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«Somos um clube muito organizado e as pessoas gostam de trabalhar aqui» – Entrevista a Jorge Peixoto, diretor desportivo do CD Pinhalnovense

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A temporada de 2019/2020 para os clubes do Campeonato de Portugal terminou antecipadamente, devido à pandemia. O Clube Desportivo Pinhalnovense ficou no 6º lugar da Série D, com 45 pontos em 25 jogos. O Diário do Distrito esteve à conversa com Jorge Peixoto, diretor desportivo do clube, sobre a época transata e planeamento da próxima.

O objetivo era a manutenção, tal como nas épocas anteriores. Apesar de ter terminado mais cedo, o próprio confessou ter sido uma época onde o clube superou as expectativas. «Foi um trabalho de todos. Construímos um bom grupo de trabalho, com o orçamento que nós tínhamos, e superamos as expectativas. Nesta fase, o nosso objetivo já estava conseguido. A manutenção já estava garantida, a partir daí era potenciar, darmos mais tempo e mais minutos aos jogadores que tinham menos minutos, mais jovens e potenciá-los»

A subida seria era uma miragem, um cenário muito improvável, só se «acontecesse alguma hecatombe com o Sporting Clube Olhanense e Real Sport Clube». Ficaram 9 jogos por disputar, 27 pontos. Caso a época tivesse continuado, o objetivo seria «sempre o melhor possível, enquanto fosse matematicamente possível a luta pelo 3º lugar, nós iríamos lutar por isso».

@DR - FlashScore.pt
@DR FlashScore.pt – Classificação da Série D do Campeonato de Portugal.

O planeamento da próxima época começou com a mudança de treinador. Luís Manuel, que estava desde a época passada a assumir funções, saiu para o Oriental Dragon FC. «O Luís Manuel fez a escolha dele. Ele tinha um convite da nossa parte para renovar. Teve outros convites e decidiu ir para o Oriental Dragon FC. Só lhe desejo a melhor sorte do mundo». 

Marco Bicho foi o escolhido para orientar a equipa principal, que, apesar da pouca experiência como treinador de equipa sénior, tem o perfil que se encaixa nas diretrizes para a próxima temporada. «É um treinador novo, não tem vícios, conhece a casa, tem ambição e penso que foi a nossa melhor escolha».

O corte de 25% do orçamento para a época de 2020/2021 obrigou a uma nova visão, «nós tivemos de nos readaptar e encontrar uma estratégia que se adeque ao que nós pretendemos com as dificuldades que com esses valores surgiram. Neste caso, ao adaptar uma nova estratégia, vamos trabalhar com gente mais nova, inclusive na equipa principal«.

Em relação ao plantel da próxima temporada, as mudanças são evidentes. «Se pudesse continuaria com 90% da equipa da época passada, visto que tivemos frutos. Nós temos que nos reorganizar financeiramente e, por isso, temos de deixar alguns dos melhores jogadores, ou alguns dos melhores valores que tínhamos, não podemos contar com eles porque há clubes que têm uma capacidade financeira muito superior à nossa e têm objetivos que não são iguais aos nossos. Se eles são bons valores, claro que vão ter sempre mercado e claro que vão buscá-los. Este ano vamos ficar com 6 jogadores da época passada. Muitos dos que saíram, sei de fonte segura, que saíram com propostas muito superiores». 

@DR Página de Facebook CD Pinhalnovense Fut Sénior & U-19 – Oficialização da contratação de Diogo Tavares

No que toca aos reforços, já são 10 confirmados, entre os quais se destaca Diogo Tavares, avançado de 33 anos com vasta experiência no futebol italiano. «É uma grande ajuda. Para termos uma equipa jovem e para esses jogadores serem orientados, temos de ter algumas referências. Uma dessas é o Alain Pilar, capitão de equipa. Vamos ter o Diogo Tavares e estamos à espera da resposta também de um outro jogador conhecido para nos ajudar nesse sentido. Basicamente é assim que nós equilibramos o balneário. Os jogadores mais novos, se quiserem ser alguém no futebol, vão ter que ouvir os conselhos dos experientes. Há um misto de juventude com veterania».

Apenas um nome da formação está garantido, até ao momento, no plantel. Tiago Correira, jovem de 19 anos que na época passada pelos juniores marcou 13 golos em 17 jogos. Sobre a pouca presença da formação na equipa principal, Jorge explicou como funciona a organização e estrutura da formação no elo entre o clube e a SAD. «Nós temos a SAD com os escalões de juniores e seniores. Tudo o que é do clube já não é da nossa responsabilidade. Claro que o nosso objetivo será sempre potenciar os jogadores jovens do clube. Nós temos de perceber que, ao longo do tempo, a qualidade do jogador tem vindo, na minha ótica, a diminuir. Não é pela qualidade do trabalho que se faz nas camadas jovens, acho que isto tem a ver com a personalidade e com a mentalidade dos jogadores que andam nestas divisões. Sabemos que hoje em dia existe mais oferta do que procura, há muitos jogadores com muita qualidade mas depois falta-lhes aquele clique mental, a maturidade para assumir um compromisso destes com um futebol sénior. À parte disso, todos os anos haverá sempre um ou dois jogadores que vão fazer parte do plantel da equipa principal. Pelo menos, enquanto eu cá estiver, há de ser sempre assim».

Apesar desse “entrave” na formação, o diretor desportivo realçou as condições e estatuto de clube que dão estabilidade e ajudam na potenciação dos seus jogadores e staff. «A nossa ideia é sempre estabilizar e equilibrar o clube. Neste momento, a SAD é uma SAD que não têm dívidas, nunca ficou a dever nada a ninguém, portanto, isto também, para termos de imagem, favorece também muito o clube e ajuda-nos a ir buscar alguns valores para potenciar, porque a nossa ideia aqui será sempre potenciar jogadores e treinadores. Posso-lhe dar três exemplos: João Correia, que saiu do clube para o Vitória Sport Clube e hoje joga no Clube Desportivo de Chaves; Diogo Figueiras, atual Rio Ave FC que passou pelo Sevilha FC, onde venceu 3 Ligas Europa; Paulo Fonseca, atual treinador do AS Roma, que passou pelo FC Porto. As pessoas passam por aqui e tem oportunidade de se mostrar e valorizar. Somos um clube muito organizado e as pessoas gostam de trabalhar aqui». 

@DR Página de Facebook Oriental Dragon FC –  Oficialização de Luís Martins, treinador que saiu do CD Pinhalnovense para o Oriental Dragon FC.

Desmentiu as notícias sobre o risco da não inscrição do clube, devido à antiga ligação da estrutura com o Oriental Dragon FC. «As notícias que saem nos jornais é pura especulação. As pessoas que estão dentro dos clubes apenas têm que seguir aquilo que são as diretrizes da federação. Nós não temos nenhum tipo de acordo com o Oriental Dragon FC, nem temos nenhum tipo de parceria, isso acabou este ano. Agora é um rival. Nós temos de perceber aqui os contornos dos financiamentos das SADs. O presidente do Oriental Dragon FC, como toda a gente sabe, era o nosso presidente da administração da SAD. Este ano não o pode ser, por questões de transparência. Quando um investidor vem de fora, quer obter o seu retorno. Neste caso, aqui o retorno é a potenciação de jogadores que vem de outro país para cá. É um negócio e nós somos uma empresa. Na época passada fazia-se intercâmbio de fortalecimento também de relações e nós, como clube de Campeonato de Portugal, tentávamos potenciar esse investimento. Portanto, basicamente a relação que havia era uma relação boa que continua a ser igualmente boa, mas completamente diferente, visto que as pessoas que cá estão já não são as mesmas. Há o respeito mútuo e amizade por todo o trabalho que fizemos ao longo do tempo, mas agora o CD Pinhalnovense é o CD Pinhalnovense e o Oriental Dragon FC é o Oriental Dragon FC».

Sobre um possível ataque à subida, seja num futuro próximo ou longínquo, o diretor desportivo deixa claras as ambições do clube e aborda todos os contornos e condicionantes que existem no Campeonato de Portugal. «Nestas condições atuais, nós temos de nos resumir à manutenção no campeonato de Portugal. Não vamos dizer que não temos ambição, mas face também às circunstâncias e a este formato desportivo que existe, onde todos os anos se vai alterando alguma coisa. Nós temos de perceber que o Campeonato de Portugal no ano passado tinha 72 equipas, este ano vão ser 96 para duas vagas de subida. Portanto, só os clubes que têm muito poder financeiro têm mais capacidade para disputar a subida. O CD Pinhalnovense não é um deles. Eu lembro-me de quando tivemos, quando era jogador, dois anos muito perto, ficámos a um e a dois pontos da subida. Tínhamos algum poder financeiro que nos permitiu levar até lá. Não existe nenhum clube que suba se não tiver as condições necessárias para dar aos jogadores, à estrutura, à equipa técnica, e se não tiver uma estrutura muito forte, ou então até pode subir, mas no ano a seguir desce, como é o que tem acontecido com vários clubes. O Campeonato de Portugal acaba muito mais tarde do que a primeira e a segunda liga. Não há tempo para organizar nem para ter uma estratégia para fazer uma equipa para fazer face a isso».

Ainda sem data marcada para o começo das competições de 2020/2021, tudo indica que será no segundo fim-de-semana de setembro, o Clube Desportivo Pinhalnovense já começou a preparação para mais um temporada onde procurará garantir a manutenção no terceiro escalão do futebol nacional.

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