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Tourada sem sangue à portuguesa na Califórnia não é consensual

Em plena época tauromáquica, é no Verão que em Portugal e Espanha se multiplicam os eventos que mais dividem a sociedade entre os que defendem e os que repudiam as touradas.

Os argumentos de ambos os lados são vários, desde a «defesa da cultura» até à «defesa do bem-estar animal» relativo ao touro e aos cavalos durante a tourada.


Embora em Portugal apenas em Barrancos continue o ‘touro de morte’, um dos motivos de contestação contra as touradas é a utilização das bandarilhas, que espetadas na zona lombar do touro e que lhe provocam sangramento.

Para os aficionados isso é um dos pontos de interesse das touradas, para os anti-touradas, é a prova de que o animal sofre.

E se as touradas pudessem ser feitas sem sangue? Esta é também uma discussão com largos anos, mas os portugueses que emigraram para a Califórnia, e os seus descendentes, parecem ter encontrado uma resposta para essa questão, uma vez que neste estado dos EUA não é permitido ferir animais em espectáculos.

Em Turlock, uma pequena cidade que atraiu os emigrantes oriundos dos Açores no início do século XX, a festa brava só começa quando soa ‘A portuguesa’.

Os passos são semelhantes aos que são dados em centenas de arenas por todo o mundo, um potente touro investe contra o homem da capa vermelha, que empunha a bandarilha, que num passe, lhe coloca no lombo.

Mas ao contrário de todas essas outras praças, nesta nem uma gota de sangue escorre pelo corpo do animal, e o povo aplaude ao som da música contínua.

A diferença neste caso é que as bandarilhas possuem velcro nas pontas, em vez de farpas, e aderem à almofada que os touros carregam nas costas.

A tradicional tourada foi inserida na Califórnia por António Mendes, ex-presidente de uma associação religiosa em Turlock, que contribuiu também para a criação de uma linhagem de gado de combate, considerando a variação da prática.

«Somos portugueses e faz parte do nosso modo de vida, sobretudo na ilha (dos Açores), de onde venho, diz António Mendes ao jornal peruano El República.

Nesta parte da Califórnia, a cultura e a língua são tão vivas que muitos dos espectadores da tourada passam do português para o inglês quase automaticamente.

«É natural para mim. Muitas pessoas aqui falam português diariamente», refere José, um homem de 30 anos que veio ver os touros na companhia dos amigos.

Nestas arenas também não faltam os tradicionais forcados, conhecidos como «a brigada suicida», e que nestas arenas enfrentam touros com cerca de 400 quilos, menos entroncados que os usados nas touradas em Portugal e Espanha.

No entanto, também na Califórnia, a tourada sem sangue não é consensual, conforme refere ao periódico João Soller García, aficionado desde o nascimento, comenta que gosta de bovinos e da variação californiana, mas «comparando com Portugal, aqui é um pouco mais perigoso porque o touro não está ferido e apresenta-se em toda a sua força».

«Infelizmente esta é apenas uma imitação, mas é o melhor que podemos fazer», diz Maxine Sousa-Correia, cuja família cria gado, especialmente para touradas, desde a década de 1970, na Califórnia. «Não estamos a fazer justiça ao animal, porque é para isso que serve essa raça», reclama.

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«Deveria ser como em Portugal, mas não podemos porque estamos nos Estados Unidos e aqui eles não apreciam arte», diz o marido, Frank Correia.


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