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Médico brasileiro descreve tsunami por covid-19 em Portugal

Médico brasileiro diz viver momentos de um autêntico cenário de guerra.

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Numa entrevista que deu à BBC News, Marcelo Matos, médico brasileiro a trabalhar em Portugal “pintou” um cenário gigantesco do estado nas urgências das unidades hospitalares nacionais.

Marcelo Matos adianta que “Eu vivi todas as ondas do novo coronavírus em Portugal. A primeira que arrancou em março do ano passado, uma experiência que tomamos em conta pelos exemplos que se vivia no resto da Europa. Tão bem preparados que estávamos, não houve a sobrecarga que era esperada“, prosseguindo “A segunda vaga que decorreu entre os meses de outubro e novembro, foi mais puxada, mas nada como esta terceira vaga que foi e é um tsunami“, diz o médico.

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Afirma este profissional de saúde que Portugal é um barril de pólvora, um país de idosos e de fumadores, já para não falar no cenário gigantesco de caos que existem nos hospitais atualmente, pois durante o pico das infeções, janeiro de 2021, aos hospitais chegam doentes em que em quatro utentes urgentes, três são de covid-19.

Na primeira onda, era o contrário, quase ninguém ia para o Covidário (nome que se dá ao espaço reservado para casos suspeitos da doença nos hospitais). O profissional de saúde diz que presenciou situações dantescas: “Quando entrava aqui às duas da manhã para entrar ao serviço, encontrava 60 pessoas à espera de serem atendidas, em dias normais a espera é de cinco a seis“, afirma.

Marcelo Matos explicou que nos hospitais portugueses utilizam o Protocolo de Manchester, com o método de pulseiras (amarela – urgente; laranja – muito urgente e as vermelhas – emergência), sendo que as pulseiras verdes e azuis são para casos menos graves, dependendo da triagem que é feita aos doentes. “Tivemos aqui momentos que entravamos e o desespero estava instalado, porque só tínhamos doentes com pulseira laranja, encontrávamos doentes com 6 e 7 horas de espera“, para o médico, muitos desses casos deu o colapso no sistema, não conseguindo atender as outras pulseiras amarelas.

Eram pacientes graves, com baixa oxigenação no sangue. A sua maioria idosos, e com muitas doenças associadas. Portugal é um barril de pólvora para a covid-19, estamos num país de idosos e fumadores“.

O médico que está em Portugal há três anos e que exerce num dos hospitais nacionais, diz nunca ter pensado numa situação daquelas que tem vivido ao longo da sua carreira, algo só ter visto no Brasil: “Num dos piores dias que tive, revivi momentos que passei no Brasil, não tínhamos mais rampa de oxigénio para usar, eram idosos espalhados pelos corredores em macas, mas conseguíamos andar nos acessos e dentro das urgências. Um autêntico cenário de guerra“, afirma Marcelo.

Este médico tem trabalhado cerca de 70 horas por semana e como ele existem mais relatos de médicos portugueses e estrangeiros que dão tudo de si para que o flagelo da Covid-19 possa terminar, mas os hospitais estão em ruptura e aguardam melhores dias.

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