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Alterações climáticas estão a reduzir disponibilidade de água na Península Ibérica

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Hoje celebra-se o Dia Mundial da Água. A ANPlWWF e a WWF Espanha assinalam a data com o lançamento do relatório “Impactos das Alterações Climáticas na Península Ibérica”, que alerta para a urgência de uma estratégia conjunta entre os governos de Portugal e Espanha para prevenir um cenário de falta de água.

Se não houver um uma alteração estratégica e alinhamento entre os governos português e espanhol, está previsto um cenário de agravamento até 2050, pelo afetamento nos recursos hídricos e ecossistemas da Península Ibérica.

“Os rios não conhecem fronteiras, e o clima também não. Se já era essencial que os dois países ibéricos coordenassem a gestão dos recursos hídricos que partilham, com as alterações climáticas essa urgência ainda é maior. Da forma como estas alterações já estão a afetar a disponibilidade de água na nossa Península, temos de assumir de vez princípios de precaução, partilha e sustentabilidade, sob pena de num futuro próximo virmos a passar por situações graves de escassez e falta de água. E não é a sede que queremos partilhar com Espanha, mas sim ecossistemas saudáveis que sustentem a água de que todos precisamos”, disse Afonso do Ó, especialista em Água da ANP|WWF.

Portugal vive para além da água que tem, enfrentando uma séria escassez hídrica. As alterações climáticas estão e irão continuar a agravar esta situação, trazendo como consequências invernos cada vez menos chuvosos e verões cada vez mais quentes e longos.

Através da análise dos padrões observados em Portugal e Espanha nos últimos anos, o aumento da temperatura, a diminuição de precipitação e o aumento dos períodos de seca são fenómenos cada vez mais presentes e que exigem uma estratégia comum. O relatório revela ainda que os próximos anos irão trazer cada vez mais dificuldades em assegurar que os rios, aquíferos e reservatórios ibéricos dispõem de água suficiente.

A extinção de espécies de peixes de água doce também são uma consequência. De acordo com o relatório “Peixes Esquecidos do Mundo”, 80 espécies de peixes de água doce já foram declaradas “Extintas” pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, incluindo 16 só em 2020. Entretanto, as populações de peixes migratórios de água doce diminuíram 76% desde 1970 e os grandes-peixes, uns catastróficos 94%.

Estas consequências impactam diretamente sobre as comunidades que dependem dos serviços dos ecossistemas providenciados por estes rios e afetam atividades como a pesca, a agricultura, turismo e abastecimento energético de cidades em ambos os países.  

São apresentadas recomendações importantes no relatório, e também um apelo à conceção de uma estratégia comum na Península Ibérica.

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