Hospital do Seixal, quantos mais precisam de morrer?

Esta semana um artigo de opinião de Bruno Fialho

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Tempo de Leitura: 2 minutos

No momento que vivemos, em que combatemos uma pandemia mundial e existem fundos europeus para que o Dr. António Costa continue a ter todos os 12 motoristas ao seu dispor e, com certeza, até poder mudar a frota automóvel dos membros do governo, pergunto como é que não consegue igualar o “suborno” de 15 milhões de euros que deu a alguns órgãos de comunicação social e mandar iniciar a construção de um Hospital no Seixal?

Relembro que, foi no Seixal que os irmãos Vasco e Paulo da Gama construíram as embarcações para a viagem até à Índia. Acredito que a sua construção tenha sido célere e sem grandes desvios orçamentais.

Em menos de um ano, Vasco da Gama conseguiu descobrir o caminho marítimo para a Índia, estávamos em 1498.

Cinco séculos depois de Vasco da Gama ter conseguido um feito que muitos diziam ser impossível, o Hospital do Seixal ainda não conseguiu sair do papel e quando finalmente sair, acredito que não serão cumpridos os prazos de construção e irão existir, certamente, derrapagens orçamentais inaceitáveis.

Não é há cinco séculos, mas já se passaram 20 anos desde que a população de um dos 8 maiores concelhos de Portugal aguarda pacientemente por um governo que efectivamente se interesse pelas pessoas e construa um Hospital no concelho do Seixal.

Se um dos 8 maiores concelhos de Portugal não tem direito a um hospital, isso quer dizer que o nosso país está sem rumo e que jamais iremos conseguir encontrar um novo “caminho marítimo para a India”, que neste caso será para uma melhor saúde em Portugal.

E deixem de culpabilizar Salazar ou os governos anteriores, pois todos vocês (políticos profissionais), sejam os de direita ou de esquerda, têm feito parte deles, pelo que não admito desculpas de quem não consegue concretizar o que é melhor para as populações, talvez porque tem de pagar campanhas eleitorais e favores pessoais.

Recordo que em 1985 existiam 559 unidades hospitalares no país e neste momento temos apenas 230.

Esta é uma das razões para que a lista de espera nos hospitais aumente ano após ano.

Em sentido contrário, em 1985 existiam 79 médicos por 100 mil habitantes e hoje em dia temos 539 médicos, quase sete vezes mais, para o mesmo número de habitantes.

Isto faz sentido? Evidentemente que não! Se não dão meios aos profissionais de saúde para trabalhar, não iremos conseguir acabar ou diminuir as listas de espera.

Assim, nos últimos 15 anos, os sucessivos governos, em vez de construírem Hospitais, preferiram erguer estádios, sendo que alguns já tiveram de ser encerrados ou, como o actual executivo, preferem construir um “apeadeiro” no Montijo, que, como todos sabem, não cumpre com as normas de segurança e que só favorece os “amigos” da empresa francesa Vinci.

A falta de hospitais é uma das razões pelas quais o Governo decidiu encerrar o país, destruir a economia e incutir o medo do coronavírus, pois se não tivessem estragado o SNS, poderíamos ter optado por outro meio de combate à pandemia.

Construir o Hospital do Seixal é extremamente necessário e urgente, pois irá servir os 500 mil habitantes dos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, que actualmente apenas dispõem do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Hoje, mais do que nunca, até para nos salvaguardarmos de outras epidemias e garantirmos que os fundos europeus são bem gastos, é imperativo que os Almadenses, Seixalenses e Sesimbrenses se manifestem e exijam a construção de um novo hospital.

O Hospital do Seixal tem de ser construído rapidamente e não serão as máscaras que o governo agora nos obriga a usar que irão impedir-me de gritar bem alto que não basta colocarem cartazes bonitos a dizer que o SNS é essencial ou de exigir à “geringonça” que cumpra a sua obrigação para com as populações.

Por último, na passada quinta-feira, a DGS veio confirmar os nossos maiores receios, que o número de óbitos por causas diferentes do covid-19 aumentaram em relação a 2019, em consequência da falta de assistência médica, exames por realizar e, principalmente, porque doentes oncológicos não tiveram o tratamento adequado ou houve cirurgias que não foram realizadas.

Por isso, pergunto, quantas mais pessoas precisam de morrer, para que, finalmente, se construa o Hospital do Seixal?

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