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25 de Abril e 25 de Novembro, Liberdade e Democracia no Montijo

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Os partidos com assento na Assembleia Municipal do Montijo estiveram esta tarde presentes na sessão solene das Comemorações do 45.º aniversário do 25 de Abril, onde a Revolução dos Cravos foi louvada, bem como a liberdade e democracia que trouxe ao país, em que o PS e o PSD estiveram representados pelos presidentes das Jotas, mas onde também houve lugar às do PSD e do CDS-PP à gestão socialista da autarquia, com discursos que não receberam os aplausos de todos.

A sessão iniciou-se com as palavras de Catarina Marcelino, presidente da Mesa da Assembleia Municipal. “O Montijo constrói Abril todos os dias, num trabalho contra o obscurantismo e pela democracia, desenvolvendo projectos e dando resposta à população, como é exemplo a modernização do nosso parque escolar. Foi para tal que aceitámos as transferências de competências e trabalhamos para uma coesão de territórios diversificados, com história e cultura própria.”

Catarina Marcelino destacou ainda a nível nacional “a democracia construtiva que se vive desde 1974: temos hoje um Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito e já reconhecido como um dos melhores, uma escola pública melhor e uma Segurança Social que nos apoiará no presente e no futuro, ao contrário do que alguns dizem. Estes são os alicerces do Portugal de Abril, que está em permanente construção, mas que tem excelentes alicerces.”

Da parte da oposição, alguns pontos dos discursos coincidiram, com a CDU e o PSD a criticarem o executivo de maioria por ter impugnado a realização de uma Assembleia Municipal extraordinária para discussão das transferências de competências, e do PSD e CDS-PP com elogios ao 25 de Novembro.

João Merino, eleito do CDS-PP, recordou que “sem outra data de 25, neste caso Novembro de 1975, não teríamos a democracia que hoje temos, embora a esquerda radical queira esquecer isso, mas os verdadeiros democratas sabem o que também esse dia significa e que Abril concretizou.”

E apontou depois o dedo “ao PCP e BE que estendem a mão ao PS para receberem migalhas envenenadas, quer no país quer no Montijo, aqui a quem governa mal o concelho, num déficit de democracia. Este é um executivo que adia projectos porque está sempre à espera do que o Governo decide, que tenta calar os que acreditam num Montijo melhor, e onde quem fala vê a sua vida devassada publicamente.”

“Vivemos no Montijo sob a batuta de mestres da mentira, difamação, ofensas e calúnias” acusou João Massacote, presidente da JSD. “Exemplos disso são a violação de correspondência que ocorreu com um vereador, os ataques que sucessivamente são feitos à oposição, a devassa da vida privada, a perseguição e censura que constantemente tentam impor, silenciando quem teme represálias.

Temos uma governação ao sabor da oposição, sobretudo do que o vereador João Afonso divulga, porque logo que este apresenta um problema apressam-se a resolver.”

As acusações de João Massacote foram ainda dirigidas “à oligarquia clientelista formada por várias associações que vivem dos subsídios, formando o braço armado do PS Montijo, e os que não o fazem não são convidados para nada. Não somos contra as forças vivas do concelho, mas sim contra o uso de dinheiros públicos com fins incógnitos.”

O social-democrata criticou também “o silêncio da oposição perante estas situações e ataques, mas talvez os defendam pela semelhança que têm com o que se passava na URSS.”

O processo do regime democrático e a história que levou à criação do MFA, foi o tema do discurso de António Oliveira, deputado do BE que frisou “há muitos dias 25, mas este de Abril é só um, e por mais mentiras que queiram criar, não é por serem ditas muitas vezes que passam a verdades.” O deputado lamento ainda que “a sociedade actual, com tanta informação ao seu alcance, não pensa por si mesma… é preciso deixar de seguir apenas o que diz a comunicação social e começar a interrogarmo-nos sobre tudo, desde o nosso papel no universo até se ‘sou feliz’, e preocuparmo-nos também com o mundo que deixamos ao futuro”, terminando a ler um texto que Catarina Salgueiro Maia deixou hoje no seu perfil do Facebook.

Por sua vez Francisco Salpico, eleito pela CDU, relembrou “a homenagem necessária aos que lutaram no passado pela nossa liberdade, pelo fim da guerra colonial, pelo direito de decidirmos o nosso destino político e na defesa de uma vida melhor”, frisando que “estes também são agora tempos de luta, pela reposição de direitos e pela melhoria dos salários e de uma reforma digna”.

Também o deputado comunista criticou a gestão autárquica “porque não compactuamos e denunciamos os atropelos que o PS tem feito na Assembleia Municipal, até impedindo que se realizasse uma reunião extraordinária para debater a transferência de competências. Esta é uma maioria absoluta que se revê num poder absoluto”, enumerando também algumas “promessas que foram feitas aos eleitores e até agora não foram cumpridas”.

Para Emanuel Martins, presidente da JS Montijo, “este dia significa o fim de 48 anos de opressão, de uma guerra que levou centenas de jovens para o Ultramar, de um futuro sem esperança, rasgado da página mais negra da nossa história, hoje livre de repressões e ditaduras.” Também o jovem socialista destacou “as profundas mudanças para melhor ao nível da Segurança Social, da escola pública e do SNS”, mas salientou que “temos ainda um longo caminho a percorrer, há muito ainda por fazer e Abril não pode ser uma mera formalidade. É preciso democratizar o ensino superior, o acesso à habitação e o papel da mulher na sociedade”, deixando um alerta para “as políticas populistas que têm vindo a ameaçar a democracia na Europa”.

A sessão solene terminou com a intervenção do presidente da Câmara Municipal, Nuno Canta, que deixou um louvor “aos militares da Revolução, que acabaram com a repressão e com o medo a cada esquina, e também aos homens e mulheres que tiveram a coragem de arriscar tudo em nome da liberdade de todos.”

Deixou também o alerta “para os que tentam minimizar o que foi o 25 de Abril, e que já hoje aqui ouvimos, mas mesmo aqueles que o fazem, contrariando a memória desta revolução, estão ao mesmo tempo a apoiar essa revolução que lhes deu o direito e a liberdade de o fazerem. Agora também podemos responder às mentiras que alguns pretendem espalhar. A liberdade e a democracia são fundamentais do nosso regime político democrático porque é o voto do povo que elege os seus representantes.”

O edil reforçou também que “o Poder Local Democrático permite aos montijenses escolherem o projecto que entendem que melhor os representa e que é mais forte para construir o futuro desta terra” e não deixou de destacar as “ameaças latentes pelos populistas e radicais que se colocam à democracia deste século”, deixando por fim um apelo: “este é o dia da liberdade, mas façamos dele também o dia da fraternidade”.

No final, teve lugar um apontamento musical pela Banda da Sociedade Filarmónica 1.º de Dezembro.

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