Opinião

O pombal dos valentões cria buço nas valentonas

Uma crónica de Vera Esperança

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O voo das aves tem um significado, o sacrifício dos animais também e por isso ainda hoje há religiões com formas especiais de abate de animais porque os consideram propiciatórios, isto é, porque esperam dádivas do além. Os animais sempre surpreenderam os seres humanos e não raras vezes são por estes invejados. Já sei, já sei – gostava de voar, não era? Tem bom remédio – pague por uma experiência de asa-delta ou se é mais comodista viaje de avião.  Não, não aconselho a que construa as suas próprias asas – experiências passadas revelam resultados devastadores. Vá lá, concentre-se no que estou a escrever. O quê? Correr como uma chita? Está bem, está bem, pronto…. compre uns patins ou pratique automobilismo. Agradeço que fiquemos por aqui. Vou continuar! Mau! Quer ser um lagostim? Ouça, faça o que entender! Não estou aqui para realizar sonhos!

Estava eu a tentar escrever sobre práticas NÃO desportivas, nomeadamente o tiro ao pombo, essa prática tão saudável para quem a pratica e tão mortal para quem é obrigado a servir de alvo. O que vale é que praticar tiro ao pombo reflete-se muito positivamente no desenvolvimento muscular, na melhoria cardíaca e respiratória do atirador… esse “atleta” incontestado capaz dos feitos mais surpreendentes. Não sei como ainda não houve por aí uma petição a circular para se elevar esta prática a desporto de alta competição.

 O que tem para dizer? Silêncio… está amuado? Bem, então digo eu – esta prática que de desportiva nada tem, viola o artigo 1.º da Lei 92/95, esse ícone de legal hipocrisia, mas que ainda vai servindo para alguma coisa. Desamarre a burra e pegue numa balança. Vamos pesar os argumentos:

1 – Esta prática deve ser considera como desporto, porque é uma exceção à regra. Pergunto onde é que esta regra se encontra excecionada? Infelizmente, as touradas estão excecionadas (cambada de hipócritas), mas o tiro ao pombo não está;

2 – Se o legislador permite as largadas das aves, também permite o tiro aos pombos. Pois é, mas as largadas (outra prática infeliz), constituem parte de treino para os caçadores, que em nada de relacionam com o indesejável e cruel tiro aos pombos;

3 – A caça é permitida. Credo – mas isto é alguma caça? O legislador já mostrou que tiro aos pombos não é caça. Estes animais não se encontram em estado de liberdade natural. Estão engaiolados à espera de serem abatidos;

4 – Existe um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 31/01/2002 que defende que no tiro ao pombo a morte dos animais é rápida e indolor. Ai é? Mas nem todos os pombos são alvos bons, ou seja, muitos não têm uma morte imediata e por isso ficam em atroz sofrimento. Além disso, porque raio um ser senciente deve ser abatido para deleite de um atirador?

5 – Contexto histórico da interpretação do legislador, pois se o legislador não previu expressamente esta ilicitude, então é porque a atividade é licita. Mas que raio de argumento idiota vem a ser este? É preciso proibição expressa? E que contexto histórico é este? Agora o tiro ao pombo também é uma tradição portuguesa… Se querem praticar tiro ao alvo utilizem objetos – substituam os pombos por pratos. É preciso saber distinguir tradição de hábito e o que é um hábito bom e um hábito mau.

6 – Os pombos que entram nesta competição são o refugo, são todos aqueles que não servem para mais nada. Não, agora fiquei chocada!

7 – O tiro aos pombos tem estatuto de atividade desportiva, porque é organizado pela confederação portuguesa. Em fevereiro de 2003, o tribunal judicial da comarca de Guimarães deu provimento a uma providência cautelar que visava a suspensão desta prática no Clube Industrial de Pevidém. Ainda assim, a determinação do tribunal foi desrespeitada. Foram mortos e mutilados a tiro 5.000 pombos durante dois dias. Preferiram pagar uma multa de 20.000€. 

8 – Arrancar as penas da cauda não causa sofrimento cruel, nem prolongado. Percebeu? Para que estas aves voem desordenadamente, são-lhe arrancadas penas. Cortam as pontas dos cornos aos touros e arrancam penas aos pombos… o que dizer?

Sabia que os seus impostos pagam esta prática ilegal? Vamos então todos deitar as mãos à cabeça e abana-la fortemente. Abane só mais um pouco. Perfeito!

Muitas das representações dos animais nas cavernas revelavam que os caçadores eram homens frustrados e que tinham medo dos animais que caçavam. E de facto nada mudou. O que temos é uma cambada de frustrados que acreditam que conseguem fazer crescer o seu órgão genital masculino ao sentirem-se uns valentes! Ei, valentões!!!! Quanto às valentonas, não sei o que lhes cresce… (talvez o buço!!) Peguem nas armas e matem animais indefesos. É um orgulho atuar sob um lema destes.

Lembra-se da coisa mais linda?

E não é que é mesmo linda? Oh, pá, que fofura, não é?

Voltarei, porque, afinal, “somos todos iguais”.

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