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OPINIÃO – De um Resgate das Cinzas de dentro de um olho de um vulcão

Por Antônia X

De um Resgate das Cinzas de dentro de um olho de um vulcão, ecoa:

– O Brasil que sonhamos é um país assumindo-se criador de prosperidade para todos os seres humanos, e animais, que nele habite, um país reconhecedor de suas mazelas.

Um país que compreenda que não se pode mais investir em um projeto educacional do centro para as margens. A expansão demográfica não parará. Torna-se necessário que independente da classe social onde uma criança nasça, lhe seja transmitido desde cedo, de que ela, a criança, é Alguém.

Um ser humano em desenvolvimento.

O dever fundamental do Estado Brasileiro deverá ser o de dar prioridade máxima na transmissão de conhecimentos e saberes, às crianças. Elas não podem ficar à deriva. Como muitas estão atualmente: sem escolas, sem tetos, e também sem mães. O Estado Brasileiro não deverá copiar as más práticas de outros Estados-Nações, ao separar mães e filhos, transformando crianças em mercadorias, cujas violências sofridas transformam-se em doenças infindáveis, com perdas de identidades, afetos, culturas. Tal empreendimento educacional/humanitário, deverá passar a ser um compromisso Federal.

De nada adiantará continuarmos a afirmar de que as favelas não são cartões postais do Brasil. A expansão demográfica não parará. Cada ser humano nasciturno deverá ter o direito de viver com dignidade, ao receber da sua comunidade, amor, alegria e transmissões de conhecimentos positivos para o seu desenvolvimento. Educação descentralizada. Conhecimentos estes tão fortificados, que não haja espaço para que a colonização de seres humanos através das armas, das drogas, e das religiões possa continuar. Armas, drogas, e religiões, são as ferramentas mais inteligentes que vêm sendo utilizadas pelas classes dominantes para exterminar o povo pobre brasileiro.

Todo ser humano deveria criar em conjunto com outrem as bases para o seu sustento individual, e também coletivo, através de tudo o que de mais simples a natureza circundante produz.

Todo ser humano deveria construir em sua casa hortas verticais ou horizontais. Ou na sua rua, hortas comunitárias. De onde pudessem retirar da terra, legumes e frutas, se possível também cereais. Seres humanos com fome tornam-se fracos mentalmente.

Tendo em consideração de que o planeta em que vivemos necessita de ser protegido por nós, muitos poderão ser os produtos ecológicos a ser desenvolvidos pelas mãos das comunidades populares. O nosso Brasil é riquíssimo em flora, não é? Torna-se necessário uma educação voltada para os seres humanos, enquanto energias motrizes dos seus próprios desenvolvimentos. Sem paternalismos, individualismos, ideais de superioridades ficcionais. Se as desigualdades sociais no Brasil geram lucros para alguns, geram violências para todos, e assim sendo, ninguém poderá estar feliz: nem o pobre, nem o remediado, nem o rico.

Se em cada comunidade pobre, cada ser humano contribuísse com um real para o desenvolvimento de projetos educacionais e sociais locais, obteriam os valores necessários, e as comunidades prosperariam. Não se pode prosperar aguardando dos sucessivos governos a “salvação”.

Todos deverão trabalhar em conjunto na construção de uma solidariedade social que reverta as ordens sociais que foram estabelecidas durante estes últimos séculos no Brasil. Porque elas já não servem, nem servirão para um futuro próximo.

Cultivar o amor, ao invés do ódio.

Cultivar a paz, ao invés da guerra.

Cultivar a alegria, ao invés da tristeza.

Cultivar a criatividade, ao invés da passividade.

Cultivar a ética, ao invés da corrupção.

Cultivar a coletividade, ao invés do individualismo.

Vejamos: todos nascemos ricos em espírito. O problema reside no nosso encontro com os diferentes mundos em que habitamos. Urge então que façamos uma retomada de consciência: EU NÃO SOU NADA SEM O OUTRO. O OUTRO NÃO É NADA SEM MIM.

Se todos necessitamos de todos, que possamos construir sociedades onde possamos entrar e sair de todos os lugares, sem que sejamos discriminados (as), assaltados (as), ou assassinados (as). Que possamos PREFERIR que todos tenham acesso ao sol, a água, a alimentação (física, metafísica e intelectual), a terra, ao porto de abrigo/casa, ao ar, que todos tenham acesso a descobrir – se a si próprios enquanto seres humanos dignos de amor, e de prosperidade. Não uma prosperidade efémera, mas uma prosperidade duradoura, que permita a vida ser cultivada através de longos anos.

Amanhã é Domingo. Não percamos a esperança em nós próprios.

Enquanto brasileiros e brasileiras, somos responsáveis pelo nosso presente, e pelos futuros que haverão de ser. Todos os projetos humanos baseados na discriminação contra o outro, na utilização de armas, na falta de amor ao próximo, no autoritarismo, são projetos desprovidos de racionalidade, e de responsabilidade social.

O Brasil que sonhamos não há lugar para o nascimento de um novo Hitler. Se a nossa democracia está profundamente doente somente nós próprios temos o poder para a sua cura.

De súbito, silêncio. Lá fora, tempo.



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