Opinião

Uma Bazuca contra a corrupção

Uma crónica de João Paulo Alves.

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O plano de recuperação e resiliência económico europeu no orçamento plurianual 2021-2027 conta com 45 mil milhões de euros para Portugal ao longo desses sete anos, uma média aproximada de 6,43 mil milhões de euros por ano.

No seguimento de propostas de PAN e IL para uma maior transparência da gestão deste dinheiro, António Costa afirmou: “já está a ser trabalhado um portal que permita agregar de forma transparente, clara e em tempo real todo o fluxo relativo aos fundos comunitários”, porém não só o portal ainda não foi criado como o mesmo António Costa tentou fazer passar a Bruxelas uma versão do PRR antes de existir em Portugal uma discussão preliminar do mesmo ou de este se encontrar sequer publicado para consulta. O plano foi publicado mas somente após a ocorrência deste episódio.

Temos de nos recordar que segundo Álvaro Santos Pereira o governo tentou tirar a palavra “corrupção” do relatório da OCDE, e que despediu por telefone o presidente do Tribunal de Contas, após auditorias que em nada favoreciam o poder central e local nas decisões tomadas.

Um relatório apresentado pelo grupo Os Verdes/Aliança Livre Europeia em Dezembro de 2018 revela que a corrupção custa a Portugal 18,2 mil milhões de euros por ano (7,9% do PIB português), este valor é quase 3 vezes superior à bazuca europeia, porém, não existem medidas concretas a serem tomadas no combate à corrupção em Portugal, apesar de o relatório da OCDE mencionado acima já indicar medidas que o podem fazer.
 
O valor da corrupção em Portugal equivale praticamente à produção de 5 Autoeuropas, 3 bazucas europeias, cada português perde em média um valor aproximado de 1800€ por ano para a corrupção.

Entendo a importância da “bazuca” europeia para revitalizar a economia após a pandemia, no entanto, os números mostram que Portugal e os portugueses tinham muito mais a ganhar se em vez de estarmos à espera da bazuca europeia, apontássemos a bazuca à corrupção que grassa em território nacional.

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