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Opinião

O Eu e a Sociedade

Uma crónica de Jorge Loureiro.

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Como bem dizia Émile Durkheim, “as sociedades não são meramente a soma de indivíduos, mas um sistema formado pela associação entre indivíduos. Dessa forma, há uma organização, com instituições formais e informais, uma estrutura social que pode ser hierárquica ou não, e papéis sociais designados aos seus componentes”

Já para Max Weber, “a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. Estas são todo tipo de ação que o indivíduo faz, orientando-se pela ação de outros. Só existe ação social, quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo de comunicação, a partir de suas ações com os demais”.

Desde logo, reside aqui uma diferença gigantesca no âmbito das teorias sociológicas relativamente á definição do conceito de sociedade. Por um lado, temos uma visão estrutural em que naturalmente o indivíduo se adapta a uma estrutura pré-concebida, com normas pré-estabelecidas e previamente determinadas. Por outro lado, a visão de que a sociedade se constitui através da ação dos indivíduos com outros indivíduos, interagindo socialmente.

Embora salvaguardando sempre os melhores termos e os corretos conceitos para os especialistas da sociologia, há uma coisa que temos por certo:  Atualmente o conceito de sociedade é híbrido! Ou, se quisermos, difuso e assimétrico.

A título de exemplo, alguém que vê um jogo de futebol num estádio onde estão presentes milhares de espetadores, a ação manifestada por cada um deles, é sempre o resultado da ação do outro. Quer isto dizer que, aquando um golo, a celebração em massa provoca uma reação espontânea e direta nos restantes. Em bom rigor, uma ação por simpatia. Ao contrário, e no mesmo exemplo, alguém que individualmente tenha uma ação diferente do conjunto maioritário de indivíduos, reflexamente, despertar-lhes-á também uma forma de reação. Transposto para a Sociedade o exemplo que ora se referiu, fácil será de concluir com alguma facilidade que se retira do quotidiano um processo análogo.

As normas sociais instituídas pela própria sociedade não se encontram materializadas em monografias. A sociedade interage como um todo no indivíduo provocando-lhe restrições e reações que o vão formatar no sentido de aderir ao grupo que o integra. A socialização, é um processo que garante ao novo sujeito social aprender a orientar-se no mundo de significados que o rodeia e que exercerá grande influência sobre seu comportamento.

Ele entrará em contato com um variado número de contextos e grupos sociais que lhe apresentarão diversas visões do mundo social. Seremos nós um resultado da sociedade ou, inversamente, seremos nós os criadores da sociedade? A resposta não está nem numa nem noutra, mas nas duas em conjunto. A sociedade é um conjunto de indivíduos que partilham uma cultura, regras instituídas e tradições que interagem entre si. Mas vejamos, que relação poderá existir entre sociedade/indivíduo e liberdade? Em princípio uma relação recíproca de interdependência, na medida em que a alteração de uma, implica a mudança de qualquer uma das outras.

Para Stuart Mill “o homem é o ser mais elevado na terra e deveria dirigir a sua vida de maneira digna da sua posição. O seu destino consiste em aperfeiçoar-se, tornar-se mais elevado, o melhor”. A liberdade é um direito fundamental e a sua intervenção legitima reside na liberdade pessoal


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