No rescaldo das eleições

Esta semana, um artigo de opinião de Samuel Marques.

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Olá caríssimos(as) leitores(as) cá estou eu de volta após as eleições que correram mais ou menos como se esperava com a mais que óbvia vitória do Partido Socialista. Algo que era mais que esperado.

Mas vamos lá mas é escalpelizar isto afinal não estou a escrever para politólogos mas para os cidadãos como eu que gostam de discutir política mas sem conversa redonda. Afinal muitos de vocês têm nas vossas vidas pouco tempo para ler. A vida passa a correr eu sei. Passa tão depressa que quando finalmente me sento a escrever este humilde artigo para vocês já fui ultrapassado pelos acontecimentos.

Comecemos pela abstenção que foi na verdade o partido vencedor. Não por falta de escolha aqui no distrito de Setúbal havia 20 escolhas possíveis à primeira vista não havia motivo para ninguém se abster de votar. Mas a abstenção aconteceu. Numa mesa de voto onde estive em cerca de 950 votantes inscritos votaram cerca de 525 pessoas. A nível nacional abstivera-se 44,1% bem longe da taxa de abstenção de 1975 ano em que nasci, com uns 8,34% algo quase mítico.

Mas a abstenção tem razões:

A 1ª é que como a vitória do PS à partida estava garantida;
2ª o tempo estava bom para passeios compras e outras coisas.
Mas pior que isto foi numa época de informação acessível através da internet em 20 partidos tivemos alguns que só concorreram no boletim pois nem souberam publicitar e apresentar um programa eleitoral. Eu como administrador de um grupo de FACEBOOK ligado á margem sul “MARGEM SUL LIVRE DE CENSURA”. Tive o cuidado de fazer o trabalho de esclarecimento eleitoral aos membros do grupo. Através da publicação dos programas eleitorais. Acontece que mesmo com telefonemas para alguns nem assim foi possível obter alguns. Deve ser por estarmos a lidar com partidos fantasma. Na categoria de partidos fantasma ficaram o PDR (partido democrático republicano) de Marinho Pinto; O MAS (movimento alternativa Socialista); O PTP (partido trabalhista português); MPT (movimento partido da terra) e o PPM (partido popular monárquico). Meus senhores se querem votos têm que propor algo sério e não meia dúzia de frases soltas. SE É PARA ANDAREM A BRINCAR ÀS ELEIÇÕES NÃO OBRIGADO!!!

Fechem a porta; encerrem a atividade desapareçam no fundo apenas andam à procura de subvenção estatal. O povo já sustenta pançudos suficientes.

Com relação aos outros pequenos partidos políticos não vale a pena falar muito não obtiveram votos para eleger mas comportaram-se com seriedade.

O PS (Partido Socialista) ganhou era esperado. Tendo cavalgado a boa conjuntura económica e a “morfina” financeira e cambial dada pelo BCE outro resultado era difícil. O desemprego baixou mas não por mérito do PS ou do governo. E como eu tinha dito o PS iria atirar os sócios da geringonça pela borda-a-fora. Digam o que disserem pintem a coisa com as cores que quiserem. A verdade é esta António Costa descartou-se dos amigos. O PCP foi agiu de forma a antecipar-se. Mas o PCP já cá anda à muito tempo. Apenas não conseguiu a tão almejada maioria absoluta. Fincando dependente do BE; PCP; PAN e dos novos em São Bento mas lá chegaremos.

O PSD (Partido Social Democrata) ainda a lamber as feridas de há 4 anos. Com Rui Rio que andou 2,5 anos a fazer fretes a António Costa e só decidiu fazer oposição na campanha eleitoral.

É caso para dizer: Tarde pias-te. Ou seja só na reta final acordou para a vida. Agora vem por aí a já famosa noite de facas longas. A verdade é que Rui Rio decidiu fazer inimigos dentro do próprio partido. E agora vai ter que pagar a factura.

O BE (Bloco de Esquerda) o partido político que ficou em terceiro lugar. Está a perder implantação. Depois de se ter evaporado da região autónoma da Madeira nas eleições regionais. Levou com uma perda de votos na ordem de quase 60 000 votos. Durante a campanha e antes já estava a acenar com exigências de querer ficar com ministérios. Os resultados eleitorais tiraram-lhes o tapete! Se por um lado o PS aumentou a votação passando a depender menos do BE, se por outro lado o PCP fez a jogada de mestre colocou-se de fora. A juntar a isto o caso Robles e o caso Mamadu Bá. Que por razões óbvias fizeram cair a máscara dos meninos mimados que nunca trabalharam que não têm preocupações sociais nenhumas. Apenas usam os direitos das minorias como arma de arremesso. Se desaparecessem da Assembleia da República a democracia não ficaria mais pobre. Aliás só tinha a ganhar.

Ainda tentou mendigar um acordo para a legislatura mas António Costa que sabe o que é que vem a a caminho recusou continuar o casamento. Catarina Martins teve que engolir esta pastilha. Restou à Catarina acusar Costa de ter morto a geringonça. Tadinha…

O PCP (Partido Comunista Português). O partido comunista português partiu para estas eleições desgastado. Por um lado ficou agarrado à geringonça para o bem e para o mal. Por outro as eleições europeias e regionais não tiveram grandes resultados. Tendo até perdido  mandatos no parlamento europeu. Algo que fez tocar os alarmes na Soeiro Pereira Gomes e que eu já tinha abordado no meu artigo neste jornal “ENTRE DUAS GUERRAS”. Poderíamos falar também do Partido ecologista OS VERDES mas como concorreram coligados com o PCP os resultados não são dissociáveis.

O CDS (Centro Democrático Social) Foi o juntamente com o PCP um perdedor claro da noite. Assunção Cristas cometeu o erro de extrapolar os resultados das autarquicas em Lisboa e pensou que isso bastava para dar um bom resultado. Afinal revelou-se curto. Nunca cortou com o passado os tempos da PAF e da troika. Assumiu essa herança com um certo orgulho. Não definiu um projecto ganhador tendo apostado apenas no desgaste de António Costa. Acabou reduzida a ⅓ dos deputados. Demitiu-se da direcção do partido reconhecendo a derrota e sem esperar que a empurrassem para fora do palco. Sai com dignidade dando espaço a uma nova liderança.

O PAN (Partido Pessoas Animais e Natureza) foi um dos vencedores claros da noite. Conseguiu passar estes quatro anos com um deputado. E não fosse o caso da associação IRA ligada à defesa dos animais teriam passado pelos pingos da chuva sem qualquer registo de maior. Nestas eleições passa de 1 para 4 deputados. Isto diz que a sociedade portuguesa está a mudar.

O CHEGA (não precisa de tradução) Chegou a São Bento como contra-ponto ao bloco de esquerda. E às ideias da esquerda radical. Que quer tudo mas não quer saber onde vai buscar o dinheiro. Vamos ver o que vai fazer durante estes quatro anos. Espera-se que ao menos seja um bom tribuno. O tempo o dirá. Irá fazer oposição a António Costa e isto poderá dar bons momentos de debate.

O INICIATIVA LIBERAL. De pendor de direita e pela primeira vez assumidamente liberal na área económica procura ganhar espaço junto dos empresários; quadros intermédios e dos quadros superiores. Vai fazer oposição a António Costa.

O LIVRE conseguiu eleger uma deputada pelo circulo eleitoral de Lisboa. Um partido criado pelos dissidentes do BE. A deputada Joacine ainda não tomou posse e já está envolvida em polémica. Primeiro juntamente com os meninos do BE esteve nas manifestações nada pacificas do Rossio. Depois a forma como coloca o discurso com base do: “nós contra eles”.

Agora a juntar a isto corre contra ela uma petição pública, que a esta hora já conta com mais de 19 500 assinaturas, a pedir que a sua tomada de posse seja impedida.

Estes são os resultados com que o Parlamento vai ter que lidar. Conseguiu-se que a esquerda não tivesse os ¾ do parlamento. Conseguiu-se que o PS não tivesse a maioria absoluta. Conseguiu-se que a direita não ganha-se. Preparem-se para Costa a governar em pisca-pisca. Acho que vou ter matéria para escrever bons artigos.

Despeço-me até ao próximo artigo:

Samuel Marques

P.S: Artigo escrito segundo a antiga grafia. Contra o acordo ortográfico.

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