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Os deploráveis

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Hillary Clinton perdeu as eleições de 2016 quando se referiu aos votantes de Trump como “basket of deplorables”, os “deploráveis” deram a resposta no dia 16 de Novembro de 2016 com a eleição de Donald Trump.

Clinton cometeu um erro fatal em política, deixou o seu ego falar mais alto, não se limitou a desprezar e a humilhar o seu adversário, estendeu o insulto aos seus apoiantes, não compreendeu os problemas que a globalização trouxe aos operários das cinturas industriais das grandes cidades americanas nem lhes indicou um caminho alternativo, e teve uma derrota merecida.

.Os nossos “deploráveis” vivem na periferia de Lisboa e no interior, são por exemplo os esquecidos da antiga cintura industrial de Setúbal que após 46 anos do 25 de Abril continua pobre e esquecida, estando apenas a um rio de distância de Lisboa.

Neste distrito, onde todas as câmaras municipais são socialistas ou comunistas existem os maiores bairros de lata da Europa como são o Bairro do Segundo Torrão em Almada ou o bairro da Jamaica no Seixal, este é o distrito terceiro classificado em número de benificiários do Rendimento Social de Inserção, onde o PIB per capita é inferior à média da União Europeia e os concelhos do Seixal e de Setúbal são os campeões na retenção e abandono escolar.

Os nossos “deploráveis” estão zangados e têm razões para isso. Sucessivos políticos prometeram-lhes um país mais justo e uma vida melhor, prometeram-lhes uma justiça igual para todos, uma saúde igual para todos e falharam.

Nestes 46 anos andámos de crise em crise e de troika em troika sem nunca preparar o futuro e assistimos a uma monopolização de empresas públicas pelos partidos do arco do poder. CGD, RTP, TAP, Metro, Carris transformaram-se em autênticos sorvedouros de dinheiro público proporcionando salários de luxo aos seus administradores, muitos vindos da política.

A justiça não é igual para todos, na verdade existe uma justiça para ricos, que através de advogados conhecedores dos meandros da lei conseguem prolongar um julgamento e uma sentença para lá do aceitável, e outra para pobres.

A saúde não é igual para todos, na verdade, apesar do empenho dos trabalhadores do SNS, este não responde às necessidades mínimas, não é aceitável que consultas de especialidade hospitalar como dermatologia ou cardiologia demorem anos, repito anos a serem marcadas. O alargamento da ADSE a todos os portugueses representa, agora mais que nunca a derradeira hipótese de igualdade no acesso a cuidados de saúde.

Não me resigno a um país pobre nem a um país de cidadãos de primeira e de segunda, não me resigno a um país onde o acesso à educação, saúde e justiça é determinada pela capacidade económica, não me resigno ao país que temos.

Não basta fazer o diagnóstico, é preciso apontar soluções. Não basta dizer que precisamos de uma bazuca de dinheiro vindo da Europa, como se os outros estivessem sempre disponíveis para resolverem os nossos problemas, chegou a hora de fazermos por nós aquilo que estamos à espera que os outros façam. Baixar impostos, privatizar empresas públicas deficitárias, focarmo-nos no que realmente interessa: saúde, justiça, educação, segurança e emprego. Este é o momento dos políticos darem o exemplo.

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