Opinião

A culpa é das vacas

Uma crónica de Vera Esperança.

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É até cómico que se continue a pensar que a sobrevivência das espécies não está a caminhar velozmente para a sua extinção. O nível seguro de emissões de dióxido de carbono e outros gases (350 ppm) já foi ultrapassado – já estamos nas 400 partes por milhão. A temperatura não devia subir mais de 2ºC, mas este objetivo já não deve ser alcançado.

Aconselho-o a ver o Cownspiracy, um documentário eloquente e bem explicativo. Trata-se da história de um ambientalista que andou engando durante vários anos. Acreditou que se trocasse a sua carrinha por uma bicicleta e tomasse duches rápidos podia ajudar a salvar o planeta. Até que descobriu que nada fazia sentido se continuasse a consumir carne. E é agora que lhe vou explicar porquê. Agarre-se!

Ora, segundo um relatório as Nações Unidas a criação de gado é causadora de emissão de mais gases de efeito de estufa que todas as emissões do setor dos transportes. São essencialmente bovinos os animais que produzem enormes quantidades de metano durante o seu processo digestivo, um gás 80 vezes mais destrutivo que o dióxido de carbono emitido pelos veículos motorizados.

Já no que diz respeito a esse recurso escasso, a água, fique a saber que nos EUA gasta-se no fraturamento hidráulico mais de 378 milhões de litros de água ao ano. Mas se olhar para a pecuária este número sobe para 128 triliões. Desengane-se – não é a extração de combustíveis líquidos e gasosos do subsolo que exige o maior consumo de água. É o seu bife. Não acredita? Para ser produzido, um hambúrguer de 114 gramas precisa de 2.500litros de água; 500 gramas de carne consomem 9 mil litros de água. Em média, os ovos consomem 1.800 litros de água e o queijo 3.500 litros. Para produzir um litro de leite gasta-se 4 mil litros de água.

A criação de animais para consumo humano produz 65% do óxido nitroso à escala mundial, um gás que contribui 296 vezes mais que o CO2 para o aquecimento global; a pecuária consome 30% da água do planeta, ocupa 45% do território, destrói habitats terrestres, como a Amazónia, já que é responsável por 91% da sua desmatação. E não ficamos por aqui, porque também os habitats marinhos são atingidos, quando os milhões de toneladas de esterco para lá são descarregados, contribuindo para a extinção das mais diversas e variedades de espécies. Tantas, que até a sua está em risco!

Também os animais silvestres têm sofrido com os impactos da agropecuária – há 10 mil anos, eram eles que ocupavam a maior parte do território – agora, apenas 2% lhes está reservado – plantação de soja transgénica para alimentar o gado, desflorestação da floresta tropical, sobrepesca… Os pulmões do planeta estão a ser destruídos à razão de uma área correspondente a um campo de futebol por segundo. O estrume produzido na pecuária é responsável pela destruição de 136 milhões de acres de floresta, mais de 500 zonas mortas marítimas que estão repletas de nitrogénio e acima de 245 mil Km2 de terra estão desprovidas de vida.

A cereja no topo deste feio bolo é esta: um bovino consome até 65Kg de ração e bebe até 150 litros de água. Estou a referir-me a valores médios diários. A população humana mundial consome, diariamente, 21 bilhões de kg de alimentos e 20 bilhões de litros por água. Mas só 1,5 bilhões de bovinos em todo o mundo consomem 61 bilhões de kg de alimentos e 170 milhões de litros de água. Atente ainda que a alimentação de um vegano ocupa 1/6 da área de um terreno/ano; a alimentação de um vegetariano ocupa 3 vezes mais a parcela de terreno necessário a um vegano; e alimentação de um carnista ocupa 18 vezes mais a parcela de terreno necessário a um vegano.

É por isto que, a si, carnista de gema, não posso desejar-lhe bom apetite, mas antes uma dolorosa diarreia!

Voltarei, porque, afinal, “somos todos iguais”. 


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