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Congresso do Chega com momentos de tensão e gritaria

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O III congresso de Coimbra do Chega viveu hoje momentos de tensão e gritaria, defesas de honra por divisões partidárias ou até religiosas.

Já a manhã estava a acabar quando subiu ao palco Luís António Alves, com a sua moção por uma clarificação ideológica do partido para fazer uma diferenciação com outros partidos à direita.

O Chega é da “direita conservadora”, dos “portugueses de bem” e não “da democracia cristã” e “dos peditórios” ou de partidos com “percentagens residuais”, e contra qualquer “OPA hostil ideológica” contra o partido, numa referência implícita ao partido Portugal Pró-Vida (PPV).

O Chega, afirmou, deve defender não “o multiculturalismo”, mas sim “o valor da portugalidade” e dos “valores do Minho ao Algarve”.

Algo pouco habitual em congresso, um delegado, Rafael Santos, que se apresentou como ex-dirigente do PPV, pediu a “defesa da honra” para gritar “calúnia”, “mentira” e “vergonha”.

Contrariando Luís António Alves, Rafael Santos afirmou que sem o PPV “não haveria coligação Basta”, que concorreu às europeias de 2019 enquanto o partido Chega ainda aguardava legalização, sublinhando, assim, a sua importância para a criação do novo partido.

“É uma afronta à história deste partido”, disse, exaltado, que acusou a mesa do congresso de “conivência” na apresentação de uma “moção caluniosa”, contestando ainda que não seja possível haver fusões entre partidos.

Estava quase na hora da pausa para o almoço e Luís Graça, presidente da mesa do congresso, deu por encerrados os trabalhos e admitiu que não ia exercer o seu direito de resposta.

“Se não, ia incendiar isto ainda mais. Teria muito mais a dizer. E vamos ficar por aqui”, concluiu, pedindo urbanidade e calma na discussão das moções, hoje, durante a tarde e noite.

Depois de uma manhã de votações de alterações estatutárias, coube a João Tilly, da distrital de Viseu, animar os trabalhos ao afirmar, de forma entusiástica, que o “Chega tem de governar Portugal”.

Utilizando a “forma de discursar de Ferro Rodrigues”, presidente da Assembleia da República, como ironizou na sua intervenção, disse que independentemente de ser com o PSD, o Iniciativa Liberal ou o CDS ou “sem nenhum deles”, o partido é a “esperança dos portugueses de bem”.

Aplaudido de pé, ao som de muitas palmas e do bater das mãos nas mesas, João Tilly defendeu que o congresso mandate o presidente do Chega “para fazer todos os acordos ou exigências possíveis com todos os partidos que os aceitarem, no sentido de sermos Governo já nas próximas eleições”.

Hoje é dia de debate e votação das moções setoriais, são algumas dezenas, mas a organização não as distribuiu aos jornalistas, e da moção global de Ventura, ficando a eleição dos órgãos nacionais para a manhã de domingo.

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Ao contrário do que aconteceu nos anteriores congressos, as moções setoriais não foram distribuídas aos jornalistas, dado que, por decisão da mesa do congresso, só estarão disponíveis para os delegados.


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