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PCP assinala Dia Internacional da Mulher com críticas à guerra (mas sem referência a Putin)

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O PCP reuniu cerca de cem mulheres esta terça-feira na Casa do Alentejo, em Lisboa, num almoço comemorativo do Dia Internacional da Mulher, que contou com um discurso de Jerónimo de Sousa.

Um dos destaques do secretário-geral do Partido e mote do discurso foi o que falta cumprir dos direitos das mulheres «que significa ter de continuar o combate contra as discriminações entre mulheres e homens e pela igualdade no progresso», além da história do PCP na «defesa dos direitos das mulheres, pela igualdade e contra todas as discriminações e o apoio à sua luta contra o estatuto de subalternidade a que esteve sujeita no fascismo».

Com a invocação sobre a data «que ao longo destes 112 anos foi, em Portugal e no mundo, proibida, silenciada, instrumentalizada e manipulada, mas que se transformou num símbolo da luta das mulheres em defesa dos seus direitos, contra o fascismo, a guerra e pela paz», Jerónimo de Sousa referiu as «muitas guerras na Síria, no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, na Líbia e em outros países de África e que, com trágicas consequências e sérios perigos, se desenvolve na Ucrânia e que causam compreensiva e legítima consternação e apreensão. Uma guerra a que urge por termo!»

Este tem sido um tema polémico, uma vez que o PCP condena a guerra e apela à paz mas, tal como neste discurso, sem qualquer referência a Putin e à invasão perpetrada contra a Ucrânia.

«O PCP está sem equívocos ao lado dos povos que desejam paz e condena todo um processo de ingerência e confrontação que ali se instalou, o golpe de Estado de 2014, promovido pelos EUA naquele território, a recente intervenção militar da Rússia e a intensificação da escalada belicista dos EUA, da NATO e da União Europeia.

É urgente parar a política de instigação do confronto que só levará ao agravamento do conflito, à perda de mais vidas humanas, a maior sofrimento.

São necessárias iniciativas que contribuam para a desescalada do conflito na Ucrânia, para o cessar-fogo e para um processo de diálogo com vista a uma solução negociada para o conflito, à resposta aos problemas de segurança colectiva e do desarmamento na Europa, ao cumprimento dos princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia, no interesse da paz e cooperação entre os povos.»

Jerónimo de Sousa saudou também as iniciativas promovidas pelo MDM – Movimento Democrático de Mulheres, a Semana da Igualdade promovida pela CGTP-IN, e relembrou a Manifestação Nacional de Mulheres que terá lugar no próximo dia 12 de Março em Lisboa.

As críticas foram depois dirigidas «à política de direita que tem colocado obstáculos que impedem, na prática, a elevação das condições de vida e de trabalho e o cumprimento dos direitos das mulheres portuguesas» dando como exemplo «a insegurança e desvalorização do trabalho e dos direitos que enfrentam as mulheres operárias da indústria, as trabalhadoras em lares e noutros equipamentos sociais ou as trabalhadoras da área da cultura; das empresas de distribuição ou do comércio. Uma grande parte são jovens e mães que estão sujeitas a uma forte exploração laboral, que se traduz em abusivas discriminações, salários baixos, desvalorização das carreiras profissionais, em que a grande maioria recebe de salário-base o Salário Mínimo Nacional ou pouco acima deste, mesmo tendo 10, 15 anos no exercício das suas funções.»

Os vínculos de trabalho precários foram abordados pelo secretário-geral do PCP, apesar do «avanço extraordinário que representa o facto de mais de 42% do total do emprego feminino, ser exercido por mulheres com ensino superior completo. Muitas destas trabalhadoras são bolseiras de investigação, arquitectas, jornalistas, advogadas, entre muitas outras que nunca tiveram um contrato permanente, ou direito a licença de maternidade, nem subsídio de férias ou de Natal e para muitas delas o seu salário não lhes permite alugar ou comprar casa e muito menos decidir ser mãe.»

Sublinhou ainda «a elevada taxa de emprego feminino em Portugal, bem como do crescente emprego feminino com habilitações elevadas, sendo um indesmentível avanço para a sua autonomia económica e social, assumindo um inegável valor para o funcionamento da sociedade, não reverte a seu favor e do cumprimento dos seus direitos, nem tão pouco para o progresso social.

Os sentimentos de injustiça estão presentes em trabalhadoras como as auxiliares de acção educativa ou auxiliares de acção médica, que têm um papel fundamental no funcionamento das escolas e nos serviços de saúde, que são confrontadas com a desvalorização das suas carreiras, funções e salários.»

E não foi apenas à direita que deixou críticas, também à «maioria absoluta do PS, que lhe permite ficar com as mãos mais livres para executar a política que serve aos grandes interesses económicos, é preciso manter viva a mobilização e a luta pela defesa e exigência de concretização dos direitos, agora quando os grandes interesses se apressam já a apresentar as suas exigências de agravamento da exploração, das desigualdades e das discriminações».

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