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Palmela | Caminho traçado pelos ferroviários patente no Museu “A Estação”

Entrámos no Museu “A Estação” do Pinhal Novo. Contudo, antes de entrar, a visita guiada por Teresa Rosendo, investigadora e historiadora, com particular interesse pela história contemporânea e da ferrovia, começou com a observação da fachada daquele que foi a segunda estação de comboios desta vila.

A primeira estação foi construída em 1866/68. Posteriormente demolida, no ano de 1931, foi substituída por um pavilhão provisório em madeira.  Por esta altura, Pinhal Novo começou a servir a população como um entroncamento ferroviário a sul e sueste do Tejo.


Aquela que hoje dá lugar ao espaço museológico, foi a estação da vila, construída em 1935. Na temática patente e fixa na fachada do edifício, estão azulejares, que retratam, para além de vários cantos da região, próprios e característicos do património cultural, a vida agrícola da época, numa alusão aos chamados “caramelos” (termo que ainda hoje se utiliza para denominar aqueles que chegam da Beira, do Interior Alentejano e do Algarve para aqui se fixarem).

O monopólio territorial construído a partir do século XIX pertenceu a José Maria dos Santos, dono da Herdade de Rio Frio – latifundiário, casou com a viúva do proprietário original e comprou grande parte do terreno, desde Alcochete até perto da zona do Algarve, num processo de dinamização e modernização agrícola. A partir do emprego gerado, Pinhal Novo começa a nascer e a crescer em termos populacionais, não só pelo trabalho na agricultura, mas também pelos ferroviários que aqui chegaram e viveram.

Entrámos no edifício com um bilhete “à moda antiga”, remetendo-nos para aquilo que se pretende transmitir aquando da construção deste espaço museológico – vincar a história e memórias locais, do que foi a evolução das vias-férreas e a vida das pessoas que de lá ganhavam o seu sustento. Grande parte das peças expostas foram doadas, com destaque para os antigos ferroviários Rafael Rodrigues e Manuel Ribeiro.

Teresa Rosendo, em entrevista ao Jornal Concelho de Palmela, revelou que o município fez o museu “dedicado à comunidade ferroviária” que passou, muitas vezes, de geração em geração, e que fica “representada na memória do espaço que ajudaram a construir”.

A historiadora informou que sempre existiu uma grande preocupação no cumprimento das normas de segurança aquando dos trabalhos ferroviários, deixando a nota de que existia toda uma hierarquia na gestação deste processo de construção – desde a mais alta patente até ao cargo considerado “mais baixo”, cada função era essencial para que o trabalho ficasse bem feito. Todos os que pertenciam a esta área eram, no entanto, vistos como alguém com estabilidade financeira.

Ficou a conhecer-se a história da energia que move a locomotiva – do vapor, ao diesel, culminando na eletricidade presente no nosso quotidiano. Estão expostas no museu várias mostras de objetos e materiais usados, como, por exemplo, o carvão, sendo que nas placas informativas existe a preocupação de haver uma leitura em braille, projeto que está ainda “em desenvolvimento”.

No futuro, Teresa Rosendo assume que “a câmara gostaria de musealizar a torre de sinalização e manobra”, que ainda não é acessível às visitas, revelando ainda que o museu dinamiza “ao longo do ano letivo muitas atividades para a comunidade educativa”, com a construção de uma “maleta pedagógica”. Falou também das visitas feitas “no primeiro sábado de cada mês com um ferroviário”.

Neste espaço, está visível em cada parede um pedaço de história, que viaja no tempo e transporta-nos para onde tudo começou, ao mesmo tempo que se vê ao longo da linha o caminho de quem por lá passou.


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