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EB Integrada da Quinta do Conde é a única escola com Acreditação INEM em SBV-DAE

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A Escola Básica Integrada Quinta do Conde está a desenvolver com os seus alunos do 9.º ano uma disciplina de Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa (SBV-DAE), integrada num projeto mais abrangente que contempla ser o primeiro e único Agrupamento de Escolas, a nível nacional, com «Acreditação INEM em SBV-DAE».

Luís Pacheco é o diretor do Agrupamento de Escolas da Quinta do Conde desde 2017, e também autor do livro infantil «Gesto Certo», com prefácio de Manuela Ramalho Eanes, que aborda, numa simples sensibilização, a temática do Suporte Básico de Vida, além de ser elemento na Cruz Vermelha Portuguesa, em regime de voluntariado. Associado ao livro existe também uma música – “O Poder e Saber dos Teus Gestos”, que funciona como uma espécie de hino. Este projeto integrou foi um dos projetos aceites para integrar o Congresso Europeu de Ressuscitação em Praga, no ano de 2015.

“Tenho alguma formação na área de emergência e dos primeiros socorros e tentei potenciar estes conhecimentos para criar um projeto inovador, nesta área, no AEQC” explicou ao Diário do Distrito.

“Há muitos anos que defendo que o Suporte Básico de Vida e a Desfibrilhação Automática Externa são temáticas que devem ser ministradas/abordadas nas escolas, e sendo diretor deste agrupamento desde 2017, achei que podia ir mais longe numa temática que já é obrigatória em termos de currículo nas escolas, mas para que a abordagem do tema SBV-DAE possa ser potenciado e mais desenvolvido, os agrupamentos precisam de estar mais preparados, que é o mesmo que dizer mais apoiados, quer em termos de recursos de informação e formação, e ainda, de materiais. Só assim os agrupamentos conseguem explorar mais e melhor o tema em questão.”

Luís Pacheco frisa a importância máxima deste tipo de conhecimentos no quotidiano. “Se tivermos em conta que a cada minuto que passa, após uma situação de paragem cardiorrespiratória sem que nenhuma ação para recuperação aconteça, as células cerebrais começam a morrer, compreendemos a urgência de atuar no imediato. Mesmo que o socorro diferenciado demore pouco tempo a chegar, por exemplo, dez minutos, se nada se fizer as probabilidades de reversão (de qualidade) são baixíssimas. Iniciar compressões torácicas, de imediato, mantendo a circulação sanguínea, é uma ação que pode fazer toda a diferença.”

Por isso continuo a defender a importância de passar estes conhecimentos aos mais jovens, adultos de amanhã, que um dia podem ter necessidade de reagir de forma mais rápida e correta, bem como o saber pedir a ajuda diferenciada.”

Defende ainda a necessidade de “estarem disponíveis mais desfibrilhadores em vários locais, uma vez que a maior parte das paragens cardíacas ocorrem por fibrilhação ventricular e no desenvolvimento do algoritmo convencionado para estas situações a utilização do desfrilhador é crucial.”

Com o manequim de treino em Suporte Básico de Vida

Disciplina com resultados ‘muito positivos’

Sobre a disciplina de SBV-DAE criada há dois anos para os alunos de 9.º ano, o diretor explica que a mesma “não está convencionada em nenhum programa do Ministério da Educação, mas que os agrupamentos possuem autonomia para poder criar disciplinas “personalizadas” ao seu Projeto Educativo. Sendo uma área que considera altamente importante ser abordada nas escolas, e há muito “falada”, mas pouco operacionalizada, passou do “sonho” à realidade”.

A disciplina decorre ao longo do ano letivo “e tem uma componente teórica e muito tempo de prática, o que implica possuir manequins e desfibrilhadores de treino, mas vai mais além do exercício das compressões e insuflações ou da utilização do desfibrilhador de treino.

Conta com formação mais abrangente, que permite aos alunos compreenderem a importância dos Primeiros Socorros e de determinadas ações mais específicas, como por exemplo, das compressões. Para tal, nada como perceber bem o normal funcionamento do coração contrapondo os temas das arritmias, como é o caso da fibrilhação ventricular. Mas também abordar outros temas como os comportamentos e hábitos para uma vida saudável, levantamento de situações no contexto familiar de situações de doença cardiovascular, e até o saber ligar para o 112 e passar a informação realmente importante.”

Além do orgulho “em termos a chancela do INEM para promover esta disciplina, há também a nossa preocupação de que os alunos que saem da nossa escola, adultos de amanhã, mais capacitados para intervirem numa situação de emergência médica , como uma paragem cardiorrespiratória, onde os minutos iniciais são cruciais para o salvamento da pessoa.

Muitas vezes quem assiste a uma situação de paragem cardiorrespiratória, limita-se a esperar pela ajuda de emergência, por desconhecimento, e isso pode fazer a diferença, tendo em conta que todos os minutos contam para garantir a oxigenação das células, que é interrompida quando o coração para de bombear.”

Segundo Luís Pacheco “o interesse dos alunos é elevadíssimo e notamos neles uma enorme motivação, e o sucesso revela-se nas pautas, onde demonstram o inequívoco interesse por esta área, com resultados que têm sido sempre bastante positivos, o que nos deixa muito orgulhosos, e corrobora a visão de que o saber-fazer é realmente diferenciador em termos de aquisição de conhecimentos e de motivação, sendo esta uma disciplina essencialmente prática”.

Manequim de treino na sala de enfermaria da Escola

Acreditação INEM

A acreditação por parte do INEM “respondeu ao cumprimento de vários procedimentos com essa entidade.

Fizemos uma proposta para podermos ser uma entidade acreditada INEM, com todos os protocolos inerentes e a delegação de competências, o que possibilita que os nossos alunos recebam a certificação por parte da escola, caso reúnam as devidas competências para se proporem a este tipo de certificação. A nossa bolsa de formadores, para além de outros técnicos reúne já alguns professores, sendo que o nosso objetivo é que possamos vir a ter mais professores nesta bolsa. Entre eles estou eu próprio.

Quando iniciámos o processo de acreditação, esteve na escola o responsável da área da formação do INEM que se mostrou surpreendido por propormos uma disciplina desta natureza dada a dificuldade que lhes é reportada para a operacionalização deste tipo de projeto nas escolas, tendo registado enorme satisfação por ser possível. Aliás, o tema SBV-DAE abordado em formato de disciplina anual, concretiza, à partida, um grande objetivo em termos números de horas de prática, que nenhum curso convencional consegue, uma vez que têm a duração de um dia. A sua operacionalização neste formato concretiza uma aposta ganha.”

O facto do AEQC ter acreditação INEM para o curso de SBV-DAE permite que possam dar também formação a particulares ou entidades externas “entre eles os nossos parceiros, mas ainda temos uma bolsa muito diminuta de formadores, que neste momento estão concentrados em dar resposta à escola, por isso ainda fazemos poucas formações externas”.

Apesar da paragem do ano letivo, em março, que fez com que no ano transato este, e outros projetos, tivessem sido de alguma forma interrompidos, o diretor garante que este ano tentar-se-á compensar essa desaceleração, iniciando nomeadamente, na reciclagem de conhecimentos e procedimentos.

“E queremos fazer ainda mais nesta área, o passado ano letivo não conseguimos evoluir como queríamos, devido à pandemia, mas estamos a tentar compensar e pontenciar o tempo este ano.”

No procedimento de implementação do projeto e na própria acreditação, Luís Pacheco agradece ainda à ‘Ocean Medical’ “que foi e continua a ser um parceiro essencial no nosso Programa de Desfibrilhação (PNDAE), e também no desenvolvimento deste projeto no Agrupamento, no qual está integrado o equipamento que temos aqui na escola, no âmbito do PNDAE, e que só pode ser utilizado por alguém com competência delegada por um médico”.

Reabertura ‘com normalidade’

Pouco tempo depois da reabertura de novo ano letivo, e perante toda a situação provocada pela pandemia de covid19, impunha-se fazer um breve balanço desta ‘nova realidade’.

“O arranque de um novo ano escolar nunca é fácil, e claro que este foi ainda mais complicado. Desde o dia 8 de agosto que não saio da escola, à semelhança de outros diretores de outros estabelecimentos, para que tudo pudesse estar organizado e arrancar com mais este ano letivo.

Foi necessário desenvolver um conjunto de ações e adaptações para criarmos o melhor modelo para receber os alunos, os professores, os assistentes, e toda a comunidade educativa, o que não foi fácil, tendo em conta que as escolas foram as primeiras a encerrar durante a pandemia e as últimas instituições a regressar à forma presencial.”

Apesar das dificuldades Luís Pacheco está satisfeito. “No nosso agrupamento tudo decorreu com muita normalidade, estamos a funcionar por turnos, com todas as valências e implementámos várias sinaléticas desde julho, idealizadas por nós e pintadas pelos recursos da escola, nomeadamente professores e funcionários. Há diferenciação nos acessos do exterior consoante os anos de escolaridade, substituímos o conceito de “intervalo” pelo conceito de “pausa”, que são vigiadas por professores e assistentes.”

O diretor explica ainda que “antes do início das aulas tivemos reuniões com os pais e alunos para delinear o que se iria fazer e também foi explicado o Plano de Contingência da Escola aos professores e funcionários.”

Após o início das aulas, decorrido mais ou menos, um mês, pais e alunos foram auscultados “através de um questionário anónimo, para saber o grau de satisfação com as medidas implementadas, e as respostas foram muito positivas, com os pais a concordarem com a maior parte das nossas decisões, e apontando alguns pontos a melhorar. É muito importante, e nossa prática este tipo de auscultação. Não conseguimos ser perfeitos, e a gestão deste contexto, não é tarefa fácil, mas queremos poder sempre fazer mais e melhor. Por isso, ouvir a opinião da comunidade é importante.”

Mas o resultado de tudo isto é fruto de um trabalho árduo de todos nós, direção, professores e assistentes que têm sido incansáveis, e que nunca me canso de AGRADECER. Quando estamos na escola, sente-se o espírito de missão que acompanha cada uma de nós, e que é o segredo de toda esta grande equipa que é o AEQC. Nem tudo está perfeito, bem sabemos, mas estamos cá para responder o mais célere possível, e alterar se for caso disso. Esta postura, transparência e compromisso com este nosso Projeto Educativo, tem-se traduzido numa enorme tranquilidade, dentro do possível, para todos.”

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