fazer a saudação romana durante o hino nacional. Algo completamente dispensável.

ABEL MATOS SANTOS – Ex-candidato à presidência do CDS, dele vieram a terreiro declarações polémicas feitas no passado, com carácter racista e xenófobo, e de apoio à PIDE.

A verdade é que mesmo aqueles que hoje sendo saudosos do Estado Novo e do Salazarismo não convivem bem com estas declarações. Isto é um insulto à democracia portuguesa. Ninguém pode defender em sã consciência uma polícia política repressiva. Estas declarações são tão graves que nem o próprio André Ventura se atreveu a dizê-las.

Em primeiro lugar porque Portugal é uma nação que desde a sua fundação tem raízes judaico-cristãs e árabes. Em segundo lugar porque nem no Estado Novo Portugal fechou a porta aos refugiados judeus. Temos infelizmente a nódoa da expulsão dos judeus no reinado de Dom Manuel I. Mas este senhor vai manter o apoio do partido, que já veio a público defendê-lo. Vamos ver se isto não será o fim do CDS.

Em suma, ou estes senhores e senhora incluída começam a respeitar a tradição de inclusão desta nação templária que sempre teve gente de todas as raças nos lugares cimeiros da nação, ou então só têm de abandar as suas funções públicas.

Portugal já no Estado Novo Portugal tinha deputados e uma deputada de origem africana. O problema não está na origem. O problema está nas pessoas que se acham no direito de não respeitar a lei e os agentes da autoridade. E depois a desculpa é o “RACISMO”.

Poupem-me e poupem a inteligência dos portugueses. A lei e a ordem pública devem ser respeitadas. Não pode um cidadão em funções públicas estar sujeito aos enxovalhos e agressões só porque para cumprir as regras vai contra dos desejos egoístas de uma minoria étnica. E isto aplica-se quer aos policias; professores ou médicos, mas também aos motoristas de autocarro e mulheres e homens das limpezas. Uma sociedade saudável é uma sociedade onde há respeito pela lei e pelos outros. O primeiro passo para a dignidade é o respeito. Caso contrário teremos a anarquia e caminharemos a passos largos para um estado falhado.

Termino assim por hoje com a viva esperança de não mais ter que escrever um texto destes.

 

NOTA EM ANEXO (CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA DE 1933)

https://dre.pt/application/dir/pdf1sdip/1933/02/04301/02270236.pdf

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