O próximo vírus

Esta é a primeira crónica onde aborda a atualidade que está a afetar todo o mundo.

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Tempo de Leitura: 2 minutos

Jared Diamond é autor entre outros livros de Armas, gérmens e aço e Nathan Wolfe é virologista e fundador de Metabiota.

Costumam encimar as suas acções, conferências, debates e demais intervenções com esta epígrafe ou título, precisamente porque temem que venham pandemias ainda mais devastadoras, nos termos adiante enunciados.

Estas têm hoje uma disseminação maior que na Idade Média e, quando se esperava que surgisse o ébola, apareceu isto.

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O primeiro facto a reter é que nenhum ser humano é portador genético de veneno.

É apenas receptor do que para ele fazem saltar outros animais com as chamadas zoonoses e nem todos: não gambas ou peixes, mas sim os carnívoros ou mamíferos mais próximos de nós, como se fossem nossos parentes.

O micróbio evolui para se adaptar ao entorno químico interno do portador por transmissão a semelhante.

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A origem está localizada: os mercados de animais selvagens da China.

Os caçadores vão para os bosques, capturam várias espécies e levam esses animais para lá para compra e venda, mortos ou vivos e para alimento ou outros fins.

Esses bichos incubam o vírus transmissível por exemplo por morcegos e a série inicia-se pelo contacto do maior número possível de originais com seres humanos.

Quem compra é logo contagiável e a gente nem calcula a dimensão e a extensão faraónicas de imundície e promiscuidade desses imensos territórios insalubres.

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A China rivaliza com a também asiática Rússia pelo ceptro de maior país do mundo.

Para a percorrer, basta imaginar uma viagem de ida e volta de Lisboa a Moscovo e se calhar não chega.

Só que a China tem para aí 10 vezes a população da Rússia, pode imobilizar a população inteira se for necessário e é um planeta altamente poluído com automóveis, aviões e comboios de altíssima velocidade.

Durante anos, o que a China nunca fechou foram esses mercados e de que os profissionais de saúde do mundo sempre souberam, optando porém pelo silêncio, por cuidado de cativar os chineses ou medo de lhes desagradar ou ambas as coisas à vez.

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Este vírus tem relação com todas as epidemias zoonóticas anteriores e apareceu pela primeira vez em Wuhan em Dezembro último, quando andávamos todos entretidos com o Natal e crê-se que os chineses resolveram logo a questão, encerrando aqueles mercados.

O problema é que se limitaram aos animais mortos e não proibiram os vivos para uso numa medicina de fortíssimo cunho ancestral e atávico de que os chineses tradicionalmente nunca abdicaram.

Aproveitam por exemplo as escamas do pangolim, pequeno mamífero que se alimenta de formigas e que se pensa que combatem as enfermidades venéreas, as febres e as infecções da pele.

Ora, a um micróbio que aí habite é indiferente que o animal se destine a comida ou à medicina.

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Aqueles conceituados autores dão um sugestivo exemplo de comparação.

Imagine-se que em França se concluía que o queijo ou o vinho tinto eram fonte de epidemia.

A iluminada civilização ocidental imporia de imediato e sem hesitação que se acabasse com tudo.

Só que isso não acontece com os chineses, para quem aqueles animais vivos fazem parte relevantíssima da sua cultura.

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Enquanto não se puser cobro a isso, temos de esperar pelo vírus que virá a seguir a este e muito pior.

Num mundo cada vez mais ligado, pode afectar centenas de milhões de pessoas e fazer mergulhar a terra em décadas de depressão sem precedentes.

Há remédio para evitar isso e só há que promovê-lo definitivamente.

Mas há mais de 200 anos já Napoleão Bonaparte nos advertia de que esperássemos o despertar da China para vermos aquilo de que ela é capaz.

Esta esteve subjugada pelos japoneses até ao fim da Segunda Grande Guerra c depois nunca mais parou até hoje.

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Os EUA, que têm toda a razão em falar do virus chino, não foram atingidos e auxiliaram-nos aí por 1917, depois foram atacados em Pearl Harbor e voltaram a ajudar-nos desde 1942 e agora também molestados não deixarão decerto de nos valer de novo nesta 3º Guerra Mundial, a da nossa geração.

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Só que a nossa vitalidade é de esperança permanente e vale a pena recordar as palavras sábias do poeta transmontano A. M. Pires Cabral.

Quem inventou a facilidade de procriação, a primavera como esta e o sarampo, vai continuar a ser generoso e o futuro não caducou nesta segunda 4ª-feira de cinzas.

Enfim, ninguém vai ter uma certidão de óbito como a de Malcolm Lowry morte por infelicidade.

Haja Deus !

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