Opinião

Vai o BE somar finalmente esquerda à esquerda ou continuar a estender o tapete vermelho ao PS nas Autárquicas de 2021 em Setúbal?

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Nas suas cerca de duas décadas de existência o BE (Bloco de Esquerda) continua sem conseguir definir e afirmar no terreno um projeto autárquico que possa ser reconhecido como tal e corresponder aos interesses e necessidades das populações.

Pior do que isso, nos últimos anos, ao invés de investir na unidade à esquerda e no apoio a políticas e projetos autárquicos alicerçados no desenvolvimento sustentável, promovido com competência, honestidade e com muito trabalho em prol das populações… tem apostado quase sempre, sobretudo na AML e na Península de Setúbal, na confrontação estéril com a CDU e no estender do tapete vermelho ao PS…

Como se o BE sofresse de algum tipo de “complexo de édipo” em relação ao PCP, como ainda muito recentemente pareceu transparecer em sede de votação do OE na generalidade e do decreto de mais um estado de emergência. Como se precisasse de mostrar a alguém que é diferente…

A última vez que um dos partidos constitutivos do BE, a UDP, se disponibilizou para juntar esquerda à esquerda foi em 1993 (repetindo a experiência de 1989)…em que elementos da UDP integraram listas e foram eleitos em vários concelhos no quadro da CDU. Foi assim também em Alcochete e no Montijo.

Admitindo que uma plataforma autárquica comum CDU/BE se afigure ainda difícil no plano nacional, não faria sentido equacioná-la, com sentido de responsabilidade, nas autarquias onde a articulação entre estas duas importantes forças políticas de esquerda poderia consolidar e reforçar importantes projetos autárquicos em curso e oferecer, noutros concelhos e em conjunto, uma alternativa credível à política de gestão dos interesses, protagonizada muitas das vezes também por gente eleita nas listas do PS?

Para não nos diluirmos no espaço e no abstrato, centremos o nosso olhar sobre os Municípios da Península de Setúbal, mormente nos quatro Municípios desgovernados por maiorias do PS, desde logo no Montijo onde urge oferecer aos montijenses uma alternativa credível à incompetente e desgraçada gestão do PS, em maioria há mais de duas décadas e onde se torna evidente que uma articulação política à esquerda poderia mudar de vez essa situação.

Mas também em Alcochete onde o PS afunda o Município em coligação assumida com o CDS e onde, não obstante o BE não ter apresentado ultimamente listas para os órgãos autárquicos, a sua articulação com a CDU poderia ajudar no tão necessário regresso ao futuro…

Pela grande proximidade e intensa interatividade dos respetivos territórios e populações, um acordo específico nestes dois concelhos afigura-se tanto mais viável porquanto os respetivos simpatizantes, militantes, dirigentes e autarcas locais vivem uma boa tradição de diálogo profícuo e de respeito mútuo.

Uma plataforma comum específica de esquerda poderia ser igualmente encontrada para os concelhos do Barreiro e Almada, para derrotar os projetos nefastos do PS, apoiados sobretudo na muleta do PSD…

Um acordo que poderia permitir inclusivamente, a prazo, uma articulação regional global de esquerda na Península de Setúbal.

O modo e o tempo da sua concretização poderiam ser perspetivados inclusivamente de uma forma faseada, com experiências piloto a avaliar: só para Alcochete/Montijo e/ou também para Almada/Barreiro…alargando-se depois aos demais concelhos da região.

Como fazê-lo no concreto? Por certo que as respetivas direções políticas saberão encontrar o modelo mais adequado para uma plataforma de unidade de esquerda alargada, em benefício de uma política e de uma gestão balizada por princípios de honestidade e de competência, que mantenha o desenvolvimento sustentável dos territórios e a satisfação das necessidades das populações no centro das suas atenções e prioridades.

A composição das listas poderia partir dos resultados eleitorais autárquicos últimos, com definição e distribuição equitativa dos lugares elegíveis e de crescimento…e materializar-se efetivamente através da integração de elementos do BE nas listas da CDU enquanto independentes, tal como ocorreu em 1989 e 1993 no quadro do acordo CDU/UDP, ou reformulando a CDU nestes concelhos, com o BE formalmente na coligação, valorizando sempre a marca política de reconhecido prestígio que a sigla CDU já representa junto das populações no exercício do Poder Local Democrático, numa versão do género “CDU/E (Coligação Democrática Unitária e de Esquerda)” ou “CDE (Coligação Democrática de Esquerda)”.

Naturalmente que esta solução política só poderá alguma vez ver a luz do dia se as direções políticas de ambas as formações estiverem disponíveis para a evolução do diálogo democrático à esquerda e para a inovação das soluções políticas a apresentar às populações, assentes incontornavelmente numa base programática progressista e no combate, firme e consequente, à política de gestão dos interesses (económicos, pessoais e de grupo) promovida muitas vezes também pelos eleitos do PS em diversas autarquias do país, ora aliados à direita ora, infelizmente e por vezes também, com o beneplácito do BE…

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