Montijo

‘Vereador João Afonso não tem condições políticas de continuar e devia pedir a demissão’

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A reunião camarária no Montijo teve lugar esta quarta-feira foi marcada por dois assuntos: a situação nos Bombeiros Voluntários do Montijo, conforme o Diário do Distrito já noticiou, e um vídeo publicado pelo vereador do PSD/CDS-PP João Afonso, causando mais uma acesa discussão.

A 10 de Março, João Afonso publicou na sua página do Facebook um vídeo com a legenda «Juventude Futebol Clube Sarilhense + Nuno Canta + Junta de Freguesia de Sarilhos = vergonha», onde dava a conhecer a situação de Alda Marques, que reside numa casa sem condições de habitabilidade no terreno do clube.

A vereadora Sara Ferreira (PS) apresentou uma declaração política na qual acusou João Afonso de “mentira e populismo” repudiando “aproveitamentos de fragilidades e carências para fins políticos sem qualquer sentimento de vergonha para publicar um rol de mentiras, e a forma reiterada como promove o ataque cerrado às instituições, atrás de um monitor, criando narrativas miseráveis que a todos envergonham.”

Foram vários os adjectivos depreciativos usados pela vereadora socialista sobre o assunto, desde “desnorte” a “incapacidade de avaliar os assuntos”, à “fragilidade como que tenta defender o mandato que lhe foi atribuído” e acusando-o de “degradação do exercício da actividade política e já devia ter colocado o cargo à disponibilidade, porque é lamentável a sua ação política no Montijo”.

Considerando que o vereador protagonizou “um ataque inigualável às instituições montijenses, colocando-as em causa para se dar a conhecer à comunidade da pior forma possível”, Sara Ferreira frisou que “todos nós devemos muito às associações do Montijo e a todos os que estiveram ao serviço destes”.

A vereadora explicou depois o processo que envolve o terreno do clube, bem como as tentativas realizadas para realojamento da pessoa e respectiva família, através dos serviços sociais e do clube.

“Os responsáveis do Clube chegaram a pagar dívidas de água e de electricidade da senhora, e até se oferecerem para lhe pagar um ano de renda numa casa, para ela e a família terem tempo para procurar resolver a sua situação, que tem acompanhamento social desde 2008, com apoio alimentar e jurídico.”

Segundo Sara Ferreira “a pessoa em questão não aceitou outros apoios e chegou mesmo a cancelar atendimentos com os serviços. A situação está sinalizada à Segurança Social, mas os rendimentos auferidos pelo agregado familiar não lhe dão direito a mais apoios.”

A vereadora relembrou ainda uma “ação conjunta que teve lugar no dia 4 de Março, com a presença da direção do clube, do presidente da Junta, serviços sociais da Câmara e da GNR, e ficou acertada a procura de casa por parte da D. Alda até ao final de Março, após um longo trabalho para a convencer. E aparentemente tudo indicava que tudo ia ser resolvido, até que o vereador João Afonso resolve intervir e a senhora fica convencida que irá ter agora uma casa por passe de magia.”

Acusou o vereador João Afonso de “andar a brincar com a vida das pessoas e as suas fragilidades, desta vez de forma gravíssima e será sobre si que irá cair a responsabilidade de resolver a situação, quando devia ter tido o cuidado de pedir esclarecimento e avaliar o impacto da sua triste e lamentável triste curta-metragem. Fica claro o lamaçal em que o PSD-CDSPP se move no Montijo.”

Sara Ferreira lamentou ainda que “estejamos aqui a perder tempo a repor a verdade sobre os seus actos, a tentar resolver um assunto que estava encaminhado, quando devíamos estar unidos para combater problemas da pandemia.”

«A política é uma coisa séria e não para brincadeiras e filmes»

Também Nuno Canta interveio para afirmar que “perante estes desmentidos, o vereador João Afonso não tem condições políticas de continuar e devia pedir imediatamente a demissão, o que faria se fosse uma pessoa séria e capaz”.

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E as críticas por parte do presidente continuaram. “Com estas questões arrasta todos os eleitos desta Câmara Municipal para o lamaçal que criou, não se trata de uma pessoa sem formação que faz isto por ignorância, estamos a falar de um advogado.

Devia pedir desculpa a toda a gente, para dignificação desta Câmara Municipal, de toda a gente e do PSD/CDS-PP, após ter colocado em causa uma instituição que tanto fez pelo concelho e depois de décadas de tentar resolver a situação do terreno.”

Nuno Canta incitou ainda João Afonso a “ter vergonha daquilo que disse na curta-metragem” e declarou ter “vergonha como presidente da Câmara Municipal de ter um vereador como o senhor, porque não é digno de ser vereador. Se isto fosse com outro qualquer dos vereadores, tenho a certeza de que colocariam o seu cargo à disposição, porque é assim que se comporta uma pessoa de bem.”

Num tom mais conciliatório, apelou ainda a que “sem confirmar as coisas, não se deixe enganar pelas pessoas, e procure saber junto das instituições a verdade”, exortando-o “a demitir-se do seu cargo, porque a política é uma coisa séria e não para brincadeiras e filmes de mau gosto e péssimas consequências.

O que fez é aproveitamento político, a indignidade total do ser humano, da política e do cargo de vereador. Isto tem de ter consequências políticas, ou admita que errou e peça desculpa, porque o povo do Montijo não se esquece destas coisas e é capaz de avaliar como se faz política, em que não pode valer tudo, tem de haver regras e o respeito pelas pessoas e pelos nossos pares.”

Em resposta às acusações, João Afonso declarou que “se os vereadores do PS usassem a energia posta no ataque pessoal à minha pessoa e ao PSD, já tinham resolvido muita coisas no concelho” e reiterou que “preocupa-me a condição inumana em que a senhora vive e todas as reuniões que fizeram não chegaram para resolver essa situação, de alguém que não tem acesso a água, luz e casa-de-banho há dois anos, e ao lado está a ser construído uma estrutura desportiva de vários milhares de euros. Nem os animais vivem assim. Quanto à demissão, o presidente quer que eu saia, mas vou continuar por cá.”

Em resposta Nuno Canta reiterou que “se está tão preocupado porque não arranjou uma casa para a senhora? Mas opta por fazer filmes sem se inteirar da realidade. O senhor não tem dignidade para ocupar o cargo. Qualquer outro vereador teria marcado uma reunião com o presidente e ouvia a versão, de um caso que nunca foi desacompanhado.”

Presidente do Sarilhense explica situação

No período aberto à população interveio Tiago Fernandes, presidente do Juventude Futebol Clube Sarilhense, que contestou as afirmações realizadas por João Afonso no referido vídeo.

“Fui confrontado por vários sarilhenses sobre o vídeo e fiquei muito chateado, porque estão a entrar por caminhos que não posso aceitar.

Foram ditas várias mentiras no vídeo sobre a Direção do clube da minha aldeia, na qual trabalho há anos como voluntário, e onde temos lutado há anos por um projecto desportivo que está finalmente a avançar, depois de anos a lutar juridicamente pelo terreno de 16mil m2 do qual agora temos usufruto vitalício e onde vamos instalar dois campos de futebol, e quatro de paddel, que vão poder ser alugados e trazer verbas ao clube.”

Sobre a situação da D. Alda, Tiago Fernandes frisou que “temos uma situação social no espaço, e que há anos tentamos resolver da melhor maneira, e com a Câmara Municipal e assistentes sociais, para encontrar uma solução.

Tivemos de pagar valores exorbitantes de água porque usavam o contador do campo para regarem as coisas, e usavam seis aquecedores em casa, com os valores da EDP a reverterem para o Clube.”

Tiago Fernandes explicou ainda que “são pessoas que têm rendimentos sociais, têm os medicamentos e alimentos fornecidos por particulares e pela Junta e por isso não querem sair dali. Se não têm água é por causa das dívidas, mas têm um gerador para electricidade, e tivemos de fechar os balneários porque os usavam para guardar ferro-velho, e o mesmo fazem no campo, para onde levam lixo e animais.”

O presidente do Clube referiu ainda que “já estamos a pagar as dívidas ao SMAS e à EDP, quisemos colocar um dos irmãos, que sofre de cancro, numa instituição e ela não deixou para não perder a pensão deste. Fizemos à nossa custa um anexo, para albergar outro irmão, que vivia debaixo de uma capoeira. Se estão naquela situação é porque querem.”

Lamentou ainda que “o vereador tenha usado isto para campanha política, em vez de se centrar no que conseguimos alcançar com a obra que estamos a fazer, que irá trazer beneficio para Sarilhos e para o concelho, nem foi perguntar ao clube o que já foi feito para ajudar aquela família”.  

Ainda no período aberto à população o munícipe André Ribeiro questionou sobre a conclusão dos acessos a alguns bairros após a construção da ciclovia, com Nuno Canta a responder que “a situação ficará resolvida em breve”; e sobre o protocolo com a Repsol para o arrelvamento do campo do Estrela Futebol Clube e de atribuição de duas ambulâncias para os bombeiros, ao que o presidente respondeu que “estão a decorrer os trabalhos preparatórios para o arrelvamento, e as duas ambulâncias já foram entregue às duas Associações Humanitárias”.

A vereadora Ana Baliza (CDU) apresentou duas reclamações de munícipes ligados a espaços verdes, e sobre um pedido de reunião com os serviços por parte de representantes do STAL “para tratar dos temas de subsidio de risco e penosidade e gestão peticionária”, ao que a vereadora Maria Clara Silva (PS) explicou que “foram solicitadas reuniões pelo SINTAP e pelo STAL sobre esses assuntos, mas devido ao confinamento não pudemos reunir e enviámos a nossa proposta  a ambos, aguardando agora as respectivas respostas”.

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