Opinião

Patria y vida

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Durante esta semana foi bastante noticiada a saída dos cubanos para as ruas, em vários pontos do país caribenho. Os “delinquentes”, como lhes chamou o seu presidente Miguel Díaz-Canel, conseguiram algo inédito no país: manifestar-se contra o regime. A repressão de anos, de mão dada com as dificuldades económicas de um país dependente de turismo, levaram a população, especialmente a mais jovem, a gritar pelo fim da ditadura. “Patria y vida”, o nome de uma música rap construída por um conjunto de artistas cubanos, tem sido o lema que confronta diretamente com “Pátria ou Morte” do lendário ditador Fidel Castro.

O regime que se tem mantido assente na criação de um antagonista responsável por todos os males que acontecem a Cuba, o velhinho imperialismo americano, tem agora de se ver com uma geração mais jovem, que não engole tão facilmente a explicação simples de que a culpa é da América, nem vê motivos para morrer por uma Revolução libertadora que nunca libertou ninguém. Parte da letra da, provavelmente, música mais odiada por Miguel Díaz-Canel, vem aliás com um estampado “Basta de mentiras! O meu povo quer liberdade! Basta de doutrinas!”.

A suposta ameaça do imperialismo americano já não desculpa a repressão das liberdades mais básicas dos cubanos, e é isso mesmo que os cubanos, com coragem, estão a expressar na ilha.

Por cá, tal como um pouco por todo o mundo, este acontecimento é acompanhado com interesse e expectativa. A maioria de nós acompanha as justas reivindicações dos cubanos e reconhece que há uma ditadura que os priva de uma vida normal há mais de 60 anos. Não podíamos estar mais solidários tendo em conta que passámos por uma situação semelhante num não tão longínquo passado. Por via desse motivo, devíamos todos entender que há um povo que se pretende libertar de vez da tirania de um pequeno grupo.

Acontece que nem todos sabemos distinguir democracia de ditadura, ou então alguns de nós são capazes de subverter os seus valores à doutrina partidária. Por esse motivo é impossível falar de Cuba sem mencionar o Partido Comunista. Um partido de assento parlamentar, que é neste momento fundamental na sustentação do Governo e que também governa algumas autarquias como aquela em que vivo, organizou uma manifestação de apoio ao regime cubano. Apoiam-se na retórica do embargo para defender uma cúpula que oprime o seu próprio povo, que atenta diariamente contra os Direitos Humanos, contra a liberdade de imprensa, de opinião, de pensamento e de orientação sexual. É tudo culpa do embargo norte-americano.

Infelizmente para os nossos comunistas, que aqui vivem no conforto de uma democracia, já nem os cubanos acreditam nessa fantasia, e isso assusta-os porque receiam perder mais um bastião comunista para a dura realidade: o comunismo não funciona, e não é por culpa dos Estados Unidos.

Esperemos que os cubanos, que corajosamente se manifestam contra os seus opressores, consigam de forma o mais pacífica possível, conquistar a liberdade aos falsos profetas do socialismo, que lhes têm vendido ilusões há décadas.

Quanto aos setubalenses e a todos os outros cidadãos que vivem em concelhos onde as Câmaras Municipais são governadas pelo PCP, talvez devam refletir se é nestes valores que se vêem representados. Se é em quem defende publicamente, na rua, a repressão de um povo em nome do comunismo, que se encontram os valores de abril. Se queremos aduladores de tiranos a gerir o nosso dinheiro e a impactar diretamente nas nossas vidas.


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