Opinião

Despedir por ZOOM ou os Liberais do séc. XXI

Uma crónica de Bruno Fialho.

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No passado dia 1 de dezembro, Vishal Garg, diretor-executivo da empresa norte-americana “Better.com”, despediu por Zoom 900 funcionários.

As razões apresentadas para a demissão destes trabalhadores foram: o mercado, a eficiência, o desempenho e a produtividade.

Acontece que, a Better.com tinha recebido recentemente um reinvestimento financeiro, avaliado em cerca de 750 milhões de dólares (aproximadamente 667 milhões de euros), da Softbank, uma empresa japonesa, mas decidiram despedir 15% dos trabalhadores para dar mais prémios aos gestores e accionistas.

Para aqueles que, desde 2016, começaram a julgar que deviam ser Liberais, tudo por causa de uns anúncios muito engraçados, criados por um determinado partido político, que não anunciava e nem anuncia verdadeiramente ao que vem, observem neste despedimento por Zoom o que é ser um Liberal nos dias de hoje.

O ser Liberal que alguns novos partidos defendem é poder despedir alguém apenas porque não gosta da côr dos seus olhos ou porque nesse dia acordou chateado com a vida, portanto, pergunto, é isto que querem para a nossa sociedade ou vão admitir que, como crianças no Natal, foram enganados pela magia da publicidade de certos outdoors e palavras giras que escondem as reais intenções de um Liberal do século XXI?

É que o Liberalismo tem várias facetas, umas muito boas e outras dantescas, mas é à pior delas que querem convencer os portugueses a aderir, repito, sem terem a coragem de dizer ao que vêm.

Já diz o ditado popular: “com papas e bolos se enganam os tolos”.

Mas, desde 2016 já podemos dizer: “com outdoors e redes sociais se enganam os boçais“

Se acredita que os despedimentos sem justa causa devem ser liberalizados e aceites como algo normal, então seja Liberal do século XXI.

Os que se intitulam de Liberais escondem-se atrás da promessa de dar liberdade, melhor economia e afins a todos, mas esquecem-se de dizer que o liberalismo apenas funciona se a sociedade e a classe política e o poder judicial não estiver corrompido, como acontece em Portugal.

Dito isto, lembram-se de um Primeiro-ministro, que em 2002, afirmou que a liberalização dos combustíveis iria fazer baixar os preços, porque “a concorrência normalmente funciona a favor do consumidor”?

É nisto que os novos Liberais querem que você acredite, ou seja, em palavras bonitas e promessas vãs que nunca se chegam a concretizar, tal como a da descida dos combustíveis.

É por isso que defendo que o problema das empresas não está no Código do Trabalho ou se estas têm, ou não, dificuldade em despedir trabalhadores, o verdadeiro problema reside nos baixos salários, nos elevados impostos, nas cunhas e nos prémios astronómicos atribuídos aos maus gestores, mesmo quando as empresas não apresentam resultados positivos.

Esclareço que concordo que as empresas têm de poder despedir rapidamente um mau trabalhador mas, ao contrário do que querem fazer crer, isso sempre foi possível, excepto na função pública, onde certos partidos políticos e não o Estado é que mandam.

O verdadeiro Liberalismo dos séculos XVIII ou XIX tinha coisas muito boas, nomeadamente que defender que o Estado tinha força demais na sociedade, na medida em que impedia os indivíduos de tomarem decisões económicas, sociais ou políticas de acordo com a sua vontade ou consciência.

Mas, hoje em dia, o que se constata é que os Liberais do século XXI, que na verdade são neo-liberais, abanam a bandeira do liberalismo do passado, mas escondem que quem irá ganhar, com as políticas que agora defendem, continuarão a ser os “Donos Disto Tudo”, tal como aconteceu na questão da liberalização dos combustíveis.

Se saber que um CEO despediu 900 trabalhadores por Zoom, a 23 dias do Natal, sem qualquer anúncio antecipado do que iria acontecer na reunião o faz sentir desprezo e repudio por essa situação, então não queira ser um NEO-Liberal, porque é que o são hoje em dia são os liberais do século XXI.


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