Opinião

A Marquise Indiscreta

Uma crónica de Bruno Fialho | Um artigo de opinião da inteira responsabilidade do seu interveniente.

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Aviso os leitores e, em particular, todos os apreciadores dos filmes de Alfred Hitchcock, que o cineasta britânico não irá realizar uma sequela de um dos seus melhores filmes de sempre, nomeadamente, “A Janela Indiscreta”.

Posto isto, informo ainda que o título escolhido para o artigo desta semana nada tem a ver com os filmes do género suspense e mistério, pois é mais do género circense, tanta é a palhaçada sobre a qual irei escrever.

Nesta semana que passou, os portugueses foram inundados com dezenas de reportagens na TV e artigos nos jornais sobre uma suposta “marquise” que o Cristiano Ronaldo mandou construir no cimo do prédio do duplex que comprou em Lisboa.

A primeira coisa que me vem à cabeça é perguntar a quem disse que esta pandemia iria fazer com que o ser-humano ficasse diferente, para melhor, se neste momento já deve estar armada em avestruz e já terá escondido a cabeça debaixo da terra por tempo indeterminado, devido à palermice que proferiu.

Passar uma semana inteira a ouvir um arquitecto ofendido por terem colocado um jardim de inverno no topo de um edifício que projectou (aquilo não é uma marquise) ou todos os órgãos de comunicação social a falarem sobre o tema Ronalgate, tendo inclusive o presidente da CML, Fernando Medina, prestado declarações sobre esse assunto, é algo que deveria envergonhar todos os portugueses.

Até parece que, no nosso país, não temos mais nada com que nos preocupar do  que fazer como o protagonista do filme de Alfred Hitchcock, o qual, como não tinha muitas opções de lazer, porque estava confinado ao seu apartamento devido a uma perna partida, vasculhava a vida dos seus vizinhos com um binóculo.

Falar até à exaustão sobre a “marquise” do Ronaldo, mas deixar de falar sobre a palhaçada que este governo impôs aos portugueses ao ter aceitado que podia haver público na final da Liga dos Campeões, no Porto, mas que nas últimas jornadas do Campeonato de Portugal já não, é absolutamente ridículo.

No mesmo sentido, mandar encerrar Concelhos por estes não cumprirem os critérios ridículos dos especialistas “covideiros” e prejudicar milhares de pessoas e de empresas, essa é de brandar aos céus.

Já para não falar das novas regras que obrigam a usar máscaras na praia… A sério???

E sobre o facto do Ministro Cabrita e o presidente da CML, Fernando Medina, terem proibido a entrada no estádio do SCP aos seus adeptos para estes poderem festejar em segurança o título de campeões nacionais de futebol, mas deixaram que a festa fosse, em parte, estragada devido à gritante falta de organização do governo e da CML?

E quanto aos milhões que são gastos pelo Fernando Medina na construção de ciclovias absurdas e sem qualquer lógica, que prejudicam Lisboa e os lisboetas?

Mas também não me recordo de ter visto tanta celeuma sobre uma outra habitação em Lisboa ou noutra localidade do país, particularmente a de alguns moradores de certos bairros camarários que, recorrentemente, destroem as casas, prédios, jardins e zonas envolventes, pagas com o dinheiro dos impostos de quem trabalha!!!

Se foi para isto que fizeram um “25 de Abril”, penso que é melhor repensarem em tudo o que aconteceu nestes últimos 47 anos e começar-se a preparar algo que consiga dar aos portugueses aquilo que eles verdadeiramente merecem, que é um país digno, governado por pessoas competentes e sérias.

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Enquanto perdermos tempo com “marquises” e permitirmos que diariamente sejamos roubados com recurso a impostos dantescos, ou que “jotinhas” incompetentes, que nem para “lavar escadas” servem, sejam os nossos governantes, ou que os corruptos, ladrões, violadores e assassinos passeiem nas ruas impunemente, ou que as listas de espera nos hospitais continuem sempre a aumentar, ou que tenhamos salários de miséria ou que paguemos quase o dobro do preço que é pago em Espanha por uma bilha de gás, então merecemos o “25 de Abril” que fizeram em 1974 e não outro que nos tivesse dado muito mais do que apenas a palavra Liberdade.


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