Opinião

Uma arma chamada filhos

Como psicoterapeuta e terapeuta familiar, trabalho muito com a situação de divórcio, nomeadamente o impacto do mesmo nos filhos, a comunicação da decisão dos pais e o modelo de residência que melhor serve, o verdadeiro, superior interesse das crianças e adolescentes.

Neste contexto, de rutura conjugal, tenho conhecido a expressão da raiva, da dor e, infelizmente, a necessidade de vingança quando o divórcio não é desejado pelos dois.

Não são os divórcios que traumatizam os filhos, são os maus casamentos. É o stress na família, são os silêncios e as agressões. A ausência de expressão de afeto e a perceção das mentiras.

As crianças precisam de pais felizes, em uma ou duas casas, arrisco dizer que tanto faz! Desde que haja amor e respeito, os filhos entendem e aceitam as decisões dos pais e confiam nas mesmas.

Nestes mais de 20 anos de prática clínica, tenho constatado que os filhos são, amiúde, utilizados como arma para ferir o outro. Pais cegos pelo despeito e incapacidade de realizar o luto conjugal, usam as crianças para ferir e tentam também aniquilar ou prejudicar a relação das mesmas com o outro cônjuge e a reconstrução da sua vida amorosa. O boicote estende-se assim à possibilidade de os filhos abraçarem novas famílias, as ditas reconstruídas.

Os consultórios e as salas do Tribunal de Família e Menores são assim palco de verdadeiras batalhas, onde imperam o desrespeito e a surdez aos apelos, por vezes desesperados, dos filhos.

Conjugar a parentalidade com o verbo “Ser” e não com “Ter” será uma ferramenta importante para evitar estas situações. Reconhecer que o fim da relação conjugal em nada deve interferir com a parentalidade e com a manutenção de ambos na vida das crianças, afigura-se como outro ingrediente muito importante.

Não se esqueça que o que acontece na infância não fica na infância…não use os seus filhos como arma! Proteja-os! Às vezes de si mesmo e das suas dores…deixe-os voar e amar livres!


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