Opinião

Comunicação Social Regional caiu no fundo ou virou Fundação?

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Por outro lado, temos algumas associações que neste momento precisam da ajuda de todos, mas quando esses muitos são chamados, ou fazem ouvidos de mercador ou então não lhes toca ao coração certas campanhas solidárias.

Pelos vistos, não lhes interessa ajudar por exemplo um Cantinho da Milú ou uma associação ou fundação que recolhem alimentos para quem necessita, mas desperta-lhes a atenção certos pedidos de esmolas, sob a capa de um termo inglesado de Crowdfunding de certos grupos de comunicação social regionais ou locais.

A questão é essa, existem empresas que são chamadas à coação para ajudar, nem que seja com 5 euros as associações ou fundações, mas ignoram esses pedidos e nem um único cêntimo são capazes de doar, mas quando ouvem os pedidos de esmola de empresas de comunicação social, parecem estar sempre disponíveis.

Dou-vos um exemplo, o Diário do Distrito há poucas semanas realizou uma campanha solidária em conjunto com a rede social Facebook, para o Cantinho da Milú, uma associação que cuida de mais de 800 cães e gatos e que efetivamente precisa de ajuda, mas tivemos 0 euros nessa campanha.

Da minha parte, considero isto revoltante, pois uma associação que não tem qualquer rendimento a não ser a da boa vontade dos voluntários ou de algumas pessoas que ajudam, é desprezada por empresas a quem pedimos, enquanto um qualquer media que lança uma campanha e logo em minutos tem essas empresas rendidas a seus pés.

Será que é para fazer garantir favores no futuro? Já diziam os antigos que ‘não há almoços grátis’ e um órgão de comunicação social que assim estende a mão a certos lobbys, mais cedo ou mais tarde terá de pagar esses ‘almoços’ a quem lhe atirou umas moedas.

Da parte do Diário do Distrito, por muitas dificuldades que vivamos, teremos sempre a verticalidade de não andar a pedinchar, até porque temos a equipa e os meios à medida do que podemos gastar.

Nem oferecemos ‘notícias’ e entrevistas a troco de publicidades, mas há quem goste de se exibir e depois despeça pessoas que deram anos de vida à casa, e ainda têm o descaro de vir para a rua pedinchar apoios fingindo que esses vão servir para pagar ordenados, apelando à caridadezinha para manter o que não souberam gerir.

Curiosamente, quem pelas costas muito falam contra a ‘concorrência’, apelidando-os de «balastreiros», «analfabetos», de um mero blogue, cujos participantes nem são jornalistas nem sabem escrever notícias nem fazer reportagens.

E depois, descaradamente, apressam-se a copiar tudo aquilo que esses «analfabetos» fazem, desde o formato dos títulos das notícias, aos entrevistados e até às entrevistas via Zoom.

E depois temos também a caridadezinha governamental.

A pandemia Covid-19 afetou todos os setores, incluindo o da comunicação social, e logo veio o Governo dizer que tem 15 milhões de euros para gastar com publicidade nessa mesma comunicação social, sendo que 25% será repartida pelos cerca de 900 a 1000 meios de comunicação social regionais e locais.

O que feitas as contas, dá pouco mais que cêntimos para cada meio regional e local.

Mas para quem tem ‘dois dedos de testa’ aqui coloca-se duas questões: Como vão ser escolhidos os meios a quem atribuir essas publicidades?

E com isto não será que é uma forma de fazer calar a comunicação social mais atrevida?

E apesar de o Governo ter anunciado esses apoios com toda a pompa e circunstância, o que até veio levantar muita polémica nas redes sociais por gente que se esquece que já há por aí muita “comunicação social” bem financiada pelo poder local e nacional, até agora as empresas de comunicação social pouco mais informação têm.

Não sabemos quem vai ser abrangido, como concorrer, quando começará, em que moldes, etc.

Será mais uma medida daquelas bem preparadinhas e já com destinatários certos?

São questões a que se calhar não iremos ter resposta, talvez um dia, quem sabe.

Voltando à crise e ao crowdfunding, podemos ter duas leituras, atualmente os media estão mesmo a gritar por salvação, mas alguns será que virarão autênticas fundações?

Quanto aos beneméritos solidários, se calhar deveriam estudar mais quem está por detrás de certos pedidos, ou melhor, os proprietários das empresas que agora pedincham e se efetivamente os donativos são para aquela questão em concreto, e como beneméritos, terem consciência de que podem exigir precisamente essa informação, que não será difícil de obter num meio pequeno como o é este país.

Resta saber se os tais beneméritos querem mesmo saber para onde vai o seu dinheiro…

Bom fim de semana a todos!

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