Economia

17,2% dos portugueses está na pobreza e a maioria trabalha. Muitos estão efetivos há 10 e 20 anos

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O estudo “Pobreza em Portugal – Trajetos e Quotidianos”, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e coordenado por Fernando Diogo, professor de Sociologia na Universidade dos Açores, mostra um relato devastador do país com um quinto da população em situação de pobreza e parte destes a trabalhar, e até mesmo com vínculos efetivos de 10 e ou mais de 20 anos.

A pesquisa resulta da observação do último Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), de 2018, e a a análise qualitativa em “91 entrevistas aprofundadas por todo o país”.

A taxa de pobreza corresponde à percentagem de pessoas com rendimento inferior a 60% do rendimento mediano, o que em 2018 era 501,2 euros mensais. Assim, destas indivíduos, Fernando Diogo, em declarações à Lusa, diz que se conseguiram identificar “quatro perfis de pobreza em Portugal, que são uma novidade: os reformados (27,5%), os precários (26,6%), os desempregados (13%) e os trabalhadores (32,9%)”. 

O dado assustador é que um terço dos pobres são trabalhadores, assim ao juntar a percentagem de precários, mais de metade dos portugueses em situação de pobreza trabalha, o que mostra que “ter um emprego seguro não é suficiente para sair de uma situação de pobreza”, reforça o estudo.

O investigador diz que “foi uma surpresa” constatar que “a maior parte dessas pessoas era efetiva” . Reforlando que “há uma parte dos pobres que são efetivos nos seus postos de trabalho, muitos há mais de 10 e alguns há mais de 20 anos. Claro que com ordenados baixos, que têm de dividir o seu ordenado com a família, com uma família numerosa”.

Os dados mostram que ao longo do período observado, entre 2003 e 2019, o valor da taxa de pobreza “está sempre próximo de um quinto do total da população” e em 2018 marca os 17,2%, ou seja, 1,7 milhões de pessoas.

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