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Entrevista

«Sou diferente, não sou mais, melhor ou pior que ninguém»

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Como correu o ano de 2018? 

Desde que vim do Rio de Janeiro tem sido um processo de desaceleração da minha vida de atleta. Tive de me adaptar a um ritmo diferente daquele a que estava habituada, que era extremamente acelerado. Voltei a ocupar-me com os meus atletas, com outros cursos e também a outras coisas porque tenho mais disponibilidade.  

Em 2018 fiz o curso de Nível II de alto rendimento em Natação, que me permite dar formação até aos Juvenis, e recebi o convite da Associação de Futebol de Setúbal para dar uma disciplina sobre Metodologia de Treino em Populações Especiais e estou também a dar Pilates e treinos e aulas de natação na Palmela Desporto.  

Este último foi um enquadramento à minha pessoa enquanto atleta, após todos estes anos que representei o concelho, a vila e o país, depois de ter terminado a formação em Nível I para treinadora. Como tinha feito o estágio do curso na Palmela Desporto, comecei por dar a ‘competição’ aos mais pequenos, dos 7 a 8 anos e agora tenho conseguido mais umas horas e aumentado o treino dentro e fora de água.  

Como é dar o treino aos mais novos? 

Os miúdos não me conhecem de hoje nem de ontem. Apareço na televisão e nas revistas e vou às escolas promover o desporto, já fui professora de educação musical e é sempre mais fácil interagir com elas. Uma piada, uma brincadeira, e as coisas correm sempre muito bem.  

É sempre bom trabalhar com crianças porque têm muita vida. Tenho também uma classe de 6, 7 e 8 anos, em pré-competição, tenho os Masters, a partir dos 19 e 20 anos e tenho a adaptada. E qualquer um destes meus alunos pode um dia ir a Jogos Olímpicos.  

A vida de atleta terminou? 

Nem pensar. Estou a fazer algumas provas mas apenas as que eu entendo que devo fazer, só para me ir mantendo. Em relação a Olímpicos, ainda não sei. Não é impossível, foram três jogos, quatro mundiais, três europeus e por isso o amor está cá dentro. Os próximos Olímpicos são em Tóquio para o ano e como adoro sushi e comer com pauzinhos (risos), posso tentar ir mas não estou a planear nada. Se for vou, senão, não fico chateada. Até pode ir um atleta meu.  

Vou participar agora numa prova nacional na Guarda, e vou com os meus atletas, nos dias 16 e 17 de Fevereiro. Depois temos uma prova internacional a 12 e 13 de Maio. Para provas internacionais teria de treinar mais do que estou a fazer agora, que são três vezes por semana, apenas por uma hora. Posso continuar nisto da natação até à minha reforma. 

Também tenho ajudado muitos alunos para entrarem depois na Escola Superior de Educação de Setúbal, na área de desporto e para fazerem a prova nesse campo e à conta disso já arranjei duas miúdas para ingressarem na nossa equipa de Masters.  

A travessia do Sado tem sido difícil? 

Só os loucos para participarem nessa prova. Mas maluca, maluca e meia! Há dois anos foi por convite da Câmara Municipal de Setúbal, em que me foi dito que se a completasse, seria a primeira atleta paraolímpica a fazê-lo. E assim aconteceu.  

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O ano passado fiz o convite aos meus atletas como motivação. ‘Se eu com um metro de altura, a fiz, vocês também conseguem’. Eles acharam um pouco estranho, mas eu respondi que ‘tudo é estranho’. E decidimos experimentar, eles adoraram o treino e a prova em si, e desde aí tenho-os levado a fazer outras provas de mar em Sesimbra, ao Algarve, etc.  

A Simone sente-se um modelo de motivação para esses alunos? 

Não só para eles como para muita gente.  

Quando vou dar as palestras, digo sempre uma das coisas muito importantes que a minha mãe me ensinou. E isto porque tive uma mãe, não uma mulher que me pariu. Não me comparo nunca com nada nem com ninguém. Sou diferente, não sou mais nem melhor. E é isso que tento transmitir.  

Quando nada ainda ouve música? 

Ouço. Mas mudei um bocado o estilo e agora escuto Ivete Zangallo com quem sou unha e carne, até porque agora vem aí o Carnaval (risos). E o meu Carnaval este ano será em Palmela, nos Loureiros – Caceteiros.  

Ficou com o vício do Rio? 

Adorei o Brasil e já lá voltei depois dos jogos. Fiz umas provas em S. Paulo, em Abril do ano passado a convite dos brasileiros. Bati a algumas portas dos meus patrocinadores, do programa «Os Tubarões» e eles pagaram-me a viagem para ir lá nadar.  

Os brasileiros têm um Centro de Alto Rendimento apenas para os paraolímpicos em que os atletas olímpicos são convidados, o contrário de cá. Foi uma experiência fantástica, e a minha mãe adorou ainda mais S. Paulo que o Rio. É uma cidade de trabalho, não tem tanta taxa de criminalidade como acontece nas zonas mais turísticas como o Rio e Copacabana.  

E já fiz a promessa que voltarei ao Rio para uma passagem de ano, não sei é quando. 

Quais foram os momentos que mais a marcaram nas competições? 

Todos tiveram os seus momentos mas tenho histórias dos Jogos Olímpicos da China, de Londres, do Rio de Janeiro, que davam para fazer um livro. Já ponderei isso, é algo para pensar, independentemente de ir ou não a Tóquio.  

Depois tenho também boas memórias das condecorações que recebi da Câmara Municipal de Setúbal e da Câmara Municipal de Palmela, e pelo Marcelo Rebelo de Sousa, que se ajoelhou para tirar uma foto comigo. Ele foi o primeiro Presidente da República que recebeu os atletas paraolímpicos depois dos jogos. Antes recebem-nos sempre mas depois esquecem-se de nós.  

Também antes de ir a Londres, o Presidente da República na altura, Cavaco Silva, e a mulher, disseram-me: «Já sabemos as provas que vai fazer. Nade rápido e não se esqueça que é a única mulher de natação que vai fazer a prestação e por isso tem uma grande responsabilidade.» Isto significa que fizeram os trabalhos de casa.  

Diário Imagem

E em relação à sua marca, como está a correr?  

A ‘Sigurati Simone’ está boa. Entreguei ao Tim que está a fazer a promoção com a minha mãe, porque eu não tenho tempo para tudo. De cada vez que tenho reuniões tenho de ir para Lisboa, para ajustarmos alguma coisa.  

O negócio está a correr bem, tenho muita procura online para as toucas, mochilas, toalhas e t-shirts.  

Como é ser atleta, formadora, empresária, etc? 

Eu pareço uma lula, tenho vários braços que dá para fazer tudo. Desde que gostamos de fazer o que se faz, já é meio caminho andado para correr tudo bem. Mas se tivermos num trabalho entre quatro paredes com pessoas de que não gostamos, é para esquecer. 

E projectos para o futuro? 

Além de ir fazer o almoço, com carnes brancas e leguminosas (risos), vou continuar a nadar. É possível que vá fazer mais alguma formação ou curso na universidade, é só dar-me isso na ‘moina’. Pode ser de nutrição, de fisioterapia, o que me apetecer. 

E quero viajar muito, que é algo que gosto de fazer.  

Vê-se daqui a uns anos a parar? 

Parar não, desacelerar talvez. Não posso parar por completo, foram muitos anos nesta actividade, a água faz parte da minha vida. E mesmo que não seja por desporto, tem de ser pela minha qualidade de vida e saúde.  

Ama a vida? 

Tudo na vida. Tenho sete vidas como os gatos. Dentro e fora de água.  

Sou uma mulher motivada, e mesmo quando as coisas me correm menos bem, tenho sempre a convicção de que o dia não vai acabar sem que algo de bom me aconteça. Sou sempre muito positiva.


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