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Utentes em concentração na defesa do serviço público de transportes

Utentes dos transportes públicos deixam exigências à AML, Governo e Câmara Municipal de Almada

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A concentração promovida pela Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, na passada quarta-feira, reuniu cerca de uma centena de utentes em defesa do serviço público de transportes.

Nesta concentração, as intervenções dos utentes abordaram os problemas dos transportes rodoviário, fluvial e ferroviário, exigindo o reforço do investimento no setor e o aumento da frequência dos transportes nas horas de maior procura,

O Coordenador Nacional da FECTRANS (Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações), presente na iniciativa, abordou as questões dos trabalhadores dos transportes, recordando que sem trabalhadores não existe sistema de transportes.

No final da iniciativa foi aprovado um Manifesto que será apresentado à Área Metropolitana de Lisboa, aos Grupos Parlamentares e ao Governo.

MANIFESTO PELO DIREITO À MOBILIDADE

«A população de Almada está exposta a uma série de constrangimentos comuns a muitos outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa em termos de transportes públicos.

Cais degradados, frota insuficiente, falta de profissionais, abandono de linhas e percursos e redução de horários.

Estes constrangimentos têm impactos diretos na vida das populações com a perda de tempo que poderia ser usado para o descanso, o lazer ou em família.

A   crise   de   saúde   pública   que   atravessamos   agravou   estes   problemas,   pois   veio   acrescentar exigências   na   higienização   dos   espaços   e   no   distanciamento   físico.   Exigências   às   quais   os operadores de transportes públicos não têm dado resposta.

Referindo   sumariamente   a   situação   no   concelho   de   Almada,   existem   muitas   questões   por resolver.

Em termos de transporte fluvial, o serviço da Transtejo continua a ser prestado pelas mesmas embarcações   de   há   trinta   anos,   continuando   sem   higienização   dos   espaços   entre   viagens(desconhecendo se são higienizadas diariamente). Também os 10 novos barcos continuam sem chegar, após terem sido sucessivamente anunciados e o concurso para a sua aquisição anulado.

As obras nos cais de embarque tardam a ser feitas e a retirada das coberturas de fibrocimento continua a  ser  adiada.  O  cais  da Trafaria continua ainda a  apresentar  problemas estruturais, agravando-se o perigo de ruir.

Em termos de transporte ferroviário,   temos   um   serviço   da   Fertagus   que   necessita   de   ser reforçado com mais composições e uma maior frequência nas horas de ponta, para garantir o distanciamento físico. No  Metro Sul do Tejo,   continuamos   com   composições   que   produzem   imenso   ruído,   com impactos nas populações que residem junto à linha do Metro. Este transporte, estruturante para a margem Sul do Tejo, necessita de crescer para as fases 2 e 3 do projeto inicial e para a extensão à Costa da Caparica, de modo a servir melhor o concelho de Almada e a potenciar a diminuição do uso do transporte individual.

Em termos de transporte rodoviário, temos uma situação há vários anos calamitosa, provocada pela diminuição de ligações e de frequências, com a retirada de circulações após as 19 horas e o desrespeito pelo cumprimento de horários.

Acresce, o envelhecimento da frota e a política dos TST em adquirirem, na sua esmagadora maioria, veículos usados. Estas situações agravaram-se com a crise de saúde pública, sendo escandaloso que tenha sido permitido à TST a manutenção do Layoff após o Estado de Emergência, quando a empresa colocou os motoristas em casa e os autocarros na garagem, os horários deixaram de estar disponíveis e foram sendo repostos «aos bochechos» e de um dia para o outro, deixando os utentes sem saber com o que podiam contar para ir para o trabalho no dia seguinte.

Os avanços alcançados com a criação do Passe Intermodal não podem ser colocados em causa.

A aprovação do Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes (PART) foi o momento mais marcante das últimas décadas no que diz respeito ao sistema de transportes públicos, mas também no que se refere às medidas de combate à emissão de gases com efeito de estufa e à melhoria das condições de vida das populações. Permitindo o aumento do número de utentes, a redução do número de circulações em veículos particulares e a poupança de dezenas de euros nos orçamentos familiares.

Os transportes públicos não podem ser sinónimo de incerteza e de insegurança, é necessário investir no sistema de imediato! Os utentes não podem ficar à espera da conclusão do concurso dos quatro lotes da Carris Metropolitana, no final de 2021. É necessário garantir que os utentes conseguem respeitar o distanciamento físico, que os horários são adequados às necessidades e cumpridos pelos operadores.

Os municípios, e neste caso o Município de Almada, têm responsabilidades nestas matérias, não só como Autoridades de Transportes, mas também como membros da Área Metropolitana de Lisboa (na qual delegaram as suas responsabilidades). Os municípios são ainda representantes dos seus munícipes, devendo colocar ao Governo, às entidades do Poder Central e às empresas o sentir, as dificuldades e as propostas para resolução dos problemas dos seus munícipes.

Assim,   reunidos   a   16   de   setembro   de   2020,   requeremos   à   Câmara   de   Almada,   à   Área Metropolitana de Lisboa e ao Governo:

  1. O imediato aumento da frequência em todos os transportes públicos nas horas de maior afluência, de modo a garantir as condições necessárias ao cumprimento do distanciamento físico;
  2. A fiscalização da higienização efetuada pelas empresas de transportes às composições, navios e autocarros;
  3. A   rápida   execução   das   obras   necessárias   nos   Cais   da   Transtejo   para   a   remoção   das coberturas em fibrocimento e a resolução dos problemas estruturais no cais da Trafaria;
  4. A urgente e eficaz resolução do ruído provocado pela circulação do Metro Sul.»

Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul

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