Bombeiros, saúde e mobilidade em discussão na reunião de Câmara do Montijo

O assunto dos Bombeiros Voluntários do Montijo voltou à reunião camarária do Montijo.

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A reunião camarária do executivo do Montijo iniciou-se esta tarde com a leitura de duas declarações por parte de Nuno Canta, a primeira sobre os resultados do Anuário Financeiro, “que colocam o Montijo com as melhores contas públicas do distrito de Setúbal”, e outra sobre “a verdade sobre os apoios municipais aos bombeiros do concelho”.

Nesta o presidente voltou a tecer críticas à atitude do vereador do PSD, João Afonso, sobre as afirmações acerca da alegada falta de apoios camarários à Associação Humanitária dos Bombeiros do Montijo, e frisou os apoios que a Câmara Municipal tem dado ao longo dos anos bem como as verbas previstas no Orçamento para 2020 “e irá garantir sempre resposta às necessidades que nos forem indicadas”.

Depois de recordar o comunicado emitido pela corporação sobre o assunto, o presidente informou ter reunido com os órgãos dirigentes da corporação “que asseguraram não existir qualquer deficit financeiro. Haverá sim necessidade de aumentar o apoio financeiro quando tivermos o aeroporto para garantir aumento do socorro, o que na altura será devidamente ponderado.

Também não existiu qualquer candidatura formalizada para as obras no quartel, que a Câmara Municipal sempre disse que apoiava, com o Ministério de Administração Interna; e decorre também um processo urbanístico na autarquia para essas obras mas que aguarda ainda alguns projectos na especialidade, estando também já definida que contará com isenção de taxas urbanísticas.”

Nuno Canta criticou depois “a mentira política do PSD sobre os falsos factos relativos a este assunto. Os eleitos do PS não recebem lições de ninguém. Este tipo de situação criou mais uma novela populista e especulativa, com violação das regras básicas do respeito democrático, através da mentira e falsidade para enganar os montijenses, e até colocando em causa instituições sérias.”

Como não podia deixar de ser, o tema voltou a marcar a discussão da tarde, a par com uma saudação apresentada pelo vereador Ricardo Bernardes, sobre o aniversário do Centro Hospitalar Barreiro Montijo, com o vereador social-democrata a lamentar “que se batam palmas e façam festas ridículas, branqueando os problemas de saúde no concelho, quando há centenas de queixas sobre o atendimento neste equipamento”, posição rebatida pelos eleitos do PS com “a destruição do SNS durante a governação do PSD/CDS-PP, e o posicionamento populista do vereador”.

De regresso ao assunto dos Bombeiros, João Afonso referiu que “o actual quartel não cumpre várias questões legais e não tem condições de funcionalidade, nem de conforto para os operacionais e necessita de obras urgentes.”

Sobre as suas próprias declarações, o vereador social-democrata frisou que “aquilo que me foi dito por elementos do comando e da direcçao da Associação Humanitária e perante testemunhas, foi que não têm conhecimentos para preparar as candidaturas a apoios comunitários no Quadro 2020, solicitando esse apoio à autarquia, mas esta nem tem um gabinete para tratar desses assuntos, deixaram-se andar a dormir, e assim se perdeu uma candidatura de 500 mil euros.

Esperava que o presidente, perante um conjunto de factos concretos trazidos por mim, e que me disse iria averiguar, viesse depois afirmar que as minhas fontes estavam equivocadas, no entanto limitou-se hoje dizer que ‘somos muito bonzinhos’ e que ‘demos muito dinheiro para os bombeiros’. O que eu disse foi que o seu governo não distribuiu aos bombeiros o valor necessário e no relatório de contas destes há um buraquinho de 130 mil euros.”

Nuno Canta concordou que “há problemas e realmente falta verba para conseguir ter mais equipas para o socorro à população no futuro, e isso já nos foi transmitido. Mas a forma como o vereador trouxe isto à praça pública, nunca vi nos meus dias de autarca alguém fazer isto, porque colocou em causa o comando, a direcção e todos os elementos da corporação que o recebeu como visita” e relembrou que “foi o próprio comando e direção que depois o desmentiram em esclarecimento público”.

Esclareceu também que “desde a primeira hora em que se colocou a reformulação do quartel, foram informados de que a Câmara Municipal não tem condições para elaborar os projectos por falta de recursos”.

Mobilidade e habitação

No período aberto à população, um casal de idosos solicitou ajuda à Câmara Municipal para uma casa. Reformados e com incapacidades físicas, perderam a casa “durante a crise e temos vivido com o meu filho mais novo, mas que vai casar. E no Montijo é quase impossível conseguirmos uma casa, já procurámos tudo. Somos do Alentejo, mas vivemos no Montijo há perto de 40 anos, aqui tenho os filhos e os netos. Será que o meu marido, que toda a vida descontou e agora teve de se reformar antes do tempo por incapacidade, não tem direito a uma casa para o fim da vida?”

Nuno Canta e Ricardo Bernardes explicaram que a autarquia não pode disponibilizar casas sem cumprir os requisitos legais, através de concursos, mas comprometeram-se a “falar com a Segurança Social, que é a entidade que deve ter resposta para este tipo de situações, seja apoiando numa renda, ou alugando um quarto durante algum tempo.”

Outra situação foi levada à reunião por Liliana Silva, em nome do pai, deficiente e com problemas de locomoção, que se deparou com “a quase impossibilidade de conseguir aceder ao tribunal do Montijo. Além de estar em obras, o espaço que está definido para o estacionamento de deficientes não dá condições de acesso.
Também me deparei com os mesmos problemas quando vim à Câmara Municipal, em que o meu pai teve de ser atendido no carro, o que recusou por via da sua dignidade.”

Apontou ainda outros problemas de acesso para deficientes no Esteval, “onde nem podem usar as passadeiras porque o piso não foi rebaixado para as cadeiras de rodas”.

Nuno Canta garantiu a verificação de todos os pontos, “e em alguns se for necessário, iremos alterar os projectos. Sobre os acessos à Câmara Municipal, há regras que não permitem a alteração a monumentos históricos, mas estamos também a prepara soluções, bem como para o edifício da Galeria Municipal.”

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