Opinião

“Privatizaram a frente ribeirinha de Alcochete e mandaram o parque urbano às urtigas”

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Depois de inviabilizarem um novo Parque Urbano ribeirinho público, projetado pela anterior gestão entre o Largo da Feira e o Forno da Cal, ao aprovarem o monstruoso condomínio privado da “Tagus Bay”, e depois de abandonarem a candidatura apresentada pelo executivo precedente, que permitiria a construção de um Parque Urbano naturalizado público no Sítio das Hortas / Pinhal das Areias com 209 mil m2…

Vêm agora alguns arautos locais do PS, preocupados com o rumo da gestão camarária atual de maioria PS/CDS, centrada na gestão dos interesses privados e económicos, e percecionando a reprovação popular cada vez mais nítida da desgovernação em curso, apesar da muito favorável conjuntura financeira, tentar trazer à colação a gestão anterior da CDU, interrompida em 2017, desenterrando uma promessa de finais dos anos 90, alegadamente não cumprida, ligada à construção de um Parque Urbano no Centro da Vila de Alcochete, para tentar desviar as atenções da sua inoperância atual.

Tendo em conta a capital importância deste projeto para a melhoria e consolidação da qualidade de vida de Alcochete, vale a pena recuperar a verdade histórica e tentar perceber por que razão este tão desejado Parque Urbano, não obstante ter sido esboçado pela Câmara Municipal já em meados dos anos 90 para junto do denominado “Núcleo D” (sob os terrenos adjacentes às avenidas da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 e da Revolução 1383-85), nunca viu a luz do dia.

Desde logo, importa recuperar o fato da concretização desse projeto depender então, nos termos do PDM, da entrada em vigor de um Plano de Pormenor, através do qual seria possível destacar a parcela necessária para domínio público.

Todavia, após a chegada do PS ao poder em finais 2001, o então presidente da Câmara “José Inocêncio” mandou esse Plano de Pormenor às urtigas, chegando mesmo a afirmar publicamente que não iria promover a sua aprovação porque não concordava com…”o sentido de orientação dos edifícios”.

Plano de Pormenor esse que estava concluído quando o memorável “Presidente Miguel Boieiro” terminou o seu último mandato, faltando somente, em termos procedimentais, a respetiva aprovação pela Assembleia Municipal para que o Parque Urbano fosse exequível.

Recordando-se inclusivamente que foi prevista na altura a construção de um centro cultural precisamente no coração desse Parque Urbano, junto ao Núcleo Histórico da Vila de Alcochete.

Entretanto, no início de 2002 o executivo de maioria PS inventou à pressa, no rescaldo da demissão do então primeiro- ministro António Guterres, precipitada pelos maus resultados autárquicos ao nível nacional, para aproveitar ainda as benesses do governo socialista demissionário, um projeto muito mal enjorcado (que nem arranjos exteriores previu), que impôs uma nova localização do Centro (Fórum) Cultural e o transpôs para os arrabaldes dos aglomerados urbanos periféricos da Vila de Alcochete.

De reparar ainda que o tipo de construção do Fórum Cultural, que veio a ser erigido durante esse famigerado mandato de má memória, tem por base estruturas metálicas que, devido à proximidade do rio, estão sujeitas a uma degradação acentuada e obriga a um permanente e tremendo esforço de conservação.

Ou seja, foi o PS que não quis aprovar o Plano de Pormenor que permitiria a construção de um Parque Urbano na proximidade imediata do Centro Histórico de Alcochete e a subsequente construção de um centro cultural que, atendendo à sua localização, apresentaria condições de maior fruição pela população, em termos semelhantes ao que se verificou com a Biblioteca Municipal.

Acrescendo tristemente que a maioria do PS na Câmara Municipal no mandato 2002-2005 decidiu incluir trabalhos não previstos no caderno de encargos e que, por essa razão, o Tribunal de Contas não visou e não autorizou a realização dessas despesas acrescidas, tendo sido já a maioria subsequente da CDU, depois da condenação da Câmara Municipal em tribunal no pagamento de uma elevada indemnização à empresa “Teixeira Duarte”, a ter de assumir esse encargo financeiro.

Mais! Importa recordar que a maioria do PS no mandato 2002-2005 havia herdado da gestão anterior uma candidatura para a construção de um Jardim de Infância em S. Francisco que, devido à obsessão com a construção daquele Fórum Cultural, “roubou à população” daquela Freguesia, ao ter requerido à entidade gestora da época dos fundos comunitários o desvio dessa verba para a construção daquele “elefante branco”.

Como importa sublinhar que no local do atual Fórum Cultural estava antes prevista a construção de uma unidade desportiva para substituir a do Valbom. Assim, com a subversão pelo PS do que estava planeado, Alcochete ficou sem um recinto desportivo na zona poente e sem um Fórum Cultural no centro da povoação.

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Mas, pior! Nada aprenderam com o seu passado tenebroso, quando episodicamente à frente dos destinos do Município de Alcochete. Tal qual em 2002-05, também no presente mandato, na versão PS com muletas da direita, a desorientação e a falta de visão estratégica, nesta como noutras matérias, são totais.

Só nestes últimos 3 anos, já deixaram privatizar a frente ribeirinha nascente e cair os projetos vitais do Parque Urbano no prolongamento da Vila, bem como da candidatura para financiamento do parque naturalizado do Pinhal das Areias, desbaratando assim grande parte do planeamento estratégico deixado pelo executivo do “Presidente Luis Miguel Franco”, que só a lei da limitação de mandatos não permitiu que pudesse prosseguir com o seu excelente trabalho em prol de Alcochete.

Despencam assim as falácias dos atuais propagandistas locais do PS, que não resistem minimamente à verdade histórica.

Perante mais uma gestão municipal desastrosa do PS no Município de Alcochete, do presidente “Fernando Pinto”, tal como em 2002/05, também agora temem desesperadamente pelas naturais consequências democráticas.

Mas, tal como no passado, não será com a deturpação dos factos e com a invenção sucessiva de falsidades que impedirão o regresso natural da nossa terra ao futuro.

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