Opinião

Uma falha escandalosa: interrupção da ligação entre o Seixal e Lisboa

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No final do mês de outubro a Transtejo informou que a ligação fluvial entre o Seixal e o Cais do Sodré irá permanecer suspensa durante, pelo menos, 45 dias. O motivo apontado foi a necessidade de uma intervenção no cais fluvial do Seixal, com o intuito de melhorar as suas infraestruturas.

O anúncio oficial, ainda que tenha sido feito com a devida antecedência, penso que não tenha sido suficientemente publicitado, fazendo com que os utentes regulares deste meio de transporte só se apercebessem desta inconveniência a poucos dias da interrupção da ligação.

Apesar de ter sido estabelecido como medida de colmatação um reforço do transporte rodoviário entre o Seixal e Cacilhas, mencionado no comunicado da Transtejo, parece-me impensável que, numa época de pandemia e com o crescente número de casos nos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, a empresa cesse as ligações de barco. Esta obra representa um acréscimo de utilizadores dos transportes ferroviários e rodoviários que, consequentemente, contribui para o aumento dos aglomerados nos transportes públicos. Deste modo, esta interrupção parece-me claramente constituir um dano para a saúde de todos.

Até considero que os motivos para a realização da obra são compreensíveis e que, caso esta não acontecesse, as pessoas poderiam ficar em risco, no entanto, note-se que diariamente cerca de 2500 usuários deste meio de deslocação, utilizam esta plataforma, pelo que considero que a intervenção poderia ser efetuada de forma faseada, para não causar tanto transtorno a este elevado volume de passageiros e para evitar uma sobrecarga de outros meios de transporte nas ligações Seixal-Lisboa/Lisboa-Seixal.

A má gestão da obra não depende somente da empresa, mas também do poder local que, regularmente, fecha os olhos a incidentes como este e que não se compromete em arranjar soluções em prol do seu concelho. Como se tal não bastasse, o Ministério do Ambiente, que tem a tutela da Transtejo, também não apresentou qualquer alternativa para os seixalenses e demais utilizadores.

Para além disto, a Transtejo não indicou uma data concreta para previsão da conclusão da obra, afirmando apenas que irá durar, pelo menos, 45 dias, repito, prazo este que todos sabemos que muito provavelmente não será cumprido.

Por fim, vínculo o facto desta obra não se poder tornar, de forma alguma, em mais um dos pontos de partida e inicio de cadeias de transmissão, para o aumento do número de casos de COVID-19 no concelho do Seixal, reiterando a necessidade de que o trabalho seja breve, para que a ligação possa ser retomada assim que possível.

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