Tarde ‘quente’ na reunião camarária do Montijo

Numa tarde quente, nem o ar condicionado na sala de reuniões refrescou os ânimos durante a reunião camarária no Montijo.

0
284
Tempo de Leitura: 5 minutos

Na reunião camarária desta semana no Montijo, o presidente Nuno Canta apresentou uma declaração política sobre a aprovação da Agência Portuguesa do Ambiente de conformidade do Estudo de Impacte Ambiental sobre o novo aeroporto no Montijo, da qual está a decorrer a discussão pública.

“Vivemos um tempo novo e singular no Montijo, e o nosso desafio político e preocupação é para com o ambiente e a gestão do território, garantindo um desenvolvimento sustentável e o bem-estar das populações.” O edil apresentou depois os elementos estruturantes do projecto para o concelho, bem como as novas ligações de mobilidade, como medidas de compensação.

A vereadora Ana Baliza (CDU) relembrou que “a posição da CDU é diferente dessa visão, e o EIA levanta questões relacionadas com os ruídos e problemas ligados com a segurança da navegação aérea”, ao que Nuno Canta respondeu que “temos de acreditar no conhecimento científico para ultrapassar todas essas questões, uma vez que estes estudos são realizados por técnicos certificados. Nunca deixamos de dizer que haverá impactos negativos, mas muito mais aspectos positivos.”

‘Curtas-metragens nas redes sociais’

A discussão da tarde surgiu depois da declaração política da vereadora Sara Ferreira (PS) na qual acusou o vereador João Afonso de “falar por falar, para não estar calado, com demagogias e contribuindo com isso para a quebra de confiança entre os eleitos e a população” relativamente às declarações do eleito pelo PPD-PSD/CDS-PP na reunião camarária de 14 de Julho, acerca da Biblioteca Municipal Manuel Geraldes da Silva, apresentando depois uma extensa lista das iniciativas e dos indicadores de utilização do espaço cultural.

Sara Ferreira acusou o vereador de “ter uma lamentável posição ao apresentar, depois das declarações na reunião camarária, curtas-metragens nas redes sociais a defender os trabalhadores municipais, os mesmos que antes dizia serem demais, sem ter noção do tipo de trabalho que é desenvolvido nesta Câmara Municipal”, confrontando ainda o eleito para “me dizer olhos nos olhos quando é que eu coagi algum funcionário para não falar consigo. Com essa postura não serve os montijenses mas serve-se apenas a si e não sabe o que diz, querendo tirar dividendos para a sua ascensão dentro do seu partido. O executivo PS exige-lhe que apresente provas do que diz, nomeadamente as acusações sobre as nomeações.”

Em resposta, João Afonso referiu que “assinalo que segue os meus vídeos, mas a sua opinião não tem grande peso para mim. Relativamente ao serviço prestado pela Biblioteca Municipal é a minha opinião, de alguém livre, ao passo que a sua é a de uma funcionária política e vale o que vale.”

Segundo o vereador da oposição “o pelouro da Cultura vive um dos momentos mais negros da história do concelho, com uma vereadora e um chefe de serviço sem capacidade para o efeito, e chefes de divisão nomeados em concursos escusos”.

Durante a sua intervenção, o vereador social-democrata relembrou a situação do do acervo do Clube Desportivo do Montijo e do Cineteatro Joaquim de Almeida “que foram para o ‘buraco negro’ da Montiagri”, declarações que Nuno Canta rebateu.

“Ambas as suas declarações são mentira, estão ambos guardados em espaços valorizados”, explicando que “o acervo do Clube do Montijo estava à guarda do tribunal mercê da falência deste, e do qual a autarquia ficou como fiel depositária. Agora já está à nossa guarda, e foi devidamente inventariado e catalogado, e estamos a ponderar até organizar uma exposição.

Quanto ao espólio do Cineteatro, alguns dos equipamentos únicos até no país, estão lá para apreciação de todos. Mas deixo-lhe o desafio para ir buscar esse espólio a particulares, se é lá que estão. Tem de repensar o seu posicionamento ou teremos de tomar medidas, parece que está num café a falar, é um inconsciente”, lançando depois João Afonso o desafio ao presidente para dizer que “medidas irá tomar”.

O vereador social-democrata apresentou depois “as queixas reiteradas de munícipes relativas à falta de limpeza das ruas no Bairro da Caneira, Rua Professor Nuno Álvares Pereira, Rua da Biologia e Rua das Papoilas. Os serviços de higiene não estão apetrechados com equipamentos suficientes e actuais, estamos ao nível do século XX. Uma Câmara Municipal que não garante a limpeza urbana não dignifica o município.”

Nuno Canta reiterou que “as queixas já são conhecidas dos serviços e são respondidas dentro das capacidades destes e segundo um plano de actividades” admitindo que “temos falta de pessoal e tivemos impedimentos para adquirir novos equipamentos, durante o governo da Troika.

Decorre agora um procedimento para comprar dois camiões de lixo e um outro para compra de mais varredouras mecânicas, e uma série de concursos públicos para serviços externos. Iremos atingir a tal modernidade que já tivemos e que perdemos por via da Troika”, declarações a que João Afonso respondeu com um “pode agradecer isso a José Sócrates”.

Outra queixa de um munícipe, apresentada por João Afonso, foi a falta de vagas no pré-escolar no agrupamento D. Pedro Varela “o que significa uma falta de projeção e planeamento da Divisão de Educação, que não foi capaz de prever o crescimento da população no concelho”.

O presidente respondeu que “estamos em fase de desenvolvimento de procedimento para alargamento da escola do Afonsoeiro com novo pré-escolar, de acordo com a nossa Carta Educativa” e a vereadora Ana Clara Silva (PS) afirmou também ter recebido o email do munícipe sobre a falta de vagas no primeiro ciclo “a quem respondi colocando algumas questões para avaliar a situação  mas ainda hoje aguardo uma resposta”.

Ana Clara Silva lamentou também “as filmagens que o vereador João Afonso fez sobre as escolas, sabe por acaso quanto custa um contentor? O senhor é só conversa, porque não tem factos, tem uma postura que não é honesta e com a qual ofende toda a gente.”

O momento de votação das actas levantou nova celeuma na reunião, quando Nuno Canta referiu que estas tinham sido aprovadas apenas com os votos favoráveis do PS “sem esclarecimentos por parte da oposição”, ao que João Afonso e Ana Baliza ripostaram afirmando que “o PSD e a CDU já explicaram à exaustão o motivo do seu voto”, acrescentando João Afonso que “as actas não reflectem tudo o que é aqui dito pelos vereadores e pelo presidente” e com Ana Baliza a afirmar que “não temos de apresentar uma posição nem tem o presidente de pedir satisfações a cada votação das actas”.

Apoios a colectividades e Bombeiros

Nesta reunião foram aprovados, entre outros pontos, adendas ao protocolo entre a Câmara Municipal do Montijo e a Autoridade Nacional de Protecção Civil para a condições de contratação de elementos para as Equipas de Intervenção Permanente dos Bombeiros Voluntários do Montijo e dos Bombeiros Voluntários de Canha.

Ainda no âmbito de apoio aos bombeiros do concelho, a Câmara Municipal aprovou uma alteração ao contrato de arrendamento de prédio do posto de abastecimento de combustíveis da Repsol, na Avenida de Olivença.

“Prorrogámos o prazo de arrendamento de seis para doze anos, e ao município será entregue por parte da Repsol um campo relvado no Afonsoeiro, e duas carrinhas adaptadas para transporte de doentes às Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários do Montijo e de Canha.”

Outro ponto que foi aprovado foi a aplicação de uma sanção à Meo por falta de cumprimento de instalação de equipamentos, no valor de 3.422 euros, “que pagámos mas nunca vieram a ser instalados”, explicou Nuno Canta.

Foram ainda aprovados apoios financeiros à Associação Recreativa, Cultural e Religiosa do Círio dos Olhos d’Água e às Festas Populares de Nossa Senhora da Oliveira, e contratos-programa com associações desportivas com vista à época desportiva 2019-2020.

Missas causam Transtornos no Afonsoeiro

No período de intervenção da população, interveio Flávia Fonseca alertou a autarquia para a situação que os moradores vivem no Afonsoeiro, devido às cerimónias religiosas que têm lugar num antigo centro comercial.

“Ninguém ali pode estacionar à noite, é um barulho enorme durante a missa e depois que acaba, pelas 22h00, saem cá para fora e ficam horas a falar na rua. A GNR já foi avisada e nada. No outro dia, uma criança saiu de lá a correr e por pouco não foi atropelada, o que depois gerou um enorme rebuliço. Antigamente eram só dois dias por semana, agora são todas as noites.”

Da mesma situação também se queixou Isabel Marques. “Há meses que não sabemos o que é descansar mais do que três horas por noite, para quem como eu se levanta às 6h00 e tenho a minha mãe de 90 anos sem conseguir dormir. Ninguém tem direito de estacionar na rua e muito menos descansar. Todos os dias ligo para a GNR que não aparece, ou só passa horas depois, e nem saem do carro. Não me interessa que me chamem racista, são ciganos que não respeitam quem ali vive, e ninguém faz nada.”

Sobre o assunto, Nuno Canta explicou que “já tivemos outras queixas, tentámos contatar os responsáveis pela igreja e também a GNR para actuarem ali de forma mais consistente. No entanto, perante as vossas queixas, vamos tornar a falar com o responsável da GNR, e quem sabe, com o Comando Distrital.

Da parte da autarquia, iremos ver com a Fiscalização se o espaço tem autorização para aquela função, mas não podemos fazer muito mais porque se trata de um espaço privado. Não se trata de uma questão de racismo mas quem vive em comunidade, tem de ser responsável, não podemos tolerar quem não cumpre com a ordem pública.”

Isabel Marques queixou-se também do facto de “há um ano atrás um cano de esgoto rebentou na minha rua, inundou as caves e eu fui das mais prejudicadas. Na altura a Câmara tomou conta da ocorrência e depois disseram-me que foi lá um técnico fazer um relatório, mas como é possivel se quem tem a chave sou eu e não abri a porta a ninguém?”, afirmando Nuno Canta que iria reabrir o processo e daria conhecimento do andamento deste.

Anabela Antunes queixou-se da falta de limpeza de ervas no Bairro da Boa Esperança, “já nos queixámos há um ano, temos para lá bicharada e ervas e nada tem sido feito”, e questionou também da possibilidade da Festa da Senhora da Atalaia passar a ter alguma classificação, bem como da possibilidade da autarquia auxiliar nas obras da igreja.

O presidente explicou que o espaço do Bairro tem um proprietário “com quem já falámos e que nos garantiu que iria limpar, mas tornarei a falar com ele. Sobre a classificação da Festa da Atalaia, esta já tem a classificação de «Interesse Imaterial Concelhio», mas preparamos uma candidatura à Unesco para «Património Imaterial da Humanidade» tendo em conta que é uma romaria com 600 anos.”

Relativamente às obras na igreja, o edil garantiu que “a Câmara tem sempre apoiado quando nos chegam os pedidos, algo que devia ser feito pela Diocese, mas nunca negámos e exemplo disso são as obras feitas na Igreja de N.S. da Oliveira, em Canha, na de S. Jorge em Sarilhos Grandes e na nossa Igreja Matriz.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Insira o seu comentário
Nome