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‘Tortura Não É Cultura’ reúne cidadãos em vídeo contra tauromaquia

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Sob o lema ‘Tortura Não é Cultura’ o vídeo com cerca de 6 minutos e meio reúne «vozes de todas as idades e de todas as classes sociais contra as touradas em Portugal» conforme refere a nota que acompanha as imagens.

Ao Diário do Distrito, Mariana Branco, que dinamizou a ideia a par com Pedro Garcia, explicou que “o ‘combustível’ para a realização deste vídeo foi, não só os eventos ocorridos nos últimos tempos por parte da grupeta pró-tauromaquia (o acorrentamento de aficionados à porta do Campo Pequeno, a realização de eventos ilegais em herdades privadas com patrocínios indevidos, a manifestação, entretanto adiada, em prol da tauromaquia, entre outros…), mas acima de tudo o vídeo que andou a circular pelas redes sociais com a palavra de ordem ‘cultura não se censura’.”

Segundo Mariana Branco “essa mensagem faz uma analogia perversa, que soa bem aos ouvidos dos mais distraídos, entre a tauromaquia e a cultura (que para nós é, evidentemente, como juntar azeite e água)”.

Em relação ao processo, referiu que “começámos a recrutar mini-clips entre amigos no sábado, e estabelecemos um prazo até essa segunda-feira, sendo que quando o dia chegou, tínhamos recebido cerca de meio milhar de participações (que compreensivelmente não foi possível incluir no vídeo-resposta final, tendo acabado por ser feita a selecão dos clips aleatoriamente).”

Aquilo que era algo «caseiro» depressa tomou outras proporções “e depois de segunda-feira continuámos a ser contactados por pessoas que queriam saber se ainda iam a tempo de participar ou como poderiam ajudar a acabar, de uma vez por todas, com a anormalidade que é a tauromaquia”.

Não tendo nenhum dos membros da organização experiência em edição digital Mariana Branco explica que “foi tudo realizado num registo caseiro, mas muito apaixonado pela causa.

Somos cada vez mais portugueses contra a aberração que é esta indústria, uma indústria com práticas clandestinas, sujas e perigosas, que não passam, de todo, apenas pelo que acontece nas praças de Touros, e a prova disso são todas documentações públicas, feitas pelos próprios, de actividades “extra-curriculares” como a lide de vitelos com poucas semanas de vida, o “bull-baiting”, a lide com canas em que perseguem e espetam lanças no cachaço dos touros só porque estavam aborrecidos nessa tarde, entre outros.”

Mariana Branco denuncia ainda outras práticas “antagonistas do bem-estar animal, que não envolvem propriamente o recurso a bovinos, a título de exemplo, o que se passou recentemente com os galgos do cavaleiro João Moura.

São pessoas claramente perturbadas, que exercem barbaridades ‘à vontade do freguês’, de forma ilegal e sem qualquer tipo de fiscalização. Por isso, além dos motivos mais que óbvios, é absolutamente ofensivo compararem-se a artistas culturais, que têm toda uma panóplia de burocracias a que responder para o poderem ser.”

Outra crítica de Mariana Branco vai “esta associação tauromaquia-artistas culturais é só mais uma estratégia falhada e desesperada de tentar incluir esta prática obscena num grupo socialmente bem-visto, isto porque é impossível promover a tauromaquia de outra forma.

Estes trocadilhos, manhosos e sujos são a única fonte de oxigénio da tauromaquia ‘extra-familiar’, e de resto são sempre os mesmos tios, tias, primos, primas e presidentes de juntas – que preferem gastar o dinheiro dos seus munícipes a recuperar praças de touros e a fazer rotundas alusivas à tauromaquia, a assistir as carências preocupantes dos seus locais (veja-se o distrito de Setúbal).”

Perante a adesão a este desafio, fica na calha a elaboração de um novo vídeo com as restantes colaborações que foram enviadas.

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