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‘Vimos à reunião transmitir a nossa tristeza, revolta e indignação’

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A localização do novo cemitério na freguesia de Fernão Ferro levou vários moradores à reunião camarária no Seixal, sete destes representados pela advogada Alexandra Fontoura, que solicitou os dados sobre “os elementos de construção do cemitério nesta freguesia, porque não respondem aos pedidos que foram feitos de informação”, ao que o presidente Joaquim Santos respondeu que “não sabia que tinha feito esse pedido de informação porque o assunto passou directamente para o departamento jurídico, mas iremos responder”.

Residentes em Fernão Ferro, Miguel Machado, Dora Domingues e Eduardo Amorim elogiaram o trabalho da autarquia ao longo dos anos, mas lamentaram a escolha da localização e a falta de informação que foi prestada a quem comprou ali a sua casa.

“Comprei a casa em Fernão Ferro por ser um local agradável, não escolhi viver frente a um cemitério. Com tantas soluções que podiam ter encontrado, porquê frente a uma zona residencial?” questionou Miguel Machado.

Dora Domingues lamentou a “que não tenham auscultado os moradores, porque envolve muitas coisas. Fizeram um fórum com moradores já quando as obras tinham arrancado.

Sei que existem outras alternativas e peço que as contemplem, em vez de construir no meio de vivendas. Todos concordamos com a existência de um cemitério, prometido há vinte anos, mas só soubemos onde seria quando começaram as obras. Escolhi viver num local com acesso a escolas, o que estava planeado para aquela área, e agora em vez disso vou ter um cemitério, e a desvalorização da casa que trabalhei toda a vida para comprar.

E lamento que a televisão tivesse uma resposta da Câmara Municipal, mas a nossa advogada não teve nenhuma. Tivemos de vir a uma reunião para transmitir a nossa tristeza, revolta e indignação deste contrato unilateral.”

Também Eduardo Amorim considerou que “a decisão de construir ali não foi adequado porque no Plano Pormenor estavam definidas escolas. Há casas com cozinha com vista para pinheiros que vão passar a olhar para um cemitério. Se a Câmara Municipal tivesse ponderado um pouco mais, teria escolhido outro lugar. É algo que a população exigia mas com o devido planeamento.”

José Piteira, como residente em Fernão Ferro, mostrou a sua discordância sobre a localização do novo cemitério nessa localidade, “quando o Plano Pormenor previa a construção de escolas, quando a Câmara Municipal tinha muitas opções, mas aquilo, pelo número de campa será apenas um cemiteriozeco.”

Em resposta, Joaquim Santos explicou que “a pandemia veio atrapalhar as apresentações que temos feito com a população para receber contributos, pelo que passámos a fazer num modelo online.

Este cemitério municipal teve várias comunicações no Boletim Municipal em 2020, desde a decisão do lançamento da obra, onde se referia a sua localização. Este processo veio quatro vezes a votação e foi sempre aprovado por unanimidade.”

Relativamente à localização, o presidente frisou que “apenas este terreno municipal preenche os requisitos e não tínhamos mais alternativas no momento actual, porque sem alternativas consistentes, não podíamos escolher de outra forma, e com a empresa António Xavier de Lima temos tido muito pouca colaboração para resolver várias questões.”

Joaquim Santos referiu ainda que “as escolas que referem nunca estiveram previstas para aquele local. A Escola 2/3 de Fernão Ferro está projectada para a Rua dos Loureiros, na Quinta das Laranjeiras, bem como a Escola Secundária.”

A obra “está adjudicada e irá avançar” garantiu Joaquim Santos, “porque existe um contrato para executar, há o visto do Tribunal de Contas e há interesse público”.

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Na ronda pelos vereadores, Francisco Morais (BE) afirmou estar “de acordo com a construção do equipamento, mas temos de incentivar a participação da população. A CDU tem feito, e bem, fóruns, mas apenas onde falam de obras que por vezes até já estão a decorrer e não servem para recolher propostas.

Se este executivo tem a habilidade comunicar por flyers por tudo e por nada, devia ter informado mais especificamente os moradores desta zona, e responder às questões que vos chegam, não apenas quando as pessoas vêm à reunião.”

Eduardo Rodrigues (PS) frisou que “até eu como vereador do PS tive dificuldade em saber a localização exacta do cemitério, e embora tenha questionado isso de todas as vezes que votámos a sua execução, obtive sempre respostas vagas. Se soubesse que iria ser construído junto de casas, teria votado contra.”

O vereador também criticou a falta de informação municipal aos moradores. “Se a Câmara Municipal coloca outdoors em todo o lado como cogumelos, porque não colocou ali alguns também, antes da obra começar?”, no que foi secundado pela vereadora Cláudia Ferreira (PS), que criticou ainda “se temos um Boletim Municipal onde se gasta tanto dinheiro e depois a informação não chega à população, se calhar com esse valor já se podia ter construído a Escola 2/3 de Fernão Ferro”.


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