Administração portuária de Setúbal alvo de críticas

As vozes elevaram-se este sábado contra a falta de informação da deposição de dragos provenientes do projeto de melhoria das acessibilidades marítimas ao porto de Setúbal. Pescadores e associações criticam a Administração do Porto de Setúbal

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APSS alvo de críticas por parte de pescadores e associações ligadas ao mar
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São várias as associações que se juntam aos pescadores e reclamam mais informação de todo o processo de licenciamento das dragagens que o rio Sado vai receber para a melhoria de acessibilidades marítimas em todo o canal de navegação do estuário. A Cooperativa de Pesca de Setúbal, Sesimbra e Sines (SESIBAL), Clube da Arrábida, SOS Sado e o Grupo Pestana, empresa que detém o Ecoresort de Troia, reclamaram este sábado a falta de informação sobre os trabalhos e criticaram ainda a presidente da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), Lídia Sequeira, que, em declarações à Lusa, remeteu para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a responsabilidade pelos locais escolhidos para as deposições de dragados, a responsável da APSS apontou ainda o dedo a algumas associações cívicas, como o SOS Sado, que contestaram todas as localizações indicadas.

Lídia Sequeira disse ainda que todas as providências cautelares que têm sido colocadas nos tribunais para tentar travar as dragagens de alargamento e aprofundamento do canal de navegação ao porto de Setúbal tem sido todas indeferidas, desvalorizando o facto de as ações principais ainda poderem ser decididas a favor dos promotores.

A associação SOS Sado já fez saber que, “as declarações da doutora Lídia Sequeira causam perplexidade e preocupação, uma vez que são reveladoras de uma postura de profundo desrespeito pelas instâncias judiciais portugueses e pelo direito de esclarecimento dos cidadãos”.

Da parte da SESIBAL, as criticas surgem através de Ricardo Santos, que aponta o dedo à APSS, bem como a APA, para o responsável dos pescadores a falta de informação é notória: “pouca troca de informação com as associações de pesca no sentido de encontrar uma solução alternativa à deposição de dragados da Restinga”, uma das zonas fundamentais de pesca e que sustenta mais de três centenas de pescadores de Setúbal.

Do Clube da Arrábida a voz levanta-se através de Pedro Vieira, porta-voz do clube que acusa a presidente da APSS de <<inverdades>> nas declarações que fez, para Pedro Vieira as declarações de Lídia Sequeira são <<meras>> palavras que tentam convencer os pescadores com a “falsa ideia de que encontraria um local alternativo para a imersão de dragados, quando nunca o poderia fazer com base no estudo de Impacto Ambiental sobre o qual a APA emitiu a DIA”:

José Roquette, administrador do Ecoresort de Troia, do grupo Pestana, também fez saber que “o que está em causa não é apenas a deposição de dragados, mas as próprias dragagens que, pela sua dimensão – o projeto de melhoria das acessibilidades marítimas ao porto de Setúbal prevê a retirada de 6,5 milhões de metros cúbicos de areia – , poderá ter um impacto enorme na vivência daquele espaço”.

Por outro lado o responsável do Ecoresort adianta que “as dragagens de manutenção sempre se fizeram e terão de se continuar a fazer, mas não podemos pensar que o porto de Setúbal poderá competir com o porto de Sines. O porto de Setúbal, tal como está, tem sido competitivo, porque senão já tinha desaparecido. Estamos perante uma guerra de egos para tornar o porto de Setúbal competitivo com o porto de Sines.”.

A grande preocupação das vozes que se levantam contra a APSS não é só a deposição mas também o possível abandono da comunidade residente de golfinhos roazes-corvineiros, comunidade essa única na Europa e que poderá deixar o estuário do Sado devido ao som das dragagens e aos impactos negativos no ambiente nos próximos seis anos.

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