Setúbal

Dezenas de Setubalenses em protesto pelo Hospital de Setúbal 

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O Hospital de São Bernardo, em Setúbal, foi palco de uma manifestação para exigir melhores condições para o Centro Hospitalar em infra-estruturas, meios humanos e condições de trabalho para o corpo clínico. 

No local, em luta pelo Hospital de Setúbal, estavam autarcas, populares, médicos e diretores clínicos demissionários. 

O diretor clínico do Centro Hospitalar de Setúbal, Nuno Fachada, que apresentou a demissão do cargo, falou em representação dos médicos demissionários para passar “uma mensagem de tranquilidade” e que os “100 cargos de direção que se demitiram continuam a sua atividade, portanto não vai haver nenhuma paragem”. Reforçando que: “estou aqui para vocês e estamos aqui por vocês”.

André Martins, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, disse que é “necessário alterar a situação que se vive no Centro Hospitalar de Setúbal”, indicando que há duas questões que “são urgentes de resolver”, nomeadamente, “avançar com as obras que têm um projeto e que é necessário ampliar o Hospital de São Bernardo para que os trabalhadores possam desempenhar as suas funções com melhores condições de trabalho, para isso também poderem receber e servir os utentes deste hospital”. “Em segundo lugar, e como segunda exigência, cumprir quem de direito, os responsáveis, este Governo que lá está, que é uma reivindicação que já teve uma aprovação na Assembleia da República e que ainda não foi cumprida: o de passar  o nível do hospital do grupo C para o grupo D, porque com essa alteração muitas mudanças poderão ter lugar no Centro Hospitalar, designadamente, dos estudantes de medicina, os jovens médicos, quando chegarem ao fim da formação não se irem embora e deixarem este hospital numa situação quase de ruptura como chegou hoje”.

Paula Santos Barbosa, deputada à Assembleia da República Portuguesa pelo Partido Comunista Português, marcou presença no protesto porque “estamos solidários com a luta dos utentes, estamos solidários com as reivindicações que os profissionais de saúde têm vindo a colocar, é preciso investir no Serviço Nacional de Saúde, e é preciso investir no Centro Hospitalar de Setúbal. O que está a acontecer neste momento resulta do facto de sucessivos governos não investirem no Serviço Nacional de Saúde e não tomarem as medidas para fixar trabalhadores e para reforçar os serviços”, informou. 

“Nós consideramos que há três aspectos que são fundamentais: o financiamento, a contratação de trabalhadores de saúde e a sua valorização, no ponto de vista das carreiras e valorizações, e a questão das instalações, nomeadamente, a ampliação do Hospital de São Bernardo. Relativamente ao financiamento consideramos que é essencial o processo, a reclassificação do hospital. Este hospital não é financiado de forma adequada face ao nível de cuidados de saúde que presta. É um hospital que precisa que o seu financiamento seja ao nível de diferenciação e de complexidade que tem, de forma a que tenha em conta efectivamente essa sua realidade e que possa assegurar esses cuidados de saúde à sua população”, adiantou. 

“Por outro lado, é necessário proceder à contratação de profissionais de saúde: de médicos, de enfermeiros, de técnicos, de assistentes operacionais, são todos essenciais para reforçar a capacidade deste hospital. Mas é preciso também tomar medidas para fixar profissionais neste hospital e há questões que são transversais: valorização das carreiras e das remunerações. É preciso de facto, do ponto de vista dos trabalhadores da saúde, valorizar aquilo que tem sido o seu trabalho e garantir que no Serviço Nacional de Saúde têm condições de desenvolvimento profissional, mas que as suas carreiras são também valorizadas e dignificadas”, completou.

A deputada à Assembleia da República Portuguesa  pelo PCP relembrou também que foi por iniciativa do partido que “o Orçamento de Estado para 2021 contemplou uma verba para a ampliação do Hospital de São Bernardo, foi por esta iniciava que foi possível desbloquear este processo, agora é preciso que ele seja concretizado e seja uma realidade, e que avance rapidamente o procedimento com vista à construção do novo edifício e que para isso garanta também melhores condições de trabalho para os trabalhadores e que garanta também melhores condições para a prestação de cuidados à população. Quando falamos em garantir condições de trabalho, falamos também de modernizar equipamentos, garantir que no SNS as instalações, os equipamentos dão uma resposta adequada”, rematou. 

Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal de Palmela, também esteve presente “porque temos vindo a assistir a uma progressiva degradação da capacidade de resposta em que não obstante do empenho e da qualidade dos profissionais, a redução do seu número, a sua saída para outros setores e sobretudo a falta de requalificação do próprio hospital que precisa de ser ampliado e de ter outras valências, isto tem-nos desagradado e a população tem nestas alturas que se associar ao sinal de altera que os profissionais de saúde deram”.

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“Os problemas existem também nas extensões de saúde, sistematicamente fechados, com ausência de profissionais, esta questão da saúde está na altura do Governo assumir as suas responsabilidades, cumprir aquilo que se comprometeu também com outros partidos, no que diz respeito à reforço do SNS, à contratação de mais médicos e enfermeiros, e olhar para esta questão da gestão hospitalar de uma forma mais séria. Não basta vir no dia de apresentação do Orçamento de Estado dizer que há mais uns milhões, esses milhões têm de ser efetivamente utilizados de uma forma ágil”, concluiu. 

Exemplo da situação que se vive no Hospital de Setúbal, e também como grito de alerta, a utente Fernanda Rodrigues, ainda fragilidade depois de ter procurado ontem o Centro Hospitalar, marcou presença no protesto: “pela situação lamentável em que chegou, ainda ontem dirigi-me ao posto de saúde e não tinham possibilidade de me atender numa crise de asma, cheguei aqui ao hospital também não me atenderam e tive de me dirigir ao Hospital da Luz e pagar, pagar muito, e fiquei internada grande parte da noite a oxigénio. É lamentável que não tenhamos um hospital com condições para tratar os setubalenses e os concelhos limítrofes e o litoral alentejano.”

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