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Opinião

O edil de Alcochete culpa as pessoas… mas estará ele a fazer a sua parte?

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Numa altura em que o concelho de Alcochete passou a ser o território com o pior índice infecioso de COVID 19 na Península de Setúbal e dos mais gravosos da AM Lisboa e do país, tendo nas últimas semanas passado de risco moderado para concelho de risco extremamente elevado, e quando se esperaria que as autoridades responsáveis, todas elas, assumissem seriamente a gravidade da situação e se mobilizassem para assumir um conjunto de medidas adequadas, urgentes e de emergência para fazer face ao descontrolo da pandemia na nossa terra, o que assistimos é, mais uma vez, a uma inqualificável incúria, para além dum histérico apontar de dedo, por parte do atual presidente da Câmara e dos seus apaniguados, contra os munícipes, afirmando não ter qualquer competência ou responsabilidade na matéria e que a culpa é apenas individual e dos cidadãos.

Há uns meses, quando Alcochete estava entre os concelhos menos infetados, aqui del’rei que estavam a desenvolver todas as medidas e um trabalho irrepreensível e que vivíamos num paraíso…chegando mesmo a pavonear-se com a decisão de encerramento do Passeio do Tejo ao público, como a medida das medidas.

Agora que a situação se agravou enormemente já nada é com ele ou com o executivo camarário a que preside, tudo é apenas responsabilidade e culpa dos comportamentos individuais e tudo cabe apenas às forças policiais, autoridade de saúde e à ASAE fiscalizar. A Câmara Municipal, apesar de presidir à Proteção Civil local, coloca-se fora de jogo, não serve para nada, multiplicando-se tão somente em apelos gritados, post’s e vídeos editados…rejeitando liminar e irresponsavelmente, na última reunião de Câmara, uma cerca sanitária mesmo que tal se mostre absolutamente necessário.

Na verdade, todos sabemos que o fenómeno infecioso é de origem complexa e que a propagação e o seu controlo não são concretamente imputáveis a esta ou aquela entidade ou pessoa, coletiva ou individualmente considerada. Todos temos que fazer a nossa parte.

É tão ilegítimo e hipócrita tentar-se a apropriação de quaisquer louros neste domínio, como é uma autêntica velhacaria fazer de conta que nada é connosco e que tudo é culpa dos outros.

Agora, numa altura em que o atual edil de Alcochete se atira desabridamente contra as pessoas, as quais acusa de irresponsabilidade individual, a questão que se coloca é a de saber se a Câmara Municipal de Alcochete está a fazer a sua parte e o que verdadeiramente lhe compete para que possamos superar esta terrível situação.

Se, por exemplo, está a Câmara Municipal a assegurar a fiscalização dos estabelecimentos comerciais, dos da restauração e das grandes superfícies, no que concerne à sua lotação e ocupação das esplanadas e doutros espaços exteriores?

Se está a ter capacidade de diálogo e de articulação com as demais autoridades com intervenção no território no sentido das melhores medidas e soluções.

Se está mesmo a cumprir e a fazer cumprir as regras atinentes aos funerais?

E principalmente se está a fazer o que deveria fazer no que tange ao funcionamento das escolas sob a sua alçada?

Na verdade, no momento em que por todo o mundo, principalmente na Europa, mas também em Portugal, se equaciona a suspensão das aulas, atendendo ao agravamento da pandemia e à fragilização imunológica trazida pelo inverno, em Alcochete o desnorte e a incompetência na gestão das instalações escolares é total.

Com as cumplicidades pessoais e partidárias dos principais responsáveis do Agrupamento Escolar e da direção das respetivas Associações de Pais a caucionarem a situação calamitosa que se vive presentemente na maioria das escolas do 1.o ciclo do concelho.

As crianças em idade escolar do concelho de Alcochete estão quase todas expostas ao imenso frio que se faz sentir, com os aquecedores avariados e/ou com as instalações elétricas provisórias e sem capacidade para suportar o funcionamento dos equipamentos, mesmo em edifícios que mereceram recentes intervenções de beneficiação, como são os casos do Valbom e de S. Francisco.

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Como o estão também os alunos das escolas do Monte Novo e do Samouco, obrigados a mudarem-se agora, a meio do ano letivo, para acanhados contentores onde se têm que amontoar em salas de aula de portas encostadas e janelas abertas. Onde esperam e desesperam para poderem almoçar em refeitórios exíguos, em mesas lotadas sem o mínimo de distanciamento físico. Onde as atividades de apoio à família têm lugar nos mesmos contentores em horário sequencial sem garantia da desinfeção prévia.

Neste quadro e em síntese, fará algum sentido que a Câmara Municipal queira realizar agora obras nas escolas do Monte Novo em Alcochete e na escola do Samouco, obrigando as crianças, a meio do ano letivo e no meio duma pandemia, sem parecer prévio da Delegada de Saúde, a uma prejudicial deslocação, principalmente em Alcochete em que as crianças são forçadas a um caminho de 2 Km até ao Pão Saloio? Em pleno inverno e colocando as crianças em contentores, aumentando o risco de contágio?

Tudo isto quando já se sabe que na escola do Samouco a mudança de empreiteiro e o atraso na obtenção do visto do Tribunal de Contas e doutras formalidades contratuais e financeiras, vão levar a que as obras não comecem antes de Março/Abril.

Não faria sentido adiar as obras e a mudança de escola no Monte Novo apenas para depois da conclusão do ano letivo, com as obras a fazerem-se no verão?

E no Samouco, porque não atende o atual executivo camarário de maioria PS/CDS (com a conivência do vereador eleito pelo PSD) às preocupações e propostas apresentadas por escrito por um conjunto significativo de pais e declinam de forma arrogante e falaciosa o adiamento das obras? Alegando falsamente que não o poderiam fazer porque assim o planearam e porque a obra é cofinanciada por fundos comunitárias.

Quando, ao invés dos alunos, que acabam de ser empurrados no início deste 2.o período escolar para os contentores, as obras estão empancadas e não começarão antes de Março/Abril próximos. Quando se sabe que a reprogramação das candidaturas comunitárias ocorre naturalmente por todo o país e até já acontece em Alcochete com as obras de St.a Engrácia do Miradouro Amália Rodrigues

Tal como no Monte Novo, também no Samouco a mudança para a escola provisória em contentores apenas deveria ocorrer em Setembro, numa fase já́ avançada da vacinação.

Nada justifica correrem-se mais estes riscos extremamente elevados.

́Ou será que o foguetório inaugurativo em ano de novas eleições autárquicas fala mais alto do

que a segurança das nossas crianças e das nossas famílias?

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