Opinião

Porque pede o ex-funcionário Casanova a reintegração no PCP se há muito que trabalha politicamente para outrem?

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A propósito das altissonantes e reiteradas parangonas nos jornais, rádios e televisões acerca dum conflito judicial entre o PCP e um seu ex-funcionário…

Não conheço o processo, mas das duas uma:

– ou o PCP e os seus funcionários políticos são vistos como outra entidade ou trabalhador quaisquer e então isto nem notícia é, pois um conflito laboral pode ocorrer em qualquer organização e para a sua resolução existem a lei e os tribunais;

– ou se considera que estamos num âmbito diferente, no contexto duma organização especial em que a consonância ideológica é o elemento marcante, e então teremos um tipo de conflito político interno que não tem substrato laboral, nem deveria ter “palco judicial”.

Mas… aqui d’el-rei que o PCP recorreu e não cumpre com as decisões judiciais. Perfeitamente legítimo… pois, enquanto houver recurso possível, as decisões não são definitivas… nem para o PCP, nem para qualquer outra entidade.

Que o PCP, como qualquer outra entidade, procure fazer valer judicial e legitimamente os seus pontos de vista, enquanto tiver instrumentos legais para o efeito, parece-me perfeitamente natural.

Se não o conseguir e logo que uma eventual decisão definitiva negativa for tomada, terá que se conformar e dar cumprimento à mesma, se tal for exequível.

Agora, a questão mais interessante e que estranhamente ninguém coloca é a de saber porque é que um funcionário de um partido político, escolhido pela respetiva direção por critérios de confiança pessoal e política, e não no seguimento de um qualquer procedimento concursal, que se incompatibilizou precisamente com a direção do partido, exige a sua reintegração e não antes a indemnização que a lei prevê?

Pois quem acredita que, nessas circunstâncias, a reintegração de um funcionário político que perdeu a confiança política da direção política que o recrutou, possa correr bem? Que sentido faz? A não ser ampliar o conflito e exponenciá-lo para mera instrumentalização política e ideológica por parte dos adversários partidários?

Quantos milhares de trabalhadores deste país foram ilicitamente despedidos sem que tal alguma vez fosse notícia… incluindo vários funcionários de vários outros partidos, organizações religiosas…e a nossa comunicação social pouco ou nada noticiou?

Agora, como envolve o PCP, é um fartote. O que pretendem com isso?

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