NacionalOpinião

Tens nas tuas mãos Portugal

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Pela bravura daqueles que o mundo descobriram saídos de Portugal, por aqueles que enfrentaram as tormentas dos mares navegados, a incerteza do desconhecido, o medo do mostrengo. Pelo intelecto daqueles que da pena nos fazem sonhar e navegar pela história, aqueles que através da nossa língua, globalizaram o mundo. Pela inspiração daqueles cuja poesia relata com verdade os feitos dos portugueses.

Por todos esses valorosos Homens da nossa história é imperativo que não voltemos as costas ao nosso desígnio: Portugal. Palavra pequena que seja, carrega em si uma história de 900 anos. História que que nos engrandece pelos feitos e conquistas. Palavra que emana de si bravura e conhecimento, aventura e progresso. Palavra que responsabiliza os desta terra herdeiros.

O desígnio de uma nação é medido pelas suas gentes, pelos seus feitos, sonhos e ambições. É por estas, pela sua bravura, pela sua vontade, pelo seu empreendimento e vontade de ir além. É nos ombros destas que segue o futuro de Portugal.

O cumprimento deste desígnio tem responsabilidade em todos nós, sobretudo em nós jovens. Nós que com uma vida pela frente podemos cumprir aquilo que nos é pedido; nós que pelo desprendimento que nos é inerente sabemos como enfrentar tormentas; nós que pela ambição natural que temos, não poupamos em projectos; nós que pela nossa jovialidade não cessamos de pensar e sonhar um Portugal melhor; nós que pelo nosso espírito crítico não nos cansamos de questionar. Temos nas nossas mãos um Portugal diferente, um Portugal feito à medida dos Portugueses feito daquilo em que ambicionamos ser.

Há, porém, nos dias de hoje mostrengos de outra ordem, há nos dias de hoje muitos outros e diferentes limitadores de sonhos e impedidores de conquistas. Pelas mãos de um Estado que se estende a toda a nossa vida, a sensação dos navegantes dos dias de hoje é de que as velas deste navio não se orientam para bom porto, a sensação dos navegantes mais experientes e capacitados é de que entre os pares que coordenam este navio há um que sem experiência capacidade vai dando ordens, que não se preveem bem sucedidas. Há entre os aprendizes deste navio, o sentimento generalizado que o bem comum que o capitão fala é apenas o bem de alguns, é apenas o bem de uma cúpula restrita. Há o sentimento generalizado nos marujos desta embarcação que o elevador social está estagnado. Há entre estes marinheiros o sentimento que nunca sairão do lugar por muito bem que saibam remar.

Este Estado que pela sua intromissão decide por cada um de nós, regula e regulamenta tudo o que entende, tirando a ambição natural e a decisão individual da equação. Estado este que traça caminhos e vidas sem autorização nem propriedade. Há nessa autoridade um elemento castrador da ambição natural do povo Português, há uma vontade viciada de fruir do que é produzido, acentuando aquele que é um dos grandes problemas dos nossos tempos: a exploração do Homem pelo Estado.

Desejo e anseio por um Estado verdadeiramente agarrado ao leme, que com propriedade represente a vontade individual de cada Português, com ambição que seja um marinheiro ao invés de um mostrengo. Que responda perante as adversidades capacitando os seus pares e não capacitando-se. Que esteja no leme a ouvir os marinheiros, que não navegue à vista, mas que seja orientado pelos Homens nos mastros. Que se capacite no unicamente necessário. Um Estado que não procure estar presente em tudo o que é a vida do navio, mas sim que se cinja ao essencial, na condução dos seus homens e mulheres a bom porto.

Nós que a partir desta ocidental praia Lusitana projectamos Portugal para o mundo, merecemos e desejamos um Estado diferente. Nós que seguindo a onda da globalização somos verdadeiros embaixadores de Portugal por onde passamos; nós que acreditamos que ser português é um currículo imensurável; nós que somos inexplicavelmente patriotas e que vemos o patriotismo não como a superioridade de uma nação a outra, mas como a verdadeira diferença enriquecedora entre as nações; nós que vemos o efeito da globalização não como uma uniformização do globo, mas sim como uma apresentação ao mundo daquilo que somos cá.

Em nós está Portugal.

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