Opinião

Brindemos com gasolina

Uma crónica de Bruno Fialho.

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Brindar com espumante? Isso é coisa de pobre (como diria o principal personagem do programa humorístico “Sai de Baixo”), passemos a brindar com gasolina, já que, se é para gastar, vamos gastar à grande e à francesa.

Não compreendo como é possível sermos um dos povos mais serenos do mundo, onde quase ninguém se indigna com o constante aumento do preço dos combustíveis.

Mas, também vejo poucas pessoas a ficarem indignadas com a corrupção na política, com a falta de investimento na Saúde, com a falta de apoios às pessoas com deficiências físicas ou mentais, com a vergonha das reformas que são pagas a quem trabalhou uma vida inteira e quase não tem direito a nada, com os impostos que pagamos e que não são revertidos na melhoria da vida das pessoas ou com milhares de outras coisas que continuam a prejudicar diariamente a vida dos portugueses.

Todavia, se estivermos a falar de um clube de futebol, ou de alguma coisa que aconteceu num programa tipo “Big Brother” ou se é um protesto sobre algo que se passa noutro país, aí para tudo e cai o Carmo e a Trindade, pois, de repente temos milhares de pessoas indignadas na rua.

Se todos fizéssemos um protesto nacional, em que nos recusávamos a colocar gasolina/gasóleo durante duas semanas ou colocar combustível apenas numa determinada gasolineira, de certeza que o preço dos combustíveis iria baixar rapidamente.

Infelizmente os portugueses são pouco reivindicativos nestas situações, por isso é que algumas empresas, em determinados sectores da economia, conseguem criar oligopólios que prejudicam os portugueses e contra os quais o Governo fica calado, porque quem decide já sabe onde vai trabalhar até ao fim da sua vida.

Voltando ao aumento dos combustíveis, objectivamente que o Governo é o maior responsável por este aumento, seja porque beneficia com o mesmo, seja porque não regula os preços dos combustíveis.

Mas, caso não saiba, o salário mínimo em Espanha é de 1.108 euros, infelizmente, em Portugal, apenas temos direito à garantia mínima de 665€ euros.

Assim, não posso aceitar que em Espanha o preço da gasolina esteja nos 1,279€/litro e o do gasóleo nos 1,163€/litro, enquanto em Portugal pagamos, respectivamente, 1,519€/litro (mais 0,24€/litro) e 1,354€/litro (mais 0,191€/litro).

Mas não é só a gasolina e o gasóleo que são mais caros no nosso país, observem os preços médios num supermercado em Portugal e em Espanha:

Cerveja importada (330 ml) em Portugal custa 2,00€, em Espanha custa 1,52€;

Cerveja nacional (0,5 litros) em Portugal custa 1,01€, em Espanha custa 0,87€;

Água (garrafa de 1,5 litros) em Portugal custa 0,51€, em Espanha custa €0,62€;

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Alface (1 unidade) em Portugal custa 0,94€, em Espanha custa 0,95€;

Cebolas (1kg) em Portugal custa 1,01€, em Espanha custa €1,15€;

Batatas (1 kg) em Portugal custa 0,90, em Espanha custa €1,13€;

Tomates (1 kg) em Portugal custa 1,40, em Espanha custa €1,63€;

Laranjas (1 kg) em Portugal custa 1,23€, em Espanha custa 1,43€;

Uma dúzia de ovos em Portugal custa 1,77€, em Espanha custa 1,86€;

Arroz (1 kg) em Portugal custa 0,91€, em Espanha custa 0,99€;

Um quilo de pão (1 kg) em Portugal custa 1,09€, em Espanha custa 1,00€;

Leite (1 litro) em Portugal custa 0,63€, em Espanha custa 0,79€.

Ou seja, os bens aqui apresentados têm um valor muito similar em Portugal e em Espanha, o que é inadmissível, porque o salário mínimo espanhol é 40% superior ao do nosso país.

Mas, pior ainda é observarmos que o pão, alimento básico da nossa alimentação, é mais caro em Portugal do que no país vizinho.

É por isso que os portugueses, não todos, somente os da classe média e baixa, são um caso de estudo mundial, pois conseguem fazer o que os Senhores Doutorados que são nomeados Ministros das Finanças e da Economia não conseguem.

É compreensível que é mais fácil gastar o dinheiro que não é nosso, que o que faz a maioria dos nossos governantes. Mas não existir uma revolução de indignação quando nos andam a ir ao bolso há anos, isso já é incompreensível.

Assim, ainda acha piada ao brindarmos com gasolina? Espero que não. 

Eu gostaria de pensar que, depois de ler este texto, perdeu a vontade de rir, e espero que daqui para a frente se indigne de verdade com coisas sérias e ajude quem quer mudar este país a mudar, mas mudar mesmo tudo o que está mal.

Indigne-se, eu fico à sua espera para o ajudar a fazer-se ouvir!

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